David Bowie: "Blackstar" é uma despedida muito forte
Resenha - Blackstar - David Bowie
Por Ricardo Seelig
Postado em 10 de fevereiro de 2016
Analisar um disco de David Bowie é, por si só, uma tarefa complexa. O artista inglês, extremamente inovador e com um gosto eterno pela experimentação, sempre buscou caminhos originais e cheios de desafios em todos os álbuns que gravou. No entanto, resenhar "Blackstar", novo trabalho de Bowie, após a morte do cantor, torna tudo ainda mais difícil.
Sucessor do ótimo "The Next Day" (2013), "Blackstar" é o vigésimo-sexto e derradeiro disco da carreira de David Bowie. Produzindo pelo próprio e por Tony Visconti, o álbum contém sete faixas que trazem David acompanhado por uma banda formada inteiramente por músicos de jazz - Donny McCaslin (flauta, saxofone e demais instrumentos de sopro), Ben Monder (guitarra), Jason Lindner (piano, órgão e teclado), Tim Lefebvre (baixo) e Mark Guiliana (bateria). O álbum foi lançado no dia 8 de janeiro, dois dias antes da morte de Bowie, e veio precedido pelos vídeos da faixa-título e de "Lazarus".
O background jazzístico da banda e a personalidade inquieta de Bowie geraram um trabalho naturalmente experimental. É o rock bebendo na sofisticação e na liberdade do jazz, pegando no gênero um passaporte para trilhar caminhos e estruturas que fogem do convencional. Tudo isso, devidamente costurado pela imensa capacidade de David Bowie de tornar a mais estranha das composições naturalmente audível e atraente. Assim, mesmo que naturalmente denso e sombrio (principalmente nas letras), "Blackstar" acaba se revelando um álbum que desce naturalmente aos ouvidos familiarizados com as harmonias e soluções rítmicas plurais do jazz, distantes do onipresente quatro por quatro do rock and roll.
A música que batiza o disco abre o álbum em uma suíte dividida em duas partes distintas. A primeira, com quase cinco minutos de duração, conta com um arranjo desarmônico e serve de base para a poesia de Bowie. Já a segunda traz a canção para um ponto mais habitual e confortável, e nela David expõe a sua carta de intenções: "I'm not a rockstar, I’m a not a filmstar, I’m not a pornstar, I’m a blackstar".
"Lazarus", o segundo single do trabalho, funciona também como uma canção de despedida de David Bowie endereçada aos seus milhões de fãs em todo o mundo, e traz a frase "olhe para cima, estou no céu", cantada pelo inglês como que confortando seus admiradores, amigos e familiares. Este mesmo sentimento de despedida pode ser aplicado na interpretação de "Girl Loves Me", com Bowie dando adeus para sua esposa Iman, companheira de 23 anos. E, como que repassando sua vida, Bowie encerra o disco declarando que não pode dar tudo em "I Can’t Give Everything Away", frase que nós, seus fãs, respondemos em uníssono: você nos deu muito mais do que poderíamos sonhar, David.
"Blackstar" é um álbum diferente de "The Next Day", assim como todos os trabalhos de David Bowie possuem sua própria personalidade e são distintos entre si. A comoção gerada pela sua morte, naturalmente, influenciará a recepção que o disco receberá do público e da crítica, mas o fato é que "Blackstar" é uma despedida muito forte, um grande trabalho que fecha com maestria uma das mais consistentes, inovadoras e influentes trajetórias da história do rock.
Obrigado por tudo, David. Vá em paz, Bowie. O que você deixou neste mundo nos acompanhará durante toda a vida.
Outras resenhas de Blackstar - David Bowie
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Korzus anuncia nova formação, com Jéssica Falchi e Jean Patton nas guitarras
Jéssica Falchi sobre entrar no Korzus: "Existe abismo de diferença entre ser vista e respeitada"
Guns N' Roses - Resenha do show em Porto Alegre
Wolfgang Van Halen toca cover de Rick Astley, seguidores chiam e ele responde com categoria
Bo Lueders, guitarrista e membro fundador do Harm's Way, morre aos 39 anos
Alissa White-Gluz fala sobre "Black Widow's Web" do Angra e reação ao conhecer Sandy
Yes suspende atividades e Steve Howe passará por cirurgia de emergência
O disco que define o metal, na opinião de Amy Lee, vocalista do Evanescence
A opinião de Regis Tadeu sobre polêmica do Arch Enemy e Kiko Loureiro: "Virou paranoia"
O melhor álbum de metal de todos os tempos, segundo Gary Holt do Exodus
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
Jéssica Falchi comenta sua entrada no Korzus; "É muito especial contribuir nesta nova fase"
A música do Metallica que lembra King Crimson, segundo David Ellefson
Daniel Erlandsson diz que retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy não daria certo
David Ellefson diz que "Master of Puppets" foi o primeiro disco de metal progressivo
Mick Jagger: a surpreendente banda Punk favorita do cantor
Lars Ulrich comenta desabafo que James Hetfield fez durante show no Brasil
O significado de "Não diga que a canção está perdida" em "Tente Outra Vez", de Raul Seixas


O cara que, com David Bowie, fazia a dupla ser como Axl Rose e Slash
A lenda do rock que Axl "queria matar", mas depois descobriu que era tão ferrado quanto ele
O artista que The Edge colocou ao lado dos Beatles; "mudou o rumo da música"
O músico que seria salvo pelo The Who, ficou a ver navios e David Bowie o tirou da lama
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



