Linkin Park: perto deste disco, Coldplay é hard rock
Resenha - One More Light - Linkin Park
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 25 de maio de 2017
Hoje vamos falar de um disco que era muito aguardado por todos. Mas não por mera curiosidade: após a divulgação de algumas faixas decepcionantes, o direcionamento do Linkin Park começou a ser questionado. Infelizmente, nossos piores temores se confirmaram: One More Light, sétimo lançamento de estúdio do sexteto californiano, é puro pop - e dos ruins. Absolutamente nada de heavy metal e praticamente nada de rock.
Diferente do que muitos dizem, o Linkin Park nunca tinha deixado de ser bom. Hybrid Theory e Meteora são, realmente, os clássicos da banda, mas isso não desmerece os lançamentos posteriores. A incorporação do rap, do pop e do eletrônico no rock e no heavy metal não é essa blasfêmia toda que alguns chatos pintam - eu admito tranquilamente que me apaixonei pelo electronicore em 2013 e não o larguei desde então.
Outra coisa que preciso salientar: mudanças, mesmo radicais, podem dar certo, e sempre cito Dir en grey e Anathema com dois exemplos perfeitos disso. Nem quando essa mudança vai na direção do pop o resultado é necessariamente ruim. E agora cito Coldplay como exemplo. Aliás, perto deste disco, o Coldplay atual soa como hard rock.
Mas então, por que é um álbum tão ruim? Além do fato de simplesmente não soar como Linkin Park, o que temos é um trabalho de pop fácil, genérico e preguiçoso. Quase todas as canções constroem um clima de dar sono. Dez segundos de qualquer Summer Eletrohits da vida têm mais energia que os 35 minutos de One More Light.
Chega a ser risível os demais membros ainda constarem como integrantes da banda. O guitarrista Brad Delson pode falar o que quiser, mas, mesmo tendo ajudado a escrever várias das faixas, sua participação instrumental foi tão impactante quanto uma folha caindo no mar. Rob Bourdon e Dave Farrell, por suas vezes, se veem numa situação igualmente constrangedora: ou admitem que foram substituídos por uma bateria e um baixo programados por computador, ou admitem que esta é a participação mais pífia que já tiveram no grupo.
O malabarismo argumentativo dos fã(niquito)s para defender o indefensável merece um parágrafo à parte. A desonestidade intelectual é de causar inveja aos defensores do Lula e do golpe de 2016. Dizem que a banda foi ousada ao mudar, como se qualquer mudança por si só compensasse. Dizem que o disco não é ruim só porque é pop, como se sequer estivéssemos falando de um exemplo de bom pop.
E profiro esta última frase com extrema segurança, não só por não ser um tr00 666 from hell chato que só ouve o que tiver guitarras distorcidas, mas também porque, na mesma época em que resenho este lançamento, exploro a discografia da jovem cantora norueguesa AURORA e reforço minha impressão de que o pop de qualidade existe e vai muito bem, obrigado.
Por outro lado, não vou engrossar o coro de quem acredita que o sexteto simplesmente se vendeu. Será mesmo que a renda do grupo não era satisfatória a ponto de justificar essa guinada? Tampouco farei comparações estapafúrdias com Backstreet Boys, *NSYNC, Five ou Westlife - por respeito às boybands.
Se o Linkin Park está feliz trilhando este caminho, que sigam em frente. Mas lidem com as críticas, que já estão se acumulando, como podemos ver no Metacritic. O vocalista Chester Bennington já reclamou em mais de uma entrevista de fãs saudosos de um Hybrid Theory. Não, Chester, eu não espero um novo Hybrid Theory. Mas também não aceitarei passivamente música preguiçosa. Não fiz isso nem com minha banda favorita (Titãs, na época do intragável Sacos Plásticos), por que faria com o LP?
Como fã, eu até procurei algo de bom aqui, mas não achei. A faixa título despertou meu interesse por sua bela letra (e a versão ao vivo em homenagem a Chris Cornell é de fazer suar pelos olhos), mas afunda no lamaçal que foi esse trabalho que me faz, pela primeira vez em quase dez anos resenhando, atribuir uma nota zero.
Abaixo, o vídeo de "Good Goodbye":
Track-list:
1. "Nobody Can Save Me"
2. "Good Goodbye" (com Pusha T e Stormzy)
3. "Talking to Myself"
4. "Battle Symphony"
5. "Invisible"
6. "Heavy" (com Kiiara)
7. "Sorry for Now"
8. "Halfway Right"
9. "One More Light"
10. "Sharp Edges"
Comente: Concorda com o autor?
Outras resenhas de One More Light - Linkin Park
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música sem riff de guitarra nem refrão forte que virou um dos maiores clássicos do rock
Veja a estreia da nova formação do Rush durante o Juno Awards 2026
Guns N' Roses estreia músicas novas na abertura da turnê mundial; confira setlist
O álbum do Cannibal Corpse que Jack Owen não consegue ouvir
Para Gary Holt, Exodus é melhor que Metallica, mas ele sabe ser minoria
Banda de rock dos anos 70 ganha indenização do Estado brasileiro por ter sido censurada
A banda que impressionou Eddie Van Halen: "A coisa mais insana que já ouvi ao vivo"
Os 20 maiores riffs de guitarra da história, segundo o Loudwire
Baterista quer lançar disco ao vivo da atual formação do Pantera
Manowar se manifesta após anúncio da morte de Ross the Boss
Por que Geddy Lee achou que Anika Nilles não seria melhor opção para substituir Neil Peart?
Wolfgang Van Halen fala sobre a importância de ter aprendido bateria primeiro
Kip Winger admite não se identificar mais com a música da banda que leva seu nome
Ouça e leia a letra de "Ozzy's Song", homenagem de Zakk Wylde a Ozzy Osbourne

Linkin Park: One More Light é o ponto mais baixo da carreira
60% dos melhores álbuns da década são dos EUA, aponta lista da Loudwire
De Queen a The Killers, 5 músicas que superaram 3 bilhões de plays no Spotify
Como "Hybrid Theory", primeiro disco do Linkin Park, mudou a vida de Emily Armstrong
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Sgt. Peppers: O mais importante disco da história?


