Cannibal Corpse: Os 24 anos sangrentos de "Butchered at Birth"

Resenha - Butchered at Birth - Cannibal Corpse

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Por David Torres
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Quando se fala em Death Metal, é praticamente impossível de não se lembrar do Cannibal Corpse. Oriundos de Buffalo, Nova York (EUA), o grupo consolidou o seu nome na história da música extrema mundial e é, indubitavelmente, uma das bandas mais bem sucedidas comercialmente não apenas do cenário Death Metal norte americano, mas em âmbito mundial. Resumidamente, a banda foi fundada em meados de 1988, lançou uma aclamada "demo" batizada apenas com o seu nome no ano seguinte, seguida de um álbum de estreia completamente esmagador em agosto de 1990. Em 1991, o quinteto retornou ao estúdio para conceber mais um trabalho infame, cruel e sensacional, o clássico "Butchered at Birth". Lançado em 29 de junho de 1991, através da gravadora Metal Blade e contando novamente com a produção do experiente Scott Burns (Obituary, Sepultura, Terrorizer), esse segundo álbum de estúdio foi uma evolução perfeitamente natural e monstruosa para a banda. É um disco muito mais pesado e grotesco do que o já avassalador "debut" "Eaten Back to Life" e apresenta uma sonoridade ainda mais crua, veloz e suja, ainda mais direta e brutal. Hoje, essa obra selvagem e mutiladora completa o seu 24° aniversário e a seguir, iremos dissecar esse trabalho sanguinolento.

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Impossível citar um trabalho da banda sem mencionar as polêmicas ilustrações de capa, não é mesmo? Desde o lançamento do primeiro álbum, o grupo conta com as artes grotescas e geniais do artista norte americano Vincent Locke, ilustrador talentosíssimo que já concebeu trabalhos para bandas como Coffins e Ditchcreeper, além de ter produzido diversos trabalhos para os quadrinhos, tais como Batman, Witchblade e Sandman. A capa de "Butchered at Birth" é certamente uma das capas mais icônicas do Death Metal, assim como a do disco sucessor, o igualmente clássico "Tomb of the Mutilated" (1992). Para variar, essa ilustração foi censurada por cerca de três anos. As primeiras prensagens foram revestidas em papel de embrulho branco e carimbadas em tinta vermelha com o nome e o título do álbum da banda.

Uma sinistra introdução similar a de "Hell Awaits", do Slayer, construída com base em um verdadeiro emaranhado de guitarras distorcidas simulando o som de uma motosserra enquanto o vocalista Chris Barnes profere uma voz grotescamente macabra ao fundo abre caminho para os "riffs" impiedosos da faixa de abertura, "Meat Hook Sodomy". As seis cordas cortantes de Jack Owen e Bob Rusay, aliadas a bateria moedora de ossos de Paul Mazurkiewicz soam como britadeiras que perfuram o seu crânio e os seus ouvidos violentamente. Os vocais de Chris Barnes, por sua vez, estão ainda mais guturais e brutais do que no "debut" de 1990. Palhetadas certeiras, mudanças de andamento insanas e viradas de bateria aniquiladoras são alguns destaques dessa monstruosa faixa de abertura. Os "riffs" de "Gutted" rasgam os alto-falantes e iniciam a mortal segunda faixa do disco, que por sinal, é um dos grandes destaques do disco e certamente a faixa mais lembrada desse trabalho também. Mantendo sempre a temática "gore" e "splatter" em alta, Chris Barnes e Cia. cometem mais um massacre sonoro que não decepciona.

"Living Dissection" não deixa por menos e martela os nossos ouvidos ferozmente. Aqui nós temos mais uma vez um formidável trabalho de bateria, "riffs" brutalmente sujos, guturais arrasadores e solos insanamente agudos, curtos e velozes, visivelmente influenciados pelos solos do Slayer. Em seguida é a vez de "Under the Rotted Flesh" que abre com uma levada frenética de bateria e "riffs" viciantes e implacáveis. Dementes alterações rítmicas que impulsionam o ouvinte a "banguear" intensamente também fazem parte desse banquete musical canibalesco. Outra composição cujo qualquer elogio acaba sendo pouco para descrevê-la. O "riff" Death/Thrash cadenciado da excelente "Covered with Sores" ecoa pelos alto-falantes e rapidamente recebemos mais uma grandiosa pancadaria. Outro ponto alto do disco! As guitarras de Jack Owen e Bob Rusay abrem a ótima "Vomit the Soul". A banda não perde a mão e tritura nossos tímpanos com mais uma chuva torrencial de "riffs" rispidamente sujos, além de uma "performance" bestial de bateria e guturais vomitados de maneira completamente selvagem e sem qualquer misericórdia. Destaque para a participação de um grande convidado: Glen Benton (Deicide), que faz um insano vocal de apoio. Vale lembrar que Benton já havia realizado uma pequena participação especial em duas faixas do álbum anterior da banda.

A faixa título, "Butchered at Birth", prossegue com esse segundo trabalho de estúdio e mais uma vez promove um verdadeiro esquartejamento sonoro, com seu andamento pesadíssimo e intenso. A carnificina continua com a veloz "Rancid Amputation". A essa altura, nossos ouvidos já estão completamente esmagados e estropiados pelo massacre promovido pelo quinteto. "Innards Decay" é a última chacina cometida pelos músicos e encerra esse brutal registro de estúdio trazendo guitarras violentamente alucinantes, além de uma bateria arrasadora do início ao fim.

Dono de uma reputação tão infame quanto o seu conteúdo, "Butchered at Birth" é indiscutivelmente um clássico não apenas da banda, mas do gênero. Um legítimo arregaço sonoro de alta destruição e merece ser ouvido por todos os apreciadores não apenas de Death Metal ou da banda, mas de Metal Extremo como um todo.

Escrito por David Torres

01. Meat Hook Sodomy
02. Gutted
03. Living Dissection
04. Under the Rotted Flesh
05. Covered with Sores
06. Vomit the Soul
07. Butchered at Birth
08. Rancid Amputation
09. Innards Decay

Chris Barnes (Vocal)
Alex Webster (Baixo)
Paul Mazurkiewicz (Bateria)
Jack Owen (Guitarra)
Bob Rusay (Guitarra)
Músico Convidado:
Glen Benton ("Backing Vocals" na faixa "Vomit the Soul")



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Sobre David Torres

Moderador e criador nas páginas Mundo Metal e The Old Thrash Metal, tem como estilo predileto o bom e velho Thrash Metal e procura sempre conhecer mais e mais acerca do estilo, assim como do Rock/Metal como um todo e as suas mais variadas vertentes e subgêneros.

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