Deathstars: Experiências Noturnas
Resenha - Night Electric Night - Deathstars
Por Vitor Sobreira
Postado em 23 de março de 2016
Se a sonoridade envolvente e audaciosa destes suecos tem o poder de atrair muitos ouvintes, também pode afugentar outros tantos desavisados, encorajados pelo visual 'suspeito', principalmente do vocalista, adotado neste terceiro 'full-length'... Se ainda não conhece, não sabe o que está perdendo!
Após o espetacular 'Termination Bliss' (2006) ter apresentado uma banda bastante sombria e pesada, 'Night Electric Night' não se distanciou destes recursos, contudo, desbravou influências Pop oitentistas, empregou um maior uso de melodias (o que deixou no ar a intenção de soarem ligeiramente mais 'acessíveis') e abusou da modernidade. Seria muito legal se tivessem optado por manter o toque de 'agressividade underground' em seu curioso Dark/Goth/Industrial Metal, ou se preferir ainda: Death Glam, mas de qualquer forma, ainda é um trabalho maravilhoso.
Segundo alguns integrantes, as composições foram criadas a partir de sentimentos e emoções pessoais de cada um, como por exemplo o suicídio do irmão de Nightmare Industries (o líder do Dissection, Jon Nödtveidt), além de 'experiências em uma grande metrópole a noite'. Vai saber o que esse pessoal passou! A capa e o título também sugerem algo, não?
O disco não conta com músicas ruins ou 'sem sal', e exprimem muito bem o que foi escrito acima, sendo que cada qual possui seu clima próprio, o que acaba ajudando a prender nossa atenção do começo ao fim, ainda mais. A produção manteve o nível de alta qualidade, exigido pela proposta musical exuberante e ambiciosa, juntamente com as performances de cada membro, que aliás, contaram com uma segunda guitarra (não tão necessária assim..), executada por 'Cat Cassino'.
A faixa que nomeia o álbum, 'Night Electric Night', apresenta peso e algumas curiosas levadas que podem remeter de longe a um Thrash Metal mais atual, enquanto que 'Opium' nos mostra a modernidade sombria de um Deathstars determinado e sem medo de inovações, além de ser dona de um ótimo refrão. 'Venus in Arms' e 'Death Dies Hard' já são mais melodiosas, e infelizmente podem causar um breve estranhamento devido as estruturas levemente mais 'açucaradas', mas que depois serão difíceis de se esquecerem. Enquanto isso, 'Via the End' e 'Arclight' seguem por caminhos mais sentimentais e carregados (mas não a ponto de tocar em uma maldita FM), e mostram uma variedade bem-vinda, e sem deixar o peso de lado.
Em suma, garanto que não será uma daquelas audições enfadonhas, regadas por faixas secas e que pouco nos apresentam, mas muito pelo contrário, é Deathstars pomposo, lúgubre e variado, querendo mostrar mais uma vez ao mundo que venceu as barreiras do Império Industrial. Apenas como observação, se os caras não tivessem se infiltrado na capa, a arte teria ficado muito melhor...
Se contamine também com este 'vírus'!
Line Up:
Whiplasher Bernadotte - Vocals
Nightmare Industries - Guitars & Effects
Bone W. Machine - Drums
Skinny Disco - Bass
Cat Cassino - Guitars
[Participação: Ann Ekberg - Backing Vocals]
Track List:
1. Chertograd
2. Night Electric Night
3. Death Dies Hard
4. Mark of the Gun
5. Via the End
6. Blood Stains Blondes
7. Babylon
8. The Fuel Ignites
9. Arclight
10. Venus in Arms
11. Opium
Lançamento: Janeiro/2009 - Nuclear Blast
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