Blur: Voltando às origens e amadurecendo sem deixar de renovar

Resenha - Magic Whip - Blur

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Por Célio Azevedo
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em "The Magic Whip", a banda Blur volta às origens, porém de maneira amadurecida, e sem deixar de inovar. Mesmo estando há 12 anos sem lançar um trabalho de inéditas, o quarteto não perdeu a sua criatividade genial na hora de compor.

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Iniciando em "Lonesome Street", o ritmo dançante marca a canção do início ao fim. Com uma letra simples e melódica. Um refrão pop, mostrando o quanto eles ainda sabem produzir uma música comercial sem perder a qualidade. Claramente uma releitura do 'Modern Life is Rubbish'. O que dizer de uma música que até um "Oasis" a classificou como a melhor do ano?

Em "New World Towers" possui muita influência do novo disco solo de Damon Albarn, com destaque para o ar psicodélico que a música passa, com suas batidas africanas. A visão de um mundo pós-moderno, em reconstrução de identidade.

Na música de trabalho "Go Out" é simplesmente o Blur sendo Blur, com guitarras solos que lembram a conhecida "Coffee and Tv", do álbum '13', um tanto diferente de "Ice Cream Man", que conta a história de um "homem-sorvete", meio que relembra também a história do videoclipe da mesma "Coffee and Tv", com a caixinha de leite. Em "Thought I Was a Spaceman" é uma balada com uma certa pitada de música eletrônica, e que poderia facilmente ter entrado na discografia solo de Damon Albarn.

O rock alternativo dançante de "I Broadcast" coloca o tom de diversão que a discografia do Blur tem de melhor em músicas como "Song 2" e "Bugman", e o ritmo cadenciado retorna em "My Terracotta Heart", uma balada romântica épica que com certeza entraria num cd de melhores da banda. Falando do mundo hoje e das questões enfrentadas por todos nós, "There Are Too Many of Us" tem um belo arranjo e uma letra bem filosófica (There are too many of us/ That's plain to see/ We all believe in praying/ For our immortality/ We've posed these questions to our children/ Across the mountain stream/ And live in tiny houses/ Of the same mistakes we've made).

"Ghost Ship" traz uma banda calma, e isso demonstra o amadurecimento da mesma com a superação das brigas do passado entre Graham Coxon e Damon Albarn. Na belíssima faixa, "Pyongyang" trata da solitude como uma coisa boa. Em como o individualismo pode ser benéfico, sem este ser egoísta. Bem uma crítica à ditadura coletivista da comunista Coréia do Norte, onde há a "morte espiritual do indivíduo". A animada "Ong Ong" relembra as épocas animadas do 'Parklife'. E a espetacular "Mirrorball" fecha o trabalho com uma melodia progressiva e uma letra reflexiva.

Tracklist:

1 - "Lonesome Street"
2 - "New World Towers"
3 - "Go Out"
4 - "Ice Cream Man"
5 - "Thought I Was a Spaceman"
6 - "I Broadcast"
7 - "My Terracotta Heart"
8 - "There Are Too Many of Us"
9 - "Ghost Ship"
10 - "Pyongyang"
11 - "Ong Ong"
12 - "Mirrorball"


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Sobre Célio Azevedo

Nascido no Rio de Janeiro, Célio Azevedo é jornalista, músico, compositor e escritor. Apaixonado por heavy metal, apreciador de rock alternativo. Desde 1997, através de bandas como Blur, Silverchair, Sonic Youth, Helloween e Iron Maiden, foi inspirado em diversos estilos musicais para desenvolver o seu próprio. Analisa a realidade política nacional e internacional sob uma perspectiva conservadora. É autor de "A Cobertura do JB e do Globo da Queda do Muro de Berlim (1989) e do Fim da URSS (1991)", "Manuscritos Poéticos" e "Java para todos". Também lançou dois álbuns de estúdio: "2012" e "Mr. Fusion", ambos sob plataforma digital.

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