Greyskull Chapel: Lisergia dos anos 70 com peso do metal dos 80
Resenha - Burden of Choice - Greyskull Chapel
Por Mario Rodrigues
Postado em 30 de março de 2015
Logo de imediato, percebemos a inovação que os músicos da Greyskull Chapel trazem no som da banda, misturando tendências que variam entre a lisérgica fase dos anos 70, repassando pelo peso do metal tradicional dos anos 80, com muitos acordes e quebradas do Grunge dos anos 90.
Capa CD greyskull chapellIsso tudo sem deixar de fora as modernidades do metal atual. DifÍcil rotular um estilo único a esses músicos. Mesmo a música sendo tocada de forma direta e objetiva, fica nítido que são extraídas várias influências de todas as gerações do metal.
Uma grande ousadia e inovação da banda Greyskull Chapel misturar vários estilos e criar uma identidade única. É muito complicado e pode gerar grandes críticas a banda, mas eles foram perfeitos na criação de cada música e de todo o contexto do trabalho.
A banda é formada pelos músicos Arthur Zarpelon (Voz/Guitarra) , Douglas Oliveira ( Bateria), Daniel Ribeiro (Guitarra / Voz) e Thiago Veiga ( Baixo), oriundos de São Paulo. Esses caras estão mais vivos do que nunca e pelo trabalho apresentado em "Burden of Choice" mostraram que estão na cena para inovar e manter o feeling e peso do metal nacional.
Ao iniciar o play da primeira faixa "Problématique", podemos dividir a faixa em duas partes, sendo a primeira parte bem progressiva e quebrada. Ao iniciar a música, o vocalista Arthur transmite sua ira à forma de cantar, destilando raiva em sua voz. Ele se destaca logo nos primeiros acordes com uma música que tem passagens de velocidade e cadência. Na segunda parte, a banda quebra a música com uma cadência feita apenas pelas guitarras. Um ouvinte despreocupado pode até imaginar que outra música está iniciando. Nessa segunda parte, a música se torna mais reta e direta, mas sem perder o peso e feeling dos caras.
A faixa "Altered Beast" automaticamente traz o sentimento de nostalgia em uma pegada grunge com stoner. A música é enérgica, com duas linhas de voz muito bem distribuídas em toda a sua extensão. Com influências diretas de Silverchair e Soundgarden, a música parece ter sido tirada direto dos áureos anos 90.
Demonstrando logo nas primeiras músicas que manter a mesma receita não é a parada desses caras, na faixa "Lullaby"´ eles inovam e mudam totalmente o andamento da música, provando que ao ouvir Greyskull Chapel você não irá ter o mesmo do mesmo.
Mais cadenciada e depressiva, essa faixa chama atenção pelo conjunto de criação da harmonia, com belas passagens das guitarras que ora simplesmente dedilham e ora pesam com riffs densos. Outro ponto forte é a perfeita harmonia na cozinha da música. Douglas Oliveira ( Bateria) simplesmente detona nessa faixa, muito disso por conta do excelente baixista Thiago Veiga que permite que ele tenha liberdade durante algumas passagens da música.
"A Blazing Rage" é pesada e direta, com um andamento mais objetivo. Essa música não tem firulas e nem frescura. Ela se apresenta como uma pancada bem ao estilo Doom Metal. Com solo mais voltado ao Metal, a banda mantém sua linha de variações a cada faixa.
Uma música contagiante, com várias quebradas e variações dentro da estrutura musical, temos a ótima "Decay". A rapaziada demonstra toda sua técnica ao elevar os estilos , seja ele de intensidade e técnica ou apenas bateria e baixo segurando a base. Música recomendada para se pegar a estrada.
Um pequeno ponto negativo fica por conta da faixa "Yohannes", muito cadenciada e com apelo comercial, destoa de todo o álbum. Em certos momentos, parece até ser outra banda. Apesar de mostrarem grande técnica, os músicos deixaram a faixa arrastada e cansativa.
A penúltima faixa do álbum "Reroute" retoma àquela pegada de experimentalismo da banda. A faixa pode ser considerada a mais setentista de todo álbum, com slides e viagens criadas com a guitarra. Ela traz várias atmosferas no andamento da música. O vocal inova com alguns berros bem agressivos. Uma ótima música com andamento único e muito complexo. Vale repetir o play.
Encerrando esse grande álbum, "Unlighten" é uma faixa divida em partes. Primeiro, temos a lisergia, depois o peso insano das guitarras e a bateria e o baixo constroem pontes que variam com extrema qualidade nos momentos de cadência e velocidade. Mais lisérgica que as anteriores, a banda encerra o álbum com uma pedrada. Aviso aos navegantes: ouvir Greyskull Chapel ingerindo alguma substâncias lisérgicas pode causar sérios danos a sua sanidade mental!
Em ambas as composições, as variações dos arranjos são constantes, o que mostra que não gostam de ficar na mesmice. Um Ótimo "Full´.
Nesse trabalho, você irá encontrar vários estilos, a qualidade é impecável, a banda desenvolve uma fórmula única no Brasil e com certeza, o reconhecimento está surgindo.
Line Up:
Arthur Zarpelon ( Vocal / Guitarra)
Daniel Ribeiro ( Guitarra / Vocal)
Douglas Oliveira ( Bateria )
Thiago Veiga ( Baixo)
Tracklist :
01 – Problématique
02 – Altered Beast
03 – Lullaby
04 – A Blazing Rage
05 – Decay
06 – Yohannes
07 – Reroute
08 – Unlighten
Por Gleison Junior, do Roadie Metal.
Outras resenhas de Burden of Choice - Greyskull Chapel
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Os três guitarristas brasileiros que John Petrucci do Dream Theater gosta bastante
Slash promete que novo álbum do Guns N' Roses só terá material inédito
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
Grammy 2026 terá homenagem musical a Ozzy Osbourne; conheça os indicados de rock e metal
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
A canção que tem dois dos maiores solos de guitarra de todos os tempos, conforme Tom Morello
Dave Mustaine revela que última conversa com James Hetfield terminou mal
Dream Theater faz o seu primeiro show em 2026; confira setlist
Prefeito de SP quer trazer U2, Rolling Stones ou Foo Fighters para show gratuito
A lenda do metal que é arrogante, mala e antiprofissional, segundo Regis Tadeu
Saxon finaliza novo álbum e Biff Byford fala sobre luta contra o câncer
Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
O megahit do Capital Inicial que, analisando bem a letra, não faz tanto sentido
Zakk Wylde pensou em levar "Back to the Beginning" para outros lugares, inclusive o Brasil
Teoria da conspiração: teria The Rev do A7X cometido suicídio?
Mike Mangini, ex-baterista do Dream Theater, explica por que entendeu retorno de Portnoy
O motivo pelo qual as músicas dos Ramones eram todas curtas, segundo Johnny e Tommy


O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Em 1977 o Pink Floyd convenceu-se de que poderia voltar a ousar



