Cartoon: Um produto impecável do rock nacional

Resenha - Unbeatable - Cartoon

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Por Victor de Andrade Lopes, Fonte: Sinfonia de Ideias
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Rompendo com o passado meio psicodélico, meio progressivo, o quarteto mineiro Cartoon lança Unbeatable, um álbum de rock setentista "puro", que nos transporta para os tempos em que nossa seleção era apenas tri. Esse rompimento foi menos abrupto do que parece, pois o terceiro disco do grupo, Estribo, já dava sinais de uma intenção de ampliar a gama de estilos.

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"Down on the Road Ahead" foi uma boa escolha para abrir um disco com esta proposta, pois traz um trabalho instrumental e uma letra bem clichês de um hard rock de estrada. "The Golden Chariot" já fica mais próxima do passado folk/progressivo do grupo, fazendo-nos lembrar de Yes e Jethro Tull. Segue o mesmo caminho a ótima "Lazarus' Feet".

O trabalho do vocalista Khadhu Capanema em "Until I Found You" nos faz lembrar de Vince Neil em suas baladas mais emotivas com o Mötley Crüe. O instrumental "Bridge to Nowhere" revive o lado zoeira da banda,. Com pouco mais de um minuto de duração e sem emendar com nenhuma outra faixa, é exatamente aquilo que o título sugere: uma "ponte para lugar nenhum".

"No Coming Back" tem um quê de Nando Reis. Lembra rock brasileiro em geral, mas ela nos remete especificamente à faixa "Lamento Realengo", de seu último álbum Sei. A surpresa do lançamento fica com a faixa de encerramento "On the Judgment Day", com uma pegada mais indie que destoa da roupagem setentista do disco, mas não de sua proposta multivertentes.

O legal de Unbeatable é isso: a cada faixa, você automaticamente lembrará das lendas que fizeram dos anos 1970 a década mais gloriosa do rock. O curioso é que o banda não fica espalhando aos quatro ventos que está resgatando os tempos gloriosos, salvando o rock nacional, nada disso. E faz um som convincente - ao passo que conjuntos que ficam insistindo nessa tecla costumam soar forçados.

Conta pontos para o Cartoon também a habilidade de cada um de seus membros. A começar pelo vocalista e baixista Khadhu, que distingue a banda de tantas outras do rock nacional. Ainda é relativamente raro encontrar um vocal forte, inspirado e que domina o inglês o suficiente para saber a diferença entre pronunciar "sad" e "said". Com as quatro cordas, demonstra tanta habilidade quanto com suas cordas vocais. Seu irmão, Bhydhu, não faz menos bonito na bateria.

Crucial para a banda é o tecladista Raphael Rocha, que dá o toque indispensável para quem quer adotar um som setentista. E o quarteto é coroado por Khykho Garcia, o homem das guitarras, que traz todas as habilidades que se espera de um setentista. E, com suas contribuições nos vocais em duas das faixas, ele faz com que o Cartoon imite as grandes bandas de rock também no quesito "não ter o vocalista principal cantando tudo 100% sozinho".

Um produto impecável do rock nacional, que talvez deixará alguns fãs com uma sobrancelha levantada pelo rompimento com o rock psico-progressivo de antes. É louvável também que o álbum tenha recebido patrocínio da prefeitura de Belo Horizonte, sinalizando que nem todas as políticas de incentivo a cultura no Brasil focam apenas nas bobagens midiáticas - e olha que o Cartoon nem sequer canta em português.

Abaixo, o vídeo de "Down on the Road Ahead":

Track-list:
1. "Down on the Road Ahead"
2. "The Golden Chariot"
3. "Until I found you"
4. "She"
5. "Bridge to Nowhere"
6. "Promises"
7. "Lazarus' Feet"
8. "No Coming Back"
9. "Time is Running"
10. "On the Judgement Day"


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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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