Incubus: decepcionando mais uma vez com o álbum 8
Resenha - 8 - Incubus
Por Lucas César
Postado em 16 de maio de 2017
Nota: 2 ![]()
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A inventiva banda Incubus, já na faixa dos seus 30 anos de carreira, está de volta com "8", seu tão aguardado oitavo álbum de estúdio. No rufar dos tambores na época do pré- lançamento, o que mais se ouviu dizer é que este seria um álbum bem mais "pesado", com promessas de riffs avassaladores e o famoso clichê da "volta às raízes."
O que se observa, porém, ao ouvir o álbum na íntegra, não é nada disso. Pelo contrário: mesmo com as "provocadas" iniciais dos singles de Nimble Bastard e Glitterbomb – de fato, mais energéticas – o restante do álbum não corresponde ao clima das primeiras músicas de trabalho.
Após o frenesi inicial da dobradinha de No Fun e Nimble Bastard, é possível perceber, claramente, a banda "perdendo o fôlego" ao longo do disco. A inclusão de "baladinhas" como "State of The Art", "Undefeated" e "Loneliest" soa mais como um esforço de " cumprir tabela" do que qualquer outra coisa. Os tempos das espetaculares aventuras experimentais da banda parecem já ter ficado para trás há bastante tempo (acredite: já se passaram 16 anos desde o lançamento de Morning View).
Outro aspecto muito celebrado na época do pré-lançamento foi a inclusão do DJ Skrillex como o produtor do disco. Muitos torceram o nariz. A própria banda chegou a alertar que isso, de maneira alguma, significaria o lançamento de um disco mais "dubstep" do Incubus. O que ninguém esperava, porém, é que muito pouco ou quase nada se sentiu da interferência do músico aqui.
Em "Familiar Faces", a primeira música trabalhada pelo DJ, e que originou toda a produção do álbum, temos mais uma faixa fraca, apática. Os efeitos e sintetizadores são até interessantes, mas a música parece não querer se desenvolver - como tantas outras de "8".
Tudo ali soa, de fato, como uma espécie de "lado B" da banda: simplesmente sem inspiração. Faixas como "Love in a Time of Surveillance" e a derradeira " Throw Out the Map" soam como o Incubus tentando copiar a si mesmo – só que sem vontade nenhuma de fazer isso.
O único destaque positivo, para ser benevolente, seria "Make No Sound on the Digital Forrest", faixa totalmente instrumental que conta com um clima sombrio bacana. O destaque negativo (definitivo) fica para a inclusão, completamente desnecessária, de "When I Became a Man" – uma espécie de interlúdio com sabor country que soa mais como uma brincadeira da banda do que qualquer tentativa de construção musical.
"8" é, infelizmente, um álbum decepcionante. Numa das mais recentes entrevistas sobre o novo material, o guitarrista Mike Einziger chegou a afirmar que queria buscar uma abordagem mais simples em suas composições, pois, segundo ele, o uso de pedais de efeito já está completamente "saturada".
O problema é que temos observado essa busca pela "simplicidade" já há bastante tempo - e realmente não está funcionado. A falta de inspiração do Incubus parece ter virado rotina com seus últimos lançamentos - o EP "Trust Fall Side A", os álbuns de "If Not Now, When?" e "Light Grenades", e agora "8".
Grandes bandas acabam gerando sempre grandes expectativas. Com o Incubus, a decepção maior reside no fato de perceber que uma banda tão boa não consegue"envelhecer" de forma criativa. Talvez essa coisa de "melhorar com o tempo" seja, de fato, qualidade exclusiva de garrafas de vinhos, e não bandas de rock. Uma pena.
Tracklist:
1) No Fun
2) Nimble Bastard
3) State Of The Art
4) Glitterbomb
5) Undefeated
6) Loneliest
7) When I Became A Man
8) Familiar Faces
9) Love In A Time Of Surveillance
10) Make No Sound In The Digital Forrest
11) Throw Out The Map
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