Joe Bonamassa: O Blues não está Morto

Resenha - Blues of Desperation - Joe Bonamassa

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Por Erick Silva
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Nota: 9

E, finalmente, temos um disco de Joe Bonamassa envolvente do começo ao final. O que é uma pena de se constatar, pois, é óbvio que ele manda muito bem como guitarrista (e, também como cantor, diga-se), e por isso, chegava a ser meio frustante que os seus álbuns evidenciassem a sua genialidade, mas, ao mesmo tempo, faltando algum elemento que não se encaixava. Carisma, talvez. E, aqui neste "Blues of Desperation" temos isso de sobra. Não apenas quem aprecia blues, mas, quem gosta de um autêntico rock'n roll, vai sorrir de orelha a orelha escutando este disco.

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A primeira música de trabalho é a boa "Drive", mas, nem de longe, ela evidencia o que é este trabalho. Cheio de riffs, solos, arranjos e melodias formidáveis de guitarra, o álbum é emocionante, e começa com uma tremenda canção: "This Train". Cheia de energia, pesada e detentora de um ótimo instrumental, é a música perfeita para abrir um disco poderoso desses. Em seguida, a não menos espetacular "Mountain Climbing", menos rápida, mais cadenciada, porém, não menos impactante. Parece que Bonamassa estava realmente compelido a mostrar tudo o que sabe, pois, cada nota, cada acorde aparenta ter sido composto ali, na hora. Ah, e o coral dessa canção dá um upgrade nela muito bacana.

E, então ouvimos o primeiro hit, "Drive", com sua sonoridade exuberante, que transpira feeling e harmonia na medida certa. Incrível como Bonamassa parece estar cada vez melhor com o seu instrumento. Ele realmente nasceu para empunhar uma guitarra, e o faz da maneira mais elegante possível, um verdadeiro bluseiro dos tempos atuais. E, tudo isso para chegarmos à maravilhosa "No Good Place for the Lonely", um blues como há muito não se ouvia: interpretado com garra, técnica e muito coração na ponta dos dedos. Uma canção dessas, ao vivo, certamente, causaria uma bela catarse.

A música que dá título ao disco, "Blues of the Desperation", começa com um slide de guitarra bem interessante, para partir, imediatamente, para uma canção redonda, enxuta, competente. Não é o destaque de um álbum tão bom, mas, não faz feio de forma alguma. A boa acústica "The Valley Runs Low" vale como um descanso merecido após tantos petardos. É bonita e muito bem executada. A agitadíssima "You Left me Nothin' but the Bill and the Blues" mostra que o blues ainda vive, sim, e muito bem, obrigado. Ah, e que guitarra maravilhosa no solo. Bonamassa é um mestre moderno.

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"Distant Lonesome Train" é a mais simples do disco, e, por isso mesmo, não possui muitos atrativos. Bem executada, mas, só isso, mostrando um pouco mais de punch apenas nos seus segundos finais. "How Deep this River Runs" é bem mais intensa, com um groove impressionante, onde a bateria se destaca bastante. A estonteante "Livin' Easy" tem corpo e alma cravados no Mississippi, e, pra quem gosta do estilo, é um deleite só. Um disco tão emblemático não poderia terminar de maneira diferente: "What I've Know for a Very Long Time" é mais um grande blues no repertório de Bonamassa, que ele precisa incluir no setlist de shows a partir de agora.

Sem dúvida, temos aqui o melhor disco do senhor Joe Bonamassa, que nos brinda com o trabalho mais coeso de toda a sua carreira. Unindo o blues a elementos mais modernos, e eletrificando sua guitarra ao máximo, ele conseguiu construir um som que referencia os grandes mestres do passado, mas, sem perder a energia do presente. Sofisticado até a última nota, "Blues of Deperation" já pode ser considerado um dos disco do ano. E, quanto ao blues como estilo? Vivo e forte, graças a lançamentos como este.

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