Gammoth: Nada soa forçado, prestidigitado ou exagerado
Resenha - Obliterate - Gammoth
Por Felipe Resende
Postado em 27 de agosto de 2016
Certo dia de Janeiro/Fevereiro deste ano, estava lá eu andando pelas ruas da minha cidade quando encontrei o Renato. Em uma conversa rápida, fiquei sabendo que ele agora fazia parte da Gammoth e estava em processo final de produção de um novo álbum chamado Obliterate. Confesso que acompanho muito pouco esta banda (ouvi poucas canções e cheguei a ver uma apresentação), mas resolvi desta vez acompanhar na integra este novo álbum. Confesso que me surpreendi com o que ouvi ao ponto de dedicar uma resenha (mesmo que sucinta) deste trabalho.
Em primeiro lugar, no campo extra-estético da obra, convém dizer que a produção do álbum está muito bem feita. Costuma-se reclamar MUITO em produções independentes tanto da má captação e mixagem dos instrumentos (baterias abafando totalmente as guitarras em certas partes, por exemplo) quanto até mesmo de sua pasteurização sonora, mas aqui temos um nível de limpidez muito bem trabalhado e uma nivelagem de volume e textura que não estragam o "mood" das canções.
Indo à esfera intra-estética, a primeira coisa que chama a atenção (após duas ou três escutadas no álbum) é o nível de expressividade que a banda conseguiu alcançar. Por expressividade aqui devemos levar em conta três fatores:
1 - nada soa forçado, prestidigitado ou exagerado na estrutura musical, nenhuma passagem é mais longa ou mais curta do que deveria ser;
2 - infelizmente não tive acesso às letras, mas apostando minhas fichas no lyric video de Obscure Inoculation (que discorre sobre um apocalise viral propagado pelo patógeno MERS e, em minha opinião, é a melhor do álbum), dá pra ver que a banda não apela para um liricismo sem sentido ou tosco. Temos nessa canção um senso de urgência, uma espécie de tato fílmico para a construção da desgraça (complementada pelos instrumentais e vocal) impecável.
3 - a timbragem escolhida para a bateria e principalmente para a guitarra casaram muito bem com os tipos dos riffs e com os vocais, contribuindo muito para o clima soturno e lúgubre das canções (exemplos principais: "Welcome to my Lair" e "Cinereous")
Em concomitância com essa expressividade temos um bom nível de originalidade que flui nas canções. Na primeira audição (que fiz de modo extremamente descompromissado, diga-se de passagem), confesso que achei o conteúdo repetitivo, mas na terceira audição percebi que não era de maneira nenhuma assim. Escute "Undepictable Embodiment of Chaos", por exemplo, e veja que a banda não tem medo de produzir um death metal - por assim dizer - lisérgico, cercado em certos momentos pela influência do arrasto sonoro do Black Sabbath (+- 3:20 min da canção, por ex.) e por dedilhados que lembram muito os praticados pelo Slayer lá pela fase season in the abyss (=- 4:20 min).
Muitas faixas são tão bem delineadas e ricas (até as mais frenéticas como "In bloodshed we will meet") que passam a impressão do esquema de repetição verso/ponte/refrão não existir (talvez algumas não o apresentem mesmo...); e têm passagens rítmicas costumeiramente instigantes.
Devo confessar que a última música, "Hydrofobia", parece destoar um pouco em termos de qualidade em comparação ao restante, mas isso não apaga o fato desta banda "do Leme" ter construído um álbum notável. A banda disponibilizou na íntegra o álbum no Spotify.
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