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Linkin Park: One More Light é o ponto mais baixo da carreira

Resenha - One More Light - Linkin Park

Por Igor Miranda
Postado em 22 de maio de 2017

Nota: 2 starstar

É saudável mudar. Todas as bandas admiradas em nível mundial passaram por modificações em suas sonoridades. Costumo dizer que até o AC/DC e o Motörhead, bandas conhecidas no meio roqueiro por uma curiosa regularidade, adaptaram seus trabalhos conforme o desejo de seus líderes ou até do mercado vigente.

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Entretanto, interpreto que mudanças devem ser feitas gradualmente e com critério. Quando as alterações se apresentam de forma brusca e pouco alinhada a uma linha artística, o resultado pode ser desastroso. É o caso de "One More Light", sétimo disco do Linkin Park.

Não dá para falar sobre o que achei de "One More Light" sem, antes, traçar o histórico do Linkin Park ao longo de sua carreira. A banda despontou no início dos anos 2000 como uma das referências do nu metal, apresentando, ao mesmo tempo, um som bem híbrido. Elementos dosados do rock alternativo, eletrônico e hip hop apareciam de forma distinta. Essencialmente, foi isso que fez com que o grupo se desgarrasse de outros nomes de seu segmento, como Slipknot, Korn e Limp Bizkit.

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O Linkin Park era diferente. Isso é inegável. Desde o início, a sonoridade sempre foi um pouco mais comercial - o que não é nada negativo e ainda colaborou para que a banda se tornasse a mais famosa daquele movimento.

Todavia, a partir do terceiro disco de estúdio, "Minutes To Midnight" (2007), o grupo começou a mudar um pouco mais a fórmula. E caminhou-se, gradualmente, em seus dois discos seguintes - "A Thousand Suns" (2010) e "Living Things" (2012) -, para uma vertente mais experimental, com doses mais presentes de eletrônico. O último trabalho antes de "One More Light", "The Hunting Party" (2014), interrompeu essa lenta metamorfose com um retorno às raízes roqueiras/metálicas. É um disco pesado e, de certa forma, mais sincero.

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Mesmo com tantas mudanças, discos como "Minutes To Midnight", "A Thousand Suns" e "Living Things" trazem algumas características da essência que consagrou o Linkin Park em seu início. Talvez seja esse o principal problema de "One More Light": o álbum parece ter sido feito por outra banda.

Ao mesmo tempo que a mudança seja saudável, também é positivo manter um pouco da essência em tudo que se faz. O Linkin Park não considerou isso ao trabalhar em "One More Light", que falha ao apresentar o mínimo de identidade própria. Até quem é aficionado por música pop/eletrônica vai ter uma sensação esquisita ao ouvir este álbum, porque soa genérico. As músicas são todas muito parecidas, as linhas melódicas se repetem - especialmente de cada refrão - e o resultado final é repetitivo. Não há as digitais dos seis músicos envolvidos.

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Aliás, esse é outro problema de "One More Light": não parece que há seis músicos envolvidos. Ainda que tenha colaborado com diversas músicas, Brad Delson praticamente não toca guitarra aqui. O baixo de Phoenix poderia ser substituído por qualquer sintetizador. A bateria de Rob Bourdon, por sua vez, apenas segue o que é proposto. Mike Shinoda só canta em três músicas - "Good Goodbye", "Invisible" e "Sorry For Now".

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Com exceção de Chester Bennington e da dupla de programadores Mike Shinoda e Joe Hahn, os demais músicos não são notados em "One More Light". Cabe destacar, ainda, que o próprio Chester não soa como ele próprio. Ainda que não seja necessário berrar como um louco para agradar os fãs - até porque a idade chega e, com ela, os desgastes aparecem na voz -, é bem-vindo aplicar um pouco de feeling ao cantar.

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No fim das contas, "One More Light" é o ponto mais baixo da carreira do Linkin Park. Não há um destaque na lista de faixas, apenas músicas menos piores que as outras - "Heavy", por exemplo, é uma das poucas canções que pode ser classificada como "razoável".

A baixa qualidade do resultado final não tem a menor relação com a mudança de gênero. Não vejo problema nenhum em transitar pelo pop ou pelo eletrônico. Acho, ainda, que aquele papo de chamar banda de "vendida" é uma enorme palhaçada. O problema, mesmo, é soar genérico e sem inspiração.

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Linkin Park - "One More Light"
Lançado em 19 de maio de 2017

Músicos:

Chester Bennington (vocal)
Rob Bourdon (bateria)
Brad Delson (guitarra)
Phoenix (baixo)
Joe Hahn (programadores)
Mike Shinoda (teclados, programadores, rap vocals na faixa 2, vocais principais nas faixas 5 e 7)

Músicos adicionais:

Kiiara (vocais na faixa 6)
Pusha T (rap vocals na faixa 2)
Stormzy (rap vocals na faixa 2)
Ilsey Juber (backing vocals nas faixas 3 e 10)
Ross Golan (backing vocals na faixa 8)
Eg White (guitarra e piano na faixa 9)
Jon Green (guitarra adicional, backing vocals e baixo na faixa 1)
Jesse Shatkin (teclados e programadores adicionais na faixa 5)
Andrew Jackson (guitarra adicional na faixa 3)

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Faixas:

1. Nobody Can Save Me
2. Good Goodbye (com Pusha T e Stormzy)
3. Talking to Myself
4. Battle Symphony
5. Invisible
6. Heavy (com Kiiara)
7. Sorry for Now
8. Halfway Right
9. One More Light
10. Sharp Edges

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.
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