Paramore: Um bom álbum mas não é o momento mais brilhante deles
Resenha - Brand New Eyes - Paramore
Por Giales Pontes
Postado em 18 de maio de 2015
Nota: 8 ![]()
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Após a bem-sucedida estréia com o ótimo ‘All We Know Is Falling’ (2005) e o acachapante sucesso comercial do já clássico ‘Riot!’ (2007), a garotada do Paramore voltou à carga com ‘Brand New Eyes’ (2009), trazendo boas composições e provando de uma vez por todas que eles não eram apenas mais uma simples bandinha da moda.
É bem verdade que aqui o lado pop da banda, que já era bastante evidente nos dois lançamentos anteriores, aflorou com muito mais força. O que certamente serviu para dar munição aos sempre presentes detratores de plantão. Mas convenhamos, negar a enorme capacidade da banda de criar temas cativantes, cheios de letras simples e sinceras, é no mínimo, fechar os olhos (e os ouvidos) para o óbvio. Quem duvidar, que ouça a faixa de abertura ’Careful’, uma espécie de poppy/punk/alternativo que traz a sonoridade que se tornou marca registrada desta banda. ‘Ignorance’ também é muito simpática, mostrando um ótimo instrumental e uma boa dose de ironia em sua letra.
Se há algo comum de se esperar quando alguém escreve sobre uma banda como o Paramore, esse algo são as críticas negativas. Afinal, é fato que nos meios roqueiros normalmente a porção mais radical dos fãs adota uma postura intransigente e preconceituosa contra qualquer coisa que chegue ao ‘mainstream’. Mas existe um detalhe que pouca gente observa acerca do Paramore: a incrível qualidade técnica de seus músicos, mesmo ainda tão jovens na época desse lançamento. Não que os irmãos Josh e Zac Farro mais os vários baixistas e guitarristas-base que passaram pela banda, fossem extremamente técnicos como um John Petrucci (Dream Theater), um Felipe Andreoli (Angra) ou um Neil Peart (Rush). Mas o refinamento instrumental da banda fica evidente em quase todos os seus temas.
Prova disso são outros números desse álbum, tais como ‘Turn It Off’, ‘Brick By Boring Brick’, ‘Feeling Sorry’ e ‘Looking Up’. Sei que muitos dirão que o som deles não é muito original, que não passa de lixo comercial, musiquinha para adolescente, e etc. Mas a meu ver, aqueles que insistem nesse radicalismo bobo apenas se deixam levar pelo fato da banda ter alcançado popularidade. E como eu já disse aqui, isso é um fator que a ala roqueira mais radical não costuma aceitar. Interessante notar que muitas vezes o elemento ‘popularidade’ acaba pesando muito mais do que a música em si na hora de proferir críticas negativas à artista A ou B.
O som do Paramore tem poucas novidades? Sim! A adorável baixinha Hayley Williams muitas vezes faz com que sua potente voz soe apenas como uma Avril Lavigne mais refinada? Sim! As letras da banda estão muito mais propensas a agradar jovens abaixo dos 17 anos? Sim! Mas então porque diabos essa "bagaça" é tão legal? Eu sei lá! Quando o Paramore despontou em 2005, ao escutar ‘Emergency’, uma das primeiras músicas da banda a ser veiculada na grande mídia, eu pensei: "Legal. Muito bom mesmo. Mas provavelmente é só mais uma bandinha da onda, e que não conseguirá fazer mais do que duas ou três musiquinhas boas como essa". Meses mais tarde, ao escutar por inteiro o álbum ‘All We Know Is Falling’ eu sabia ter em minhas mãos o trabalho de uma grande banda.
Escrevam o que eu digo: o grande talento desses garotos ainda vai dobrar a língua de muita gente no futuro. Nem tanto pelas qualidades evidenciadas aqui, como a já citada facilidade com que a banda constrói temas cativantes e o refinamento técnico de seus músicos, mas sim pela longevidade de seu trabalho. Quanto à ‘Brand New Eyes’: não é o momento mais brilhante da carreira deles, mas ainda assim é um ótimo exemplo de como o pop/rock pode sim produzir álbuns notáveis. E que comece o "mimimi" dos radicalóides, aqueles que não suportam quando uma banda sai do underground e cai no gosto das massas.
Line-up:
Hayley Williams (Vocal)
Jeremy Davis (Baixo)
Josh Farro (Guitarra/Backing Vocal)
Zac Farro (Bateria)
Taylor York (Guitarra)
Track-list:
1 . Careful
2 . Ignorance
3 . Playing God
4 . Brick By Boring Brick
5 . Turn It Off
6 . The Only Exception
7 . Feeling Sorry
8 . Looking Up
9 . Where The Lines Overlap
10. Misguided Ghosts
11. All I Wanted
12. Decode (Bonus Track)
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