Nad Sylvan: Courting the Widow soa como o velho Genesis anos 70
Resenha - Courting the Widow - Nad Sylvan
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 16 de novembro de 2015
Nota: 8 ![]()
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Não muitos músicos experimentam a emoção de conhecer seus ídolos e influências e muitos menos logram tocar com suas inspirações. Imagine a emoção de Nad Sylvan, quando Steve Hackett ligou pra ele em abril de 2012, convidando-o para cantar em três faixas de Genesis Revisited II, onde o guitarrista regravou faixas de sua clássica ex-banda prog. A colaboração foi mais além e Sylvan viajou o mundo em shows com Mestre Hackett.
O parentesco vocal com Peter Gabriel e Phil Collins deve ter pesado deveras o convite. Fã confesso do Genesis, à semelhança vocal some-se forte influência sonora, ambas presentes no álbum Courting the Widow, trabalho solo de Nad Sylvan, lançado em outubro. A maior parte do álbum pode ser descrita como uma banda prog em fins dos 70’s homenageando o Genesis. Basta escutar a abertura midtempo de Carry Me Home para ser transportado à época do lançamento de Duke. A voz do norte-americano criado na Suécia certamente causará a mesma celeuma entre fãs genesianos, quando a enxurrada de grupos Neo Prog de outrora emulava o cantar de Gabriel/Collins. Cópia ou acaso de semelhança, é preciso algum tempo para se acostumar, porque a comparação (desfavorável para Sylvan) é inevitável.
Os teclados são puro Tony Banks; atente para aquele som assobiado das teclas na faixa-título. As guitarras são maciçamente Hackett; confira os 9:41 sublimes minutos de Echoes of Ekwabet, com solos de flauta e guitarra capazes de emocionar montanhas. Ponto everéstico de Courting the Widow; saudosistas do Genesis progressivo chorarão.
Há até uma tentativa de Supper’s Ready. To Turn the Other Side é uma suíte de mais de 22 minutos, cheia de mudanças de ritmo e tempo, instrumentação variada, epítome do prog sinfônico. Mas, jamais consegue elevar-se ao patamar de Echoes of Ekwabet. Canções quilométricas como Close to the Edge, do Yes; Remember the Future, do Nektar e, claro, Supper’s Ready conquistam o interesse logo no início. To Turn the Other Side não, e jamais ultrapassa o nível de boa. Arrepia imaginar o que Nad teria conseguido se tivesse recheado a melodia superior de Echoes e fizesse dela o épico do álbum.
Nas 4 canções finais a sombra genesiana é menos evidente e Sylvan exerce um prog ainda setentista, mas mais genérico no bom sentido. Ship’s Cat é uma fofura que conquistará gateiros e a derradeira Long Slow Crash Landing abre como marcha de bolero raveliano para incorporar a guitarra de Mestre Hackett em pessoa, costurando com elegância pela faixa sisuda.
Courting the Widow suscitará amores e ódios: será visto como homenagem ou usarão o velho clichê "melhor álbum que o Genesis não fez", será acusado de cópia barata. Muito mais homenagem que cópia, Sylvan deveria trazer sorrisos aos fãs de Genesis por vermos o legado ainda importando, 40 anos depois do período que mais influencia o álbum.
Tracklist
1. Carry Me Home
2. Courting The Widow
3. Echoes Of Ekwabet
4. To Turn The Other Side
5. Ship´s Cat
6. The Killing Of The Calm
7. Where The Martyr Carved His Name
8. Long Slow Crash Landing
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