Easy Rider: A trilha mais rock and roll do cinema

Resenha - Easy Rider - Diversos

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Por Ricardo Seelig
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Um filme absolutamente rock and roll só poderia ter uma trilha sonora imperdível. É o caso de "Easy Rider", clássico do cinema dirigido pelo ator Dennis Hopper e que estreou nos cinemas em 14 de julho de 1969. A história dos dois motoqueiros que cruzam os Estados Unidos vivendo histórias surreais e encontrando pessoas mais singulares ainda tem uma das trilhas mais famosas do rock.

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A história por trás disso tudo é deliciosa. O editor Donn Cambern, que também era um grande colecionador de discos, quando estava montando o filme pesquisava músicas em sua própria coleção para ilustrar as cenas da película. Muitas das escolhas iniciais de Cambern acabaram sendo usadas na versão final do filme, gerando um custo de licenciamento superior a 1 milhão de dólares - mais do que o triplo do orçamento total do próprio filme, que custou apenas US$ 360 mil.

Quem também teve um papel importante nesse aspecto foi o trio Crosby, Stills e Nash. Hopper era amigo pessoal de David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash e apresentou o corte inicial do filme para os músicos, que ficaram encantados com o que viram - e ouviram - e garantiram ao diretor que ele não conseguiria fazer algo melhor do que já estava ali. A opinião dos três fez com que Dennis Hopper tivesse ainda mais certeza de que estava no caminho certo, tanto no aspecto cinematográfico quanto em relação à trilha.

Bob Dylan, já naquela época um dos maiores e mais respeitados músicos e compositores do rock, foi convidado para participar da trilha, mas não se empolgou muito com a ideia. Para não deixar os produtores na mão permitiu que uma de suas canções, “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)”, fosse utilizada na obra, porém em uma nova gravação de Roger McGuinn, dos Byrds. Além disso, escreveu o primeiro verso de uma letra até então inédita e deu aos produtores com a seguinte recomendação: “Entreguem isso a Roger, ele saberá o que fazer”. O rascunho de Dylan acabou se transformando em “Ballad of Easy Rider” pelas mãos de McGuinn, uma das músicas mais emblemáticas do final da década de 1960.

O LP com a trilha do filme chegou às lojas em agosto de 1969 pela Dunhill, selo da Reprise Records, subsidiária da Warner. Com apenas dez faixas, sendo cinco de cada lado, o disco é o retrato literal de uma época. Todas as faixas aparecem no álbum na mesma ordem em que surgem na tela, tornando a experiência de ouvir a bolacha ainda mais forte e próxima do filme de Dennis Hopper.

O Steppenwolf dá o pontapé inicial com duas composições que se tornariam eternas. “The Pusher” é um blues nada convencional que classifica como traficantes de drogas apenas aqueles que vendem maconha e como “empurradores”- o “pusher” do título - aqueles que comercializam heroína, “um monstro que não se importa se o usuário vai viver ou morrer”.

A sequência se dá com o hino “Born to Be Wild”, que a partir da sua inclusão em "Easy Rider" se transformou em um dos maiores clássicos do rock, com literalmente milhares de versões gravadas ao longo das décadas. Uma das músicas mais famosas da história, “Born to Be Wild” virou sinônimo de liberdade e passou a ser associada com a cultura do motociclismo, relação essa que só se intensificou no decorrer dos anos.

O play segue com a curiosa versão de Smith para “The Weight”, faixa originalmente gravada pela The Band e que, por motivos contratuais, não pode ser incluída no disco com a trilha. No entanto, é a gravação original da própria The Band que aparece no filme. Por essa razão, a releitura de Smith é propositalmente bastante similar à original. “Wasn’t Born to Follow”, composição lançada pelo The Byrds em "The Notorious Byrd Brothers" (1968), comparece em seguida, assim como a hilária “If You Want to Be a Bird”, do The Holy Modal Rounders, que fecha o lado A do LP.

Virando o disco temos o Fraternity of Man com a ótima “Don’t Bogart Me”, um country sensacional típico de um boteco de beira de estrada norte-americano. A psicodélica “If 6 Was 9”, faixa de "Axis: Bold as Love", é a contribuição de Jimi Hendrix para a trilha, e acentua o clima multicolorido e entorpecido. Essa sensação, é claro, fica ainda mais clara com “Kyrie Elelson (Mass in F Minor)”, do Electric Prunes, cujo destaque são os celestiais vocais.

O álbum se encerra com uma dose dupla de Roger McGuinn: as excelentes “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)” e “Ballad of Easy Rider”, acústicas e paridas a partir da mente privilegiada de Bob Dylan. Um fechamento perfeito para uma das jornadas sonoras mais fortes do cinema.

Duas faixas que aparecem em "Easy Rider" acabaram ficando de fora da trilha por questões contratuais. São elas “Let’s Turkey Trot”, da cantora norte-americana Little Eva, e “Flash, Bam, Pow”, do Electric Flag.

O LP se tornou um item cobiçado pelos colecionadores, não pela sua raridade - afinal, devido ao sucesso alcançado o disco foi relançado diversas vezes ao longo dos anos e sempre foi relativamente fácil de ser encontrado nas lojas -, mas sim pela qualidade de suas faixas e pelo significado histórico que a trilha possui.

Em 2004, a Warner colocou no mercado uma deluxe edition dupla, com um segundo CD intitulado "Something in the Air 1967 to 1969" trazendo 19 faixas que retratam o período mas não estão, necessariamente, no filme, incluindo a versão original de “The Weight”, da The Band, e músicas de grupos como Jefferson Airplane, The Who, Procol Harum, Blue Cheer e outros. Essa edição ainda está em catálogo, e é possível encontrá-la pesquisando um pouco.

Seja pelo aspecto histórico ou pela qualidade de suas faixas, a trilha de "Easy Rider" é um disco fundamental em qualquer coleção de rock. Suas faixas mais conhecidas se transformaram em hinos, e as composições menos famosas são verdadeiras pérolas que retraram com precisão o espírito de uma época.

Se você ainda não tem, já passou da hora de adquirir uma cópia.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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