Triumvirat: Sofisticação e requinte no Rock Progressivo
Resenha - Illusions on a Double Dimple - Triumvirat
Por Rafael Lemos
Postado em 10 de março de 2016
Nota: 10 ![]()
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Dois anos após o lançamento do primeiro álbum, "Mediterranean Tales", o Triumvirat passou por um processo de mudança em sua formação. O baixista Hans Pape, que também cantava em alguns trechos das músicas da banda, estava pouco entusiasmado em continuar fazendo parte do grupo e resolveu abandonar seus companheiros. Para o seu lugar, Fritz chamou o seu primo, o genial Helmut Köllen. Sua adesão elevou a qualidade da banda (que já era excelente) a um nível inimaginável dentro do Progressivo alemão. Köllen era multi-instrumentista, dono de uma voz belíssima e de uma criatividade singular. Essa formação com ele no baixo e vocal, Jürgen Fritz no órgão e piano e Hans Bathelt na bateria foi a mais longa da banda: durou dois álbuns. O Triumvirat passou por muitas mudanças em seus integrantes, provavelmente pelas exigências de Fritz, seu fundador. Aliás, as mudanças foi um dos maiores motivos que fez com que o grupo fosse perdendo a criatividade anos depois. Mas por enquanto o momento era de fecundidade: após tocarem em alguns festivais alemães no ano de 1973, como o que ocorre em Krefeld, no ano seguinte foi lançado um dos melhores trabalhos do Rock Progressivo e, na minha opinião, o mais completo e criativo disco da banda, "Illusions on a Double Dimple" – embora a maioria dos fãs apreciem mais o próximo lançamento, "Spartacus". "Illusions" inicia a trilogia conhecida como a "Trilogia do Rato", pois cada uma das capas dos três álbuns que a compõe contém esse animal.
"Illusions" foi o primeiro trabalho da banda a realmente fazer sucesso. A banda possuía, agora, a experiência de gravação em estúdio ("Mediterranean Tales", o disco anterior, foi gravado em três dias, enquanto "Illusions" teve a sua gravação realizada ao longo de quatro meses) e, com isso, puderam corrigir algumas imperfeições, sendo um álbum muito melhor produzido do que o anterior. O título faz referência a uma dose dupla de uma bebida alcoólica, sendo um trabalho conceitual que conta as glórias e derrotas na vida de um personagem, abordando o desejo capitalista de possuir mais e as suas consequências dessa vontade.
O disco é formado por duas suítes de mais de vinte minutos que, na realidade, se fundem para formarem uma música só. Cada uma dessas "duas" composições é dividida em seis partes distintas. Ambas são bem parecidas em sua estrutura, mesmo porque a ideia é que elas pareçam ser uma canção só.
A faixa título começa com um suave melodia de piano que serve como base para a bela voz de Köllen, em uma agradável linha vocálica. A harmonia entre piano e voz impressiona pela sua delicadeza. Em seguida, temos um momento de tensão causado por notas agudas do piano que serve como ponte para a entrada do órgão, da bateria e, curiosamente, de um dos raros momentos de guitarra na banda. Esse trecho inicial é de uma abstração musical impressionante que prende o ouvinte. A música vai evoluindo e se tornando mais complexa, com momentos sincopados e outros melodiosos, onde é impossível encontrar um destaque maior para um ou outro instrumento, dada à fusão perfeita entre eles.
A música seguinte, "Mister ten percent", também inicia com um piano, desta vez caótico e, então, a voz que ouvimos para acompanhar não é a de Köllen, mas a de Fritz, já conhecida por cantar no disco anterior, bastante rouca, em uma interpretação circense quando, de repente, entra Köllen contrastando com sua voz limpa. Aqui, o instrumento inusitado é o sax, em belíssimo solo. O desfecho dessa música é primoroso e merece honrarias, com backing vocals que se assemelham a anjos cantando.
Este álbum rendeu dois compactos: "Dancer’s delight/Timothy" e as edições editadas para rádio de "Dimplicity" e "Million dollars", que são duas partes das suítes.
A partir deste trabalho, se seguiriam vários shows por países europeus ao lado da banda Birth Control e, em um deles, estava Chans Daniel, da gravadora Capitol norte americana, que ficou entusiasmado com a performance do grupo e ajudou a divulgar a popularidade do Triumvirat pelos EUA. Assim, em setembro de 1974, embarcaram em uma extensa e bem sucedida tour por aquele país (a primeira deles, com 43 concertos) e "Illusions on a double dimple" entrou para o top dos 40 discos mais vendidos naquele país durante esse mesmo ano, fato ainda não conseguido por nenhuma banda alemã até aqueles tempos. Existe um bootleg com gravações dessa tour e também a do álbum seguinte chamado "Live tour 74-75", bastante raro.
O álbum "Illusions on a Double Dimple" é uma preciosidade de imensurável valor para a música, uma joia de rara beleza daqueles tempos onde a criatividade era o elemento mais importante dentro do Rock.
Tracklist:
01- Illusions on a Double Dimple
A- Flashback
B- Schooldays
C- Triangle
D- Illusions
E- Dimplicity
F- Last dance
02- Mister Ten Percent
A- Maze
B- Dawning
C- Bad deal
D- Roundabout
E- Lucky girl
F- Million dollars
Bonus:
03- Dancer’s delight
04- Timothy
05- Dimplicity (Edit)
06- Million dollars (Edit)
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