Eutenia: O Avenged Sevenfold brasileiro?
Resenha - Chymia II - Eutenia
Por Hugo Alves
Postado em 24 de abril de 2016
Lançado em 14 de Janeiro de 2016, o segundo EP da banda paulistana de Heavy Metal EUTENIA é de uma dualidade, no mínimo, interessante. Se por um lado, precisamos de novidades e de qualidade no cenário nacional, por outro, também precisamos de identidade. "Chymia II" conta com músicos de qualidade: Andre Navacinsk (vocal), Diego Inhof (guitarra e piano), Bruno Ricardi (guitarra), Armando Rocha (baixo e backing vocal) e Yuri Alexander (bateria). Não fosse a banda um time de peso suficiente para garantir qualidade no som que faz, ainda gravou no conhecido Mr. Som Studio, sob produção de dois nomes importantíssimos para o Rock/ Metal nacional: Marcelo Pompeu e Heros Trench. Mesmo que o leitor queira tirar suas próprias conclusões, só essas informações já garantem um disco muito bem produzido e delicioso de ouvir.
E, dada a qualidade técnica e até mesmo a musicalidade dos integrantes da banda, o disco levaria nota máxima, não fosse um fator intrigante: exceto pelas letras cantadas em Língua Portuguesa (ponto pra banda!), é como se eles fossem uma versão tupiniquim dos estadunidenses do AVENGED SEVENFOLD (algo entre os discos "City of Evil" de 2005 e "Avenged Sevenfold" de 2007). Desde os riffs, licks, passando pelo modo como o pedal duplo é usado, até chegar nas vozes - principalmente as vozes. Os drives de Andre Navacinsk, se passados para a Língua Inglesa, soam como se fossem cantados por M. Shadows, e a alternância entre os vocais principais e os backings lembram muito da interação entre Shadows e o falecido baterista Jimmy 'The Rev' Sullivan. Se soa forçado, lembremos pelo menos dos backings dos outros três integrantes, principalmente ao vivo. É incrível a semelhança.
Contando ainda com participações de Natalia Tolstikow Quinsan, Guilherme Chaves e o próprio Marcello Pompeu, capa de Gustavo Sazes e contracapa de Wesley Carlos, "Chymia II" passa longe de ser um disco ruim - pelo contrário, tem toda a força pra fazer um barulho gigante no Metal nacional e, quem sabe, até mesmo internacional. Discos com tal força são necessários numa cena Metal cada vez mais genérica. Mas, falando francamente, se os caras do EUTENIA esperam ser lembrados a médio e longo prazo, é necessário criar uma identidade própria e utilizar do que outras bandas já fizeram apenas como influências. Capacidade os caras tem, e é de sobra.
Track-list:
01. Cólera
02. Últimas Palavras
03. They Wanna Watch Me Fall
04. Vozes
05. Mil Pedaços (Apenas Um)
06. In Memoriam
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