Queensryche: Condition Human é uma dose cavalar de vida na banda
Resenha - Condition Hüman - Queensryche
Por Lucas Matos
Postado em 21 de outubro de 2015
A decadência do Queensryche já é um assunto antigo. Desde "Promised Land" (1994), um trabalho genial por sinal, a banda não entregava algo a altura do seu legado. Por anos foi questionado o que aconteceu com os mesmos caras que gravaram obras primas como "Operation: Mindcrime" (1988), "Empire" (1990), e o já citado "Promised Land". Eis que toda a verdade veio a tona em 2012, com a treta que a essa altura da madrugada todos estão cansados de saber (mas caso você não saiba, clique no link abaixo pra ter uma ideia)
Após a remoção do câncer (também conhecido como Geoff Tate) que deixou a banda a beira do fracasso, parecia que não tinha mais salvação. Até que surge um cara simpático da Florida de nome Todd La Torre.
O self-titled de 2013 mostrou que a banda ainda tinha algo a dizer e era apenas o começo de um renascimento. Foi elogiado pela maioria dos fãs, mas ainda viria mais por aí. Então chegamos em outubro de 2015, com o lançamento de "Condition Hüman", 13º trabalho da banda (Frequency Unknown não conta por motivos óbvios) e segundo disco de estúdio com Todd nos vocais. O que temos aqui é a prova definitiva que o Queensryche está de volta! Todas as características do som clássico e que fizeram a banda ser que ela é, estão reunidas nas 12 canções.
A primeira faixa, "Arrow of Time", já começa com as guitarras solando em harmonia, marca registrada da banda. Não há como não se render a energia imensa da cozinha, os vocais incríveis de La Torre e um refrão que gruda instantaneamente na cabeça. Com certeza, um musicaço!
"Guardian" começa com uma outra marca registrada da banda: a bateria rica, poderosa e inconfundível de Scott Rockenfield (quem já assistiu Tate tocando as músicas do Queensryche sozinho, sabe que sem Scott, a música perde totalmente a identidade). La Torre aqui dá um show de interpretação, mostrando suas várias habilidades vocais cantando ora agressivo, ora mais limpo, ora mais agudo, ora mais grave, e sempre contribuindo com a música. Destaque também para o trabalho sensacional de guitarras de Michael Wilton e Parker Lundgren.
"Hellfire" tem uma introdução acústica e sombria, focada nas raízes mais progressivas da banda, com um bastante peso nas guitarras, um andamento mais cadenciado e um refrão espetacular.
"Toxic Remedy" e "Selfish Lives" remetem sonoramente um pouco mais aos tempos do Empire. Ambas as músicas tem letras bem críticas em relação a sociedade, coisa que a banda sempre fez muito bem. Já em contraponto, "Eye9", composição do baixista Eddie Jackson, tem vários andamentos quebrados e é uma das mais bem trabalhadas desse disco.
Um dos pontos mais altos de Condition Hüman com certeza é "Bulletproof". A canção traz uma excelente melodia que encaminha para um belo refrão e um excelente trabalho de orquestra. Com certeza, merece ser tocada ao vivo!
O peso das guitarras volta com tudo em "Hourglass", e ao longo da canção vai se dissolvendo no andamento progressivo. Mais uma vez, o trabalho de Wilton e Lundgren aqui merece destaque.
"Just Us", a balada do disco, é levada a um belo arranjo de violão. La Torre aqui mais uma vez impressiona com sua interpretação suave e cheia de feeling, mostrando que tem versatilidade e também porque foi escolhido para substituir um dos maiores nomes do metal.
Finalizando esse excelente disco temos "All There Was", talvez a mais pesada desse trabalho, e a faixa-título, que com certeza a música mais complexa que a banda já lançou. Com seus quase 8 minutos de duração, riffs animais de guitarra e várias mudanças de andamento, não haveria maneira melhor de fechar esse excelente trabalho.
"Condition Hüman" mostra que o império do Queensryche está sendo reerguido e está mais forte do que nunca. Um dos melhores lançamentos do ano e com certeza, um dos melhores da banda. Vale muito a pena a audição!
Quanto ao outrora gênio, hoje infelizmente um babaca, Geoff Tate, esse sim perdeu. Mas sabem como é: aqui se faz, aqui se paga...
1 - Arrow of Time
2 - Guardian
3 - Hellfire
4 - Toxic Remedy
5 - Selfish Lives
6 - Eye9
7 - Bulletproof
8 - Hourglass
9 - Just Us
10 - All There Was
11 - The Aftermath
12 - Condition Hüman
Line up:
Todd La Torre (vocal)
Michael Wilton (guitarras)
Eddie Jackson (baixo)
Scott Rockenfield (bateria)
Parker Lundgren (guitarras)
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