Queensryche: O renascimento da banda no ótimo "Condition Hüman"

Resenha - Condition Hüman - Queensryche

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collector's Room
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Algumas bandas dão a impressão que serão gigantes, demonstrando talento de sobre em discos que marcam gerações. Mas, pelos mais variados motivos, acabam se perdendo no meio do caminho, recebendo bem menos reconhecimento do que realmente merecem.

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O Queensryche é um caso clássico. Com ao menos uma trinca de discos excelentes na carreira - "Rage for Order" (1986) e, notadamente, a clássica dobradinha "Operation: Mindcrime" (1988) e "Empire" (1990) -, a banda outrora liderada pelo vocalista Geoff Tate renovou o prog metal na segunda metade da década de 1980 através de trabalhos excelentes e com histórias cativantes e muito bem contadas - "Operation: Mindcrime" é o exemplo maior disso. Mas os problemas de relacionamento de Tate com os demais músicos acabaram minando a banda, que perdeu totalmente o foco e experimentou caminhos antagônicos à sonoridade que havia colocado os holofotes em seu trabalho.

Como todos sabem, Geoff Tate e os demais integrantes do Queensryche se envolveram em uma batalha judicial pelo direito de usar o nome da banda, e o vocalista perdeu a disputa. Após isso, uma nova encarnação do grupo norte-americano emergiu, estabilizando-se com Todd La Torre (vocal), Michael Wilton (guitarra), Parker Lundgren (guitarra), Eddie Jackson (baixo) e Scott Rockenfield (bateria).

"Condition Hüman" é o segundo registro desse novo momento da carreira do Queensryche. Sucessor do mediano álbum lançado por esta mesma formação em 2013 e batizado apenas como o nome do grupo, passa por cima de praticamente tudo que a banda fez nas últimas duas décadas - para ser mais preciso, a partir de "Promised Land", de 1994 -, e é o melhor álbum do Queensryche em mais de vinte anos, para alegria dos fãs.

Produzido por Chris “Zeuss" Harris (Rob Zombie, Demon Hunter, Soulfly), o trabalho traz doze faixas inéditas, em um trabalho de composição que envolveu toda a banda, com destaque para o trio Wilton, La Torre e Rockenfield. O que sai das canções é a sonoridade límpida e cristalina característica que faz a fama do grupo, em músicas muito bem escritas e que transbordam bom gosto. O resgate de elementos clássicos, como as guitarras gêmeas tão presentes nos primeiros discos, deixa tudo ainda mais atraente, construindo uma audição agradável e que prende o ouvinte sem esforço na quase uma hora de duração do disco. Aclamado de maneira justa e unânime pela crítica e pelos fãs como um dos melhores álbuns do Queensryche, "Condition Human" também foi muito bem comercialmente, alcançando a quinta posição na Billboard.

Como em todo disco do Queensryche que se preze, a força está no conjunto e não em uma ou outra faixa isolada. É a junção das doze partes do quebra-cabeça que torna o trabalho completo, passando uma ótima sensação para o ouvinte. Ainda que em alguns momentos Todd La Torre emule de maneira exagerada o timbre de Geoff Tate, esse é um aspecto que provavelmente não incomodará a maior parte dos fãs - pelo contrário, diga-se de passagem.

Ninguém esperava que o Queensryche teria forças para dar a volta por cima, e "Condition Hüman" alegremente cala a boca dos críticos . Um disco surpreendente, e que merece a audição de todo e qualquer fã de metal.

Lançamento nacional via Hellion Records.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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