Kai Hansen: uma verdadeira "festa" em forma de um álbum
Resenha - XXX Decades In Metal - Kai Hansen
Por Carlos Garcia
Postado em 06 de dezembro de 2016
Nota: 9 ![]()
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Kai Hansen: O que dizer deste cara? Uma figura que tem uma grande relevância, sendo responsável por álbuns seminais com o Helloween, que marcaram uma nova era no Metal alemão, e também deram vazão a novos caminhos e sub-estilos no Metal, como o Power Metal ou Melodic Power Metal. Após sua saída do Helloween, Kai criou o Gamma Ray, que está ai comemorando 25 anos, além de outros projetos como o Unisonic, tem inúmeras participações em outras bandas e projetos.
Para comemorar esses 30 anos dedicados ao Metal, uma verdadeira "festa" em forma de um álbum foi planejada partindo da ideia de Alex Dietz (Heavens Shall Burn) e Eike Fresse (Dark Age), que estiveram envolvidos em todo o processo, resultando neste "Hansen & Friends - Three Decades in Metal", onde temos Hansen ao lado de convidados bem especiais, como o seu filho Tim Hansen, Ralf Scheepers, Tobias Sammet, Mike Kiske, Clémentine Delauney e outros, passeando pelas diversas nuances e influências do Heavy Metal praticado pelo guitarrista/vocalista, que vão do mais tradicional, ao Hard, Power e Melodic Metal, além de algumas coisas mais contemporâneas, o que dá um contraste bem legal (inclusive foi boa a sacada de ter músicos mais experientes junto a outros mais novos, que, não por acaso, participam dessas faixas que soam mais contemporâneas), em uma agradabilíssima e descompromissada coleção de canções, carregadas de refrãos, riffs, melodias cativantes e aquelas doses de bom humor característicos.
Tanto no conteúdo sonoro, como no lírico, podemos sentir esse ar "autobiográfico", pois se na sonoridade o álbum passeia pelas raízes de Kai Hansen e pelo Power Metal que ajudou a criar, as letras abordam situações que certamente ele se deparou durante a carreira, portanto, preste atenção nas referências.
"Born Free", que inicia com a frase "Nascido em Hamburgo em 1963...", é um vibrante Hard/Heavy sem segredos, aliás, sem segredos para quem sabe todos os atalhos para construir temas simples e tão legais; "Enemies of Fun", remete imediatamente aos conterrâneos de Kai, soando Accept clássico puro, com Ralf Scheepers nos vocais, utilizando um timbre bem rasgado, deixando a semelhança ainda maior com seus conterrâneos; "Contract Song", com Dee Snider e também Steve Mct, que faz o papel de um empresário, neste bem humorado Heavy Power, no estilo "Dr. Stein" e "I Want Out" (bom humor é uma característica que sempre esteve presente nos trabalhos de Kai), e sua letra impagável "...but the truth is a great lollypop you can't swallow...".
"Making Headlines", traz Tobias Sammet dividindo os vocais com Kai, em um Power Metal com refrão e riffs bem pegajosos, algo recorrente no álbum, e também arranjos discreto de teclado; "Stranger in Time", tem andamentos mais acelerados, aproximando-se do Power Metal o qual estamos acostumados de ouvir nos trabalhos de Kai, mas também com variações bem mais tradicionais e oitentistas. Nesta faixa o baixinho tem a companhia de dois ex-Helloween, Michael Kiske e Roland Grapow, além de Tobias Sammet e Frank Beck.
"Fire & Ice", Uma faixa que se difere das cinco primeiras, vem com uma roupagem mais contemporânea, com guitarras mais graves, semi-balada, com peso, daquelas que crescem no refrão (aliás, mais um belo de um refrão). Aqui temos vozes guturais e a bela voz de Clémentine Delauney (Visions of Atlantis). Ao final a música ganha em agressividade em alguns trechos, e os contrastes e variações soaram muito bem; "Left Behind", com Dietz e novamente Delauney, temos mais uma faixa de Metal mais contemporâneo, com linhas bem marcantes de baixo, destacando as melodias, que seguem essa linha mais alternativa, e os contrastes da voz suave de Clémentine com os guturais, que aparecem sem exagero.
"All or Nothing" destaca novamente a voz bela e suave de Clémentine, em uma balada que também segue uma linha mais contemporânea, riffs com afinações mais baixas ao fundo, servem de cama para destacadas melodias ao teclado e do refrão; "Burning Bridges", com Eike Freese (Dark Age), segue uma linha Metal mais alternativo, mais Dark, naquele estilo que o Sentenced e até o Paradise Lost fez em alguns álbuns, como o "One Second"; Fechando temos "Follow the Sun" onde as bases velozes do Power metal tradicional voltam a carga, tendo também alguns vocais guturais, destacando as aparições de Hansi Kursch e sua voz inconfundível, e Tim Hansen (filho de Kai). O finalzinho mais épico remete a banda do ilustre convidado Hansi.
Uma excelente coleção de músicas, que passeiam desde o Metal Tradicional, passando pelo Power Metal e nuances mais contemporâneas, e principalmente, transpirando espontaneidade e honestidade com que foi composto, e some-se a isto uma grande produção, uma lista estelar de convidados, o que abrilhanta ainda mais esta celebração à bela trajetória de Kai Hansen, durante a qual ele certamente realizou muitos dos sonhos que tinha, quando iniciou a carreira de músico.
Para alegria dos fãs, o álbum está disponível no Brasil via parceria earMusic/Shinigami Records, na versão simples e em versão dupla, onde o CD 2 traz todas as músicas somente com Kai nos vocais. Para os colecionadores, também foi lançado lá fora em versão LP duplo.
Track List:
01. Born Free
02. Enemies Of Fun (featuring Ralf Scheepers & Piet Sielck)
03. Contract Song (featuring Dee Snider & Steve McT as The Manager)
04. Making Headlines (featuring Tobias Sammet)
05. Stranger In Time (featuring Michael Kiske, Frank Beck, Tobias Sammet & Roland Grapow - guitar solo)
06. Fire And Ice (featuring Clémentine Delauney, Marcus Bischoff, Richard Sjunnesson & Michael Weikath - guitar solo)
07. Left Behind (featuring Alexander Dietz & Clémentine Delauney)
08. All Or Nothing (featuring Clémentine Delauney)
09. Burning Bridges (featuring Eike Freese)
10. Follow The Sun (featuring Hansi Kürsch & Tim Hansen - guitar solo)
Comente: O que você achou do álbum comemorativo de Kai Hansen?
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