Gallo Azhuu: Sonzeira heavy rock em segundo álbum
Resenha - Totem - Gallo Azhuu
Por Fabio Xavier
Postado em 29 de janeiro de 2016
O quarteto maranhense que traz Patrick Abreu nos vocais & guitarra, Ruan Cruz nos teclados (também na guitarra & violões), Rafael Almeida no baixo e Denis Carlos na bateria, a banda de Heavy Rock "GALLO AZHUU", com certeza é mais uma daquelas ótimas bandas que tem tudo pra estourar na cena.
O que faz bandas como esta se tornarem uma grande promessa do Rock nacional?
Som cheio de atitude e inspirado em bandas veteranas dos anos 70.
Músicas autorais e no nosso idioma (exceto a faixa "I Feel Free" que é cantada em inglês) com letras sarcásticas e bem humoradas;
"TOTEM" é o segundo álbum de inéditas do GALLO AZHUU e, assim como no trabalho de estréia (que leva o nome da banda), os caras fazem um sonzaço bem característico dos anos 70, na época em que as palavras mágicas "sexo, drogas & rock ‘n roll" estavam explicitamente impressas e audíveis nas letras das músicas ao som de um belo "Blues Rock" ou "Heavy Rock" à la BLUE ÖYSTER CULT, BLACK SABBATH, LED ZEPPELIN e ZZ TOP.
O álbum TOTEM traz a mesma temática, além da psicodelia e a bebedeira descontrolada bem ao estilo do AC/DC em 10 maravilhosas faixas, que te levam de volta às raízes do Rock pesado em seus pouco mais de 35 minutos de audição pra lá de prazerosa. Impossível você ouvir esse disco uma vez só, logo de cara!
O CD inteiro é bem legal, não é do tipo que tem uma faixa boa aqui ou ali, a começar pela excelente "Baile De Búfalo", que com certeza faz a gente viajar mentalmente pelas estradas da rota 66 em cima de uma Harley Davidson envenenada, com riffs e solos que nos remetem ao som de lendas do Rock como a banda canadense STEPPENWOLF e os barbudos texanos do ZZ TOP. Esta faixa é o carro-chefe desse novo trabalho do quarteto.
O cheiro da estrada deserta, da fumaça saindo dos escapamentos e o ronco dos motores continuam em outras ótimas faixas como "Pássaro Feio" e "Coiote Negro", e esta última abre com um lindo solo de guitarra e traz também riffs bem característicos e bastante inspirados no que ainda fazem a dupla Billy Gibbons & Dusty Hill (do ZZ TOP).
Outra faixa que representa muito bem o que eu citei acima é a instrumental "Valkíria", que vem carregada de riffs e solos sensacionais e que nos remete aos famosos rachas entre motociclistas dos filmes americanos. "Raio da montanha", que também é instrumental nos apresenta boas passagens, com bons solos semi-acústicos, e sem deixar os riffs e bordoadas "drum beats" de lado.
As demais faixas mantém de forma certeira a sonoridade e temática que dão identidade à banda, sem deixar a peteca cair, como é o caso da "Paralaxe" (faixa 05) que mais do que nunca traz toda a influência e essência sonora do ZZ TOP com riffs e solos de guitarra inspirados na própria banda, acompanhados por "grooves" (levadas) certeiros e um espancamento "sem dó nem piedade" dos bumbos e dos pratos do kit do batera Denis Carlos. Ótimo baterista!
"Uma mulher para amar" define de uma vez por todas o estilo do GALLO AZHUU, com todo o humor e sarcasmo, e a pegada rock "blueseira" mais uma vez fincada e enraizda nos anos 70. Ponto para o quarteto que reproduz muito bem o clima transitório entre o classic rock e o heavy rock (ou blues rock) da época, de maneira que soe estilo "clássico do futuro" e não soe datado.
"I Feel Free" surpreende pelos riffs, solos, e o famoso "groove" na batera, pois os caras conseguiram usar as bases sonoras, tanto na guitarra, quanto na bateria, muito próximas do que era considerado até um padrão, no início dos anos 70, ou seja, vem influências de bandas como AC/DC, o ZZ TOP (que eu já citei) e também o MOTÖRHEAD por aí, ou seja, um heavy rock regado à doses garrafais de whisky, sempre presente nas turnês (estilo de vida das bandas daquela época).
"Labrador" já tem uma pegada bem "LED ZEPPELINIANA", com suas passagens, diga-se de passagem, "ótimas" passagens quebradas e absurdamente técnicas.
O álbum TOTEM encerra com chave de ouro com a faixa "Bruxa", que é um "apanhado" de toda a sonoridade das faixas anteriores, e também é perceptível que a banda quis dar o melhor de si na hora de executá-la, fechando esse sensacional full-length.
Excelente banda, bons músicos, instrumentos sempre afinados, e destaque também para o vocalista Patrick Abreu, que tem bons vocais mezzo "guturais", mezzo "berrados", mezzo "arrastados" bem ao estilo do Lemmy do MOTÖRHEAD, não porque há semelhanças entre os vocais, mas pelo estilo bem particular de cantar, do tipo que você reconhece a voz do cara, esteja onde estiver, a quilômetros de distância, e é isso que importa, são vocais marcantes.
Vale muito a pena ir atrás desse novo trabalho do GALLO AZHUU e guardar em sua coleção, resta agora torcer para que os caras consigam repetir essa "sonzeira" heavy rock nos próximos álbuns e nunca deixar de lado esse espírito rock n’ roll das motocicletas, das correntes e do asfalto.
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