Kim Wilde: veterana oitentista retorna com álbum meio roqueiro
Resenha - Here Come The Aliens - Kim Wilde
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 18 de abril de 2018
Filha do roqueiro cinquentista/sessentista Marty Wilde, Kim Wilde estreou em 1981, com o single Kids In America e daí em diante tem tido carreira com altos e baixos. Nunca foi estrela de primeira grandeza global, mas alcançou altas posições em paradas euro-nipo-australianas e já abriu turnês pra majors como Michael Jackson e David Bowie.
A britânica expandiu suas atividades e tem se mantido na mídia B não apenas porque de vez em quando lança música, mas também como autora de livros de jardinagem e apresentadora de programas sobre. Há uns cinco anos, um vídeo viralizou no Youtube, mostrando Kim meio inebriada no metrô londrino cantando Kids In America.
Alguns brasileiros reclamam que o país não tem memória, não valoriza seus artistas mais antigos (as mesmas pessoas que também não buscam informação sobre, só mimimizam). Parece que o Reino Unido é igual: há décadas os álbuns de Kim Wilde não saem em sua terra natal.
A exceção fica por conta do lançamento de março deste ano. Porém, não vi resenha/crítica do eficiente Here Come the Aliens em nenhum órgão noticioso maior, tipo BBC ou The Guardian. Pelo menos este último trouxe entrevista onde Kim afirma que talvez os ETs do título a estejam usando pra lançarem um álbum.
Com capa-homenagem aos filmes de ficção-científica dos anos 1950, Here Come The Aliens traz uma dúzia de canções pop, quase unanimemente eficazes e até pegajosas, cantadas por uma voz que ou está preservada em formol ou foi tratada em estúdio. Parece a mesma dos 80’s.
Sem perder o pé na década que a pariu e à qual pertence sua base de fãs, o power pop de Wilde e seu irmão Ricky é mais enraizado na fase Blondie do que na Madge e as guitarras de vez em quando comem soltas, como na abertura 1969 ou em A Different Story. E não é porque o público restante de Kim deva ser prioritariamente cinquentão que não posso balançar o traseiro com popões com temática atual como Kandy Krush, referindo-se ao popular jogo e a Cyber Nation War, meio industrial carmina-burânica, sobre recalcados que se aproveitam da internet pra destilar seu ódio.
Pop Don’t Stop é dueto com o mano Ricky, cujos acordes de abertura farão os mais idosos se lembrarem de Video Killed The Radio Star, antes de se transformar no que sugere o título: pop viciante. Yours Till The End tem reconfortante clima Duran Duran, com baixo gordíssimo à The Promisse, do Arcadia e um lalala que você pode tentar substituir por ‘the reflex" de vez em quando para se divertir. Stereo Shot remete ao Johnny Marr, de How Soon Is Now. Solstice é o tipo de balada que iluminaria estádios com isqueiros, em 1987, mas soa contemporânea pela produção. Here Come the Aliens enfileira delícias po(l)pudas como Birthday e Addicted To You, que imploram para serem dançadas.
O único defeito é Rosetta, a faixa de encerramento. Quase cinco minutos de sensaboria pseudo-etérea que acaba anestesiando a sensação de um álbum até então tão bom, competente e vibrante. Minha versão de Here Come the Alien ficou sem, porque assim termina com Rock the Paradiso, que chega até a ensaiar abertura meio neopsicodélica à The Mission/The Cult.
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