Gammoth: Nada soa forçado, prestidigitado ou exagerado
Resenha - Obliterate - Gammoth
Por Felipe Resende
Postado em 27 de agosto de 2016
Certo dia de Janeiro/Fevereiro deste ano, estava lá eu andando pelas ruas da minha cidade quando encontrei o Renato. Em uma conversa rápida, fiquei sabendo que ele agora fazia parte da Gammoth e estava em processo final de produção de um novo álbum chamado Obliterate. Confesso que acompanho muito pouco esta banda (ouvi poucas canções e cheguei a ver uma apresentação), mas resolvi desta vez acompanhar na integra este novo álbum. Confesso que me surpreendi com o que ouvi ao ponto de dedicar uma resenha (mesmo que sucinta) deste trabalho.
Em primeiro lugar, no campo extra-estético da obra, convém dizer que a produção do álbum está muito bem feita. Costuma-se reclamar MUITO em produções independentes tanto da má captação e mixagem dos instrumentos (baterias abafando totalmente as guitarras em certas partes, por exemplo) quanto até mesmo de sua pasteurização sonora, mas aqui temos um nível de limpidez muito bem trabalhado e uma nivelagem de volume e textura que não estragam o "mood" das canções.
Indo à esfera intra-estética, a primeira coisa que chama a atenção (após duas ou três escutadas no álbum) é o nível de expressividade que a banda conseguiu alcançar. Por expressividade aqui devemos levar em conta três fatores:
1 - nada soa forçado, prestidigitado ou exagerado na estrutura musical, nenhuma passagem é mais longa ou mais curta do que deveria ser;
2 - infelizmente não tive acesso às letras, mas apostando minhas fichas no lyric video de Obscure Inoculation (que discorre sobre um apocalise viral propagado pelo patógeno MERS e, em minha opinião, é a melhor do álbum), dá pra ver que a banda não apela para um liricismo sem sentido ou tosco. Temos nessa canção um senso de urgência, uma espécie de tato fílmico para a construção da desgraça (complementada pelos instrumentais e vocal) impecável.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
3 - a timbragem escolhida para a bateria e principalmente para a guitarra casaram muito bem com os tipos dos riffs e com os vocais, contribuindo muito para o clima soturno e lúgubre das canções (exemplos principais: "Welcome to my Lair" e "Cinereous")
Em concomitância com essa expressividade temos um bom nível de originalidade que flui nas canções. Na primeira audição (que fiz de modo extremamente descompromissado, diga-se de passagem), confesso que achei o conteúdo repetitivo, mas na terceira audição percebi que não era de maneira nenhuma assim. Escute "Undepictable Embodiment of Chaos", por exemplo, e veja que a banda não tem medo de produzir um death metal - por assim dizer - lisérgico, cercado em certos momentos pela influência do arrasto sonoro do Black Sabbath (+- 3:20 min da canção, por ex.) e por dedilhados que lembram muito os praticados pelo Slayer lá pela fase season in the abyss (=- 4:20 min).
Muitas faixas são tão bem delineadas e ricas (até as mais frenéticas como "In bloodshed we will meet") que passam a impressão do esquema de repetição verso/ponte/refrão não existir (talvez algumas não o apresentem mesmo...); e têm passagens rítmicas costumeiramente instigantes.
Devo confessar que a última música, "Hydrofobia", parece destoar um pouco em termos de qualidade em comparação ao restante, mas isso não apaga o fato desta banda "do Leme" ter construído um álbum notável. A banda disponibilizou na íntegra o álbum no Spotify.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Copa do Mundo do Rock: uma banda de cada país classificado, dos EUA ao Uzbequistão
A música pela qual Brian May gostaria que o Queen fosse lembrado
A melhor capa de disco, segundo Derrick Green, vocalista do Sepultura
A melhor música que Bruce Dickinson escreveu para o Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
Edu Falaschi comenta mudanças em sua voz: "Aquele Edu de 2001 não existe mais"
Paul Di'Anno tem novo álbum ao vivo anunciado, "Live Before Death"
A primeira música do Sepultura que Max Cavalera ouviu em uma estação de rádio
A música do Genesis que a banda, constrangida, talvez preferisse apagar da história
A melhor capa de disco de todos os tempos, segundo Vinnie Paul
Rockstadt Extreme Fest anuncia 81 bandas para maratona de 5 dias de shows
O cantor para quem Jimi Hendrix foi avisado para nunca mais tocar
Com ex-membros do Death, Left to Die anuncia álbum "Initium Mortis"
Edu Falaschi lembra emoção no show do Angra: "Acabou aquilo que sofri pra caralh*!"
O álbum do Iron Maiden eleito melhor disco britânico dos últimos 60 anos
O conselho da mãe que Roger Waters carregou pela vida inteira
A opinião de Prika Amaral (Nervosa) sobre o jornalista Regis Tadeu
A banda de heavy metal que mais ganhou dinheiro no mundo, segundo Regis Tadeu
As lendas da música que são gigantes lá fora e no Brasil floparam, segundo Regis Tadeu
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
Draconian - "In Somnolent Ruin" reafirma seu espaço de referência na música melancólica
Espera de quinze anos vale cada minuto de "Born To Kill", o novo disco do Social Distortion
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
"Operation Mindcrime III" - Geoff Tate revela a mente por trás do caos
O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
"Acústico MTV" do Capital Inicial: o álbum que redefiniu uma carreira e ampliou o alcance do rock
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes
