Korn: Possível candidato a um dos melhores discos do ano
Resenha - Serenity of Suffering - Korn
Por Marcio Machado
Postado em 03 de dezembro de 2016
Nota: 9 ![]()
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Depois de andar capenga das pernas,perder membros, quase encerrar de vez sua carreira, com lançamentos um tanto mornos, finalmente o Korn acerta a mão em um dos melhores discos do ano e possível candidato a melhor da discografia da banda.
Desde Take a Look in the Mirror, a banda vem se enroscando em experimentos que pouco acertaram ou agregaram ao som de Jonathan Davis e companhia. Desde mistureba com dubstep até um pseudo álbum "intelectual" em Untitled, e promessas furadas de retorno às raízes em Korn III e Paradigm Shift não muito bem sucedidos, Serenity of Suffering traz a aproximação ao som antigo da banda, principalmente do ótimo Untouchables e vai além, traz o amadurecimento, musical e pessoal dos membros hoje atuando e prova que merece ainda resistir a todas as tribulações pelas quais passaram.
Indo ao que interessa, a porrada abre com Insane, uma cacetada que faz parecer uma muralha caindo em cima de alguém tamanho peso das guitarras de Munky e Head, e esse último prova a diferença que faz quando em estúdio, a química entre ambos, fora a cozinha, com Fieldy não usando mais um baixo só estralado, com real diferença em conjunto com as baquetas de Ray Luzier, que finalmente se achou e está a vontade no posto, soando as vezes como o antigo David Silveria, sem deixar de ser Ray, e em cima de tudo isso, Jonathan Davis apavora com sua voz, mostrando que o tempo só lhe fez bem, abrindo com um gutural sinistro e fazendo jus ao peso todo da faixa, ótimo começo.
Em seguida vem o primeiro single lançado para este trabalho, Rotting in a Vain, outra faixa pesada e cadenciada e com um puta refrão grudendo, e com sabor de nostalgia, JD ataca com suas scats vocais paranoicas e loucas que desde Liar não davam as caras em um disco.
A cacetada continua com Black is the Soul e The Hating, duas faixas muito densas e carregadas, que mostram algo perto do primeiro e segundo discos da banda.
A quinta faixa do disco traz uma participação que há muito tempo fãs esperavam, Corey Taylor, vocalista do Slipknot, solta a voz em parceria com Jonathan, numa música bem ao estilo New Metal pula pula, mas sinceramente, apesar de algo bacana, a participação não agrega muito e se não acontecesse não faria diferença alguma, não passou de uma brincadeira entre dois amigos que estão se divertindo.
Take Me nos joga de volta a 99, no álbum Issues, com um clipe que até lembra de longe Make Me Bad, em uma faixa até meio pop, de fácil assimilação, não sendo algo ruim, ao contrário, uma das melhores do disco todo.
Chegamos aqui a faixa mais Jonathan Davis de todo o álbum, Everything Falls Apart é literalmente uma loucura jogada em forma de música. Com um vocal animalesco e completamente doido, onde Davis berra "There is Nothing in my Head" como um louco preso numa camisa de força ávido a se soltar, uma das mais marcantes.
Die Yet Another Night e When You're Not There são faixas com refrões grudentos, orquestrados com melodias pesadas e carregadas, e um vocal forte, que exala as letras falando sobre solidão e angústia.
Next Line, inicia com um trabalho de bateria e voz muito colados e soando completamente feitos uma para o outro, e logo dando vez a Please Come For Me, que apesar de soar fraca perto a outras faixas, continua mantendo o alto nível do disco.
Baby fecha o disco, longe de um encerramento como My Gift To You ou Daddy, traz um Korn comedido em certo ponto, para perto de seu final, Jonathan berrar e encerrar com mais um refrão chiclete.
A versão deluxe do disco ainda traz Calling Me Too Soon, faixa bastante pesada e com vocal marcante, que deveria fazer parte da versão normal, e Out of You, faixa legal, mas que não agrega muito a todo o resto.
Sendo o 12° álbum da banda, Korn mostra o porque de ainda estar em atividade e que ainda pode render grandes trabalhos quando joga com criatividade sem abandonar suas principais características no trabalho para uma das maiores bandas dos anos 90.
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