Sons of Apollo: a melhor mistura de prog e hard desde o Rush
Resenha - Psychotic Symphony - Sons of Apollo
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 17 de dezembro de 2017
Nota: 8 ![]()
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Nesta vida, só temos três certezas: a morte, o especial Roberto Carlos de final de ano na Globo e que o baterista Mike Portnoy montará alguma banda (geralmente, um supergrupo). Em 2017, o nome da vez é Sons of Apollo, no qual ele se junta ao vocalista Jeff Scott Soto (Trans Siberian Orchestra, Talisman, ex-Journey, ex-Yngwie Malmsteen, ex-Axel Rudi Pell); o guitarrista Ron "Bumblefoot" Thal (Art of Anarchy, ex-Guns N' Roses); o baixista Billy Sheehan (The Winery Dogs, Mr. Big, ex-David Lee Roth, B'z); e o tecladista Derek Sherinian (Black Country Communion, ex-Dream Theater, ex-Alice Cooper, ex-Platypus, ex-Yngwie Malmsteen, ex-Kiss).
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Eles nasceram como uma promessa do metal progressivo, mas acabaram se revelando a melhor mistura de progressivo com hard desde os tempos áureos do Rush. Não chega a ser uma surpresa, vide o currículo dos membros. E se o álbum de estreia deles, Psychotic Symphony, não é uma joia histórica como algumas críticas vêm pintando, também está longe de ser chato ou repetitivo como as resenhas mais negativas acusam.
Cada um dos cinco integrantes está bem dosado ao longo do disco, sem que houvesse uma disputa irracional por destaque, especialmente por parte de Bumblefoot, Billy e Derek. O bom entrosamento entre eles é parcialmente explicado pelo fato de muitos já terem trabalhado juntos: Mike e Derek no Dream Theater; Mike, Derek e Billy no P.S.M.S.; Mike e Billy no The Winery Dogs; Mike e Bumblefoot no Metal Allegiance. E o legal é poder ouvir cada um deles em ação e reconhecer logo de cara seus timbres e estilos característicos.
Após ouvir a faixa de abertura, a épica "God of the Sun", você pode até se perguntar onde está o tal do hard rock. Mas você já encontrará elementos do dito-cujo em "Coming Home", que recebeu um vídeo. Ou em "Signs of the Time", que por mais que abra com um riff à la Sepultura e tenha uma passagem instrumental longa e bem fritada, abraça fortemente o rock clássico em seu refrão. E ainda na radiofônica (conforme os próprios membros admitem) "Alive", na qual temos um riff que parece extraído de alguma banda de rock alternativo do início do século. E por fim, cito "Divine Addiction", que escancara a influência que Derek sofre do saudoso Jon Lord. Ela é precedida pelo breve prelúdio "Figaro's Whore", um "momento Eruption" do tecladista.
Mas sim, é um álbum essencialmente progressivo. Além da abertura supracitada, também fazem questão de deixar isso bem claro a épica "Labyrinth", na qual Derek finalmente amplia o leque de possibilidades que seu instrumento lhe proporciona, e "Lost in Oblivion", em que Jeff parece estar numa outra dimensão com seu vocal hard rock colocado em cima de um instrumental prog bem fritado. Mas, ei, é disso que se trata o supergrupo, não é mesmo?
A faixa de encerramento, segunda mais longa e batizada com o pomposo título "Opus Maximus", dá um descanso a Jeff e põe os quatro instrumentistas para trabalhar ininterruptamente por 10 minutos e 30 segundos. A despeito do nome que lhe foi dado, não supera as outras duas épicas, o que não a torna ruim de forma alguma - nada neste disco é ruim. Aliás, o que é aquela linha de baixo aos 4:40? Billy parece incorporar plenamente a alma de Geddy Lee, que nem morto está (graças a Dio).
Psychotic Symphony é aquilo que você espera dele: uma demonstração de potência por parte de seu estrondoso time que resultou em nove ótimas peças. Mas não há nada aqui que o torne um candidato a "disco da década" ou algo assim. Talvez num próximo lançamento, já com uma comunidade sólida de fãs e com uma química ainda melhor, o quinteto ouse mais e fuja dos clichês dos gêneros - aqueles que motivaram as críticas negativas.
Por que dar nota alta a um trabalho que não é uma joia, um clássico instantâneo? Porque eu, pelo menos, não vi nenhum membro prometendo isto. Vi cinco "tiozões" do rock/metal aceitando o desafio de se juntarem numa empreitada que exigiu foco e dedicação e, por esse exato motivo, não é chamado de "projeto" por eles, já que o termo normalmente é usado para iniciativas paralelas a algo maior. Sons of Apollo foi criado com a promessa de ser uma banda de tempo integral e isso abre a possibilidade de álbuns melhores chegando antes do que esperamos.
Abaixo, o vídeo de "Lost in Oblivion":
Track-list:
1. "God of the Sun"
2. "Coming Home"
3. "Signs of the Time"
4. "Labyrinth"
5. "Alive"
6. "Lost in Oblivion"
7. "Figaro's Whore"
8. "Divine Addiction"
9. "Opus Maximus"
Outras resenhas de Psychotic Symphony - Sons of Apollo
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