Raimundos: ficou aquele gostinho de que podia ser melhor
Resenha - Acústico - Raimundos
Por Juliano Ramone
Postado em 29 de abril de 2017
Nota: 7 ![]()
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Gravado em Curitiba nos dias 17 e 18 de novembro de 2016, o aguardado álbum acústico do Raimundos foi lançado na madrugada do dia 28 de abril nas plataformas de áudio digitais (Spotify, Deezer, Apple music e YouTube) com audição gratuita. Em maio o álbum estará disponível em mídia física, nos tradicionais formatos de CD e DVD. Adepta do formato ao vivo (Mtv Ao Vivo, Roda Viva e Cantigas de Garagem – ao vivo no estúdio), estava faltando um registro oficial da banda em versão desplugada.
Para esta missão, a banda foi reforçada por Marcão (Charlie Brown Jr.) no violão, Jorge Bittar ao piano/teclado e acordeom, Renato Azambuja, que mandou muito bem na percussão, além do naipe de metais e das duplas de violino e violoncelo.
O álbum conta com 27 faixas, incluindo desde os sucessos mais conhecidos da massa até algumas surpresas que agradarão os fãs que anseiam sempre por um labo B nos shows da banda.
Gordelícia, do mais recente registro de estúdio – Cantigas de Roda –, abre os trabalhos. Desacelerado, este ska é escolha natural para compor um acústico. Palhas do coqueiro vem na sequência, para então acelerar. O pão da minha prima ganhou novo arranjo e virou um medley com Monkey man (Toots & The Maytals, regravada também por The Specials e Maskavo Roots), agradando até mesmo os mais ortodoxos fãs do forrocore. A sequência Papeau Nuky Doe, Rapante e Sereia da Pedreira é pra deixar a velha guarda com olhos marejados, exatamente por serem raras nos setlists da banda. Juntamente com Nêga Jurema, Bonita e especialmente Opa! Peraí, Caceta! também são os pontos altos do projeto.
El mariachi, assim como Mas vó... também surpreendem terem entrado no setlist, mas de outra maneira. Diferentes em letra e música do espírito Raimundo, El mariachi e Mas vó... são arrastadas e cheias de ressentimento, e me custa acreditar que estejam entre as músicas preferidas de qualquer fã da banda. Bê-a-bá ganhou uma versão lenta e sombria, o que poderá causar algum estranhamento entre os mais tradicionais. I saw you saying ficou ainda mais lenta, de causar sono.
Outros skas como Me lambe e Dubmundos soam como se essa fosse sua versão original. Dubmundos contou com a participação da banda Oriente – que eu não conhecia, e provavelmente jamais conheceria não fosse este convite. Desconheço a relação entre as bandas, mas acredito que Gabriel, o Pensador e Marcelo D2 poderiam trazer melhor resultado para a proposta. Além de Oriente, participaram também Dinho Ouro Preto (em Mulher de Fases), Alexandre Carlo (Deixa eu falar) e Ivete Sangalo (Baculejo e A mais pedida). Apesar da rainha do axé ser rock’n roll, seu estilo vocal não casou muito bem com o estilo Raimundos.
Fred, baterista da formação clássica, é participação mais do que especial e chorou junto com os fãs trintões quando subiu no palco. Participa de Selim – uma homenagem à música que tomou as rádios e os lançou para o sucesso na primeira metade da década de 90 – e Cintura fina, ponto mais alto do álbum.
Com Marcão dividindo os vocais, Lugar ao sol é tocada como uma homenagem póstuma aos seus parceiros do CBJR. Destoando do clima, acredito que poderiam ter escolhido uma música mais alto astral, como algum clássico que representasse melhor o espírito CBJR.
Fecham o álbum os hinos Puteiro em João Pessoa, Esporrei na Manivela e Eu quero ver o oco, com destaque para os ótimos arranjos de Esporrei na Manivela. Puteiro e O oco são clássicos, e muitas vezes clássicos não aceitam versões, sendo executadas praticamente como vieram ao mundo. Mas estão lá, porque TÊM que estar lá, porque representam o que é o Raimundos – ao contrário da onipresente e enfadonha Reggae do Manêro.
De maneira geral, os arranjos tenderam ao reggae e ao ska relativa frequência, estabelecendo um clima "festivo". Em alguns momentos há a impressão de um excesso de elementos, ficando "over". Nestes casos, menos é mais. Apesar da trinca de violões composta por Digão, Marquim e Marcão, as cordas parecem ter ficado com baixo volume na mixagem (ou talvez seja meu ouvido que que já está em abstinência de distorção). O baixo acústico do mestre Canisso imprime muito bem em todo o álbum.
Como só se cria expectativa com quem é bom e tem capacidade, ficou aquele gostinho de que podia ser melhor. Nota 7.
Faixas
CD
1. Gordelícia
2. Palhas Do Coqueiro
3. O Pão Da Minha Prima - Citação: Monkey Man
4. Papeau Nuck Doe
5. Rapante
6. Sereia Da Pedreira
7. El Mariachi
8. Mulher De Fases - Part. Especial: Dinho Ouro Preto
9. Dubmundos - Part. Especial: Oriente
10. Bonita
11. Opa! Peraí, Caceta!
12. Baculejo - Part. Especial: Ivete Sangalo
13. A Mais Pedida - Part. Especial: Ivete Sangalo
14. Selim - Part. Especial: Fred Castro
15. Cintura Fina - Part. Especial: Fred Castro
16. Cera Quente
17. Deixa Eu Falar - Part. Especial: Alexandre Carlo
DVD
1. Gordelícia
2. Palhas Do Coqueiro
3. O Pão Da Minha Prima - Citação: Monkey Man
4. Papeau Nuck Doe
5. Rapante
6. Sereia Da Pedreira
7. El Mariachi
8. Nega Jurema
9. I Saw You Saying (That You Say That You Saw)
10. Bê A Bá
11. Mulher De Fases - Part. Especial: Dinho Ouro Preto
12. Mas Vó...
13. Dubmundos - Part. Especial: Oriente
14. Bonita
15. Opa! Peraí, Caceta!
16. Baculejo - Part. Especial: Ivete Sangalo
17. A Mais Pedida - Part. Especial: Ivete Sangalo
18. Reggae Do Manero
19. Selim - Part. Especial: Fred Castro
20. Cintura Fina - Part. Especial: Fred Castro
21. Cera Quente
22. Deixa Eu Falar - Part. Especial: Alexandre Carlo
23. Lugar Ao Sol
24. Me Lambe
25. Puteiro Em João Pessoa
26. Esporrei Na Manivela
27. Eu Quero Ver O Oco
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