Sepultura: 28 anos de visões mórbidas
Resenha - Morbid Visions - Sepultura
Por David Torres
Postado em 14 de novembro de 2014
Realmente o tempo voa. Hoje é o aniversário de 28 anos de um dos mais cultuados álbuns da história do Metal Extremo nacional, "Morbid Visions", o álbum de estreia do Sepultura. Lançado em 10 de novembro de 1986 através da gravadora Cogumelo Records, o "debut" mantém a mesma linha crua e visceral de som executada pela banda em seu primeiro registro, o clássico EP "Bestial Devastation", de 1985. O que nós temos aqui é um trabalho calcado no mais genuíno Black/Death Metal, contendo "riffs" e influências evidentes de Thrash Metal. Influenciados diretamente pela sonoridade de bandas como Venom, Hellhammer, Celtic Frost, Kreator, Slayer e Possessed, a banda formada em Belo Horizonte, Minas Gerais foi responsável por conceber um registro que encanta e inspira uma centena de artistas e músicos do Metal Extremo até os dias de hoje. Possuindo uma arte de capa grotescamente genial e que capta muito bem a atmosfera do Black/Death Metal, "Morbid Visions" dá continuidade a temática satânica abordado em "Bestial Devastation", porém, trazendo composições ainda mais trabalhadas dessa vez.
"Riffs" sujos e infames abrem o disco com a implacável "Morbid Visions", uma pancada crua e violentíssima que martela os nossos ouvidos impiedosamente com palhetadas ríspidas de Jairo Guedz (esse é o primeiro e único álbum gravado com o guitarrista, que também toca a guitarra solo no EP "Bestial Devastation") e Max Cavalera, cujos vocais estão rasgadíssimos. Originalmente, as prensagens em vinil continham também uma introdução, apenas batizada como "Intro", que precedia a faixa título do álbum. Essa introdução era o primeiro movimento de Carl Orff's "Carmina Burana" ("O Fortuna"). Provavelmente, a composição foi eliminada no lançamento do CD devido aos direitos autorais da mesma.
A matadora "Mayhem", que em português significa "Mutilação", faz jus ao seu título vil e abominável e massacra tudo e todos com seus "riffs" velozes e pesados, aliados a sempre truculenta bateria de Igor Cavalera, que desde aquela época já demonstrava que teria um futuro brilhante pela frente. Em seguida, é a vez de um dos maiores hinos da carreira da banda: "Troops of Doom". É importante mencionar que essa é a primeira versão que o Sepultura gravou para esse clássico e seu andamento aqui é mais lento e cadenciado, entretanto, se você pensa que isso dilui o peso e a agressividade do álbum, pense duas vezes, pois estamos diante de um dos maiores feitos da carreira da banda. O "riff" inicial é simples, direto e eficiente, do jeito que tem que ser. O restante da canção não faz por menos, permitindo que cada integrante destrua em seu instrumento.
Mantendo a selvageria intacta, "War" conta com mais uma boa dose de "riffs" poderosos e imundos do início ao fim, contando também com interessantes e bem construídas mudanças de andamento. Por sua vez, a maravilhosamente asquerosa "Crucifixion" se inicia de forma lenta e arrastada e rapidamente abre caminho para mais um ataque de guitarras infernais, acompanhados por um tenebroso desempenho de bateria e vocais urrados e demoníacos. Fenomenal! Já "Show Me the Wrath" é de longe a canção mais moderada do álbum, com um ritmo menos frenético e mais contido que as demais faixas do disco. De qualquer maneira, é novamente uma ótima composição, agregando ainda mais sujeira e podridão para o conjunto da obra.
A furiosa "Funeral Rites" tem um início bastante similar ao de "Troops of Doom", abrindo de forma cadenciada para rapidamente continuar a chacina e espancar os nossos ouvidos com "riffs" ainda mais imundos e viscerais, bateria ensandecida e urros desvairados. Abrindo com guitarras insanas e "gritantes", "Empire of the Damned" vem para finalizar esse registro malevolente, brindando a todos com mais um banho de sangue monstruoso, cortesia do infame empenho do quarteto. O final da canção é muito interessante, contando com alucinados urros rasgados proferidos por Max Cavalera, acompanhados por "riffs" intensos que em questão de segundos abrem espaço para um prólogo altamente atmosférico causado pela brilhante e macabra inserção de um trecho de canto gregoriano. Uma ótima maneira de encerrar um álbum tão sujo e diabólico com esse.
Ainda que seja um trabalho novamente calcado nas mesmas referências musicais do EP "Bestial Devastation" e mais uma vez conte com uma produção tosca, bastante precária e aquém de seus trabalhos posteriores, "Morbid Visions" já demonstrava uma evolução considerável dos músicos e é certamente um grande feito não apenas para o Sepultura, como para todo o Metal Extremo mundial.
01. Morbid Visions
02. Mayhem
03. Troops of Doom
04. War
05. Crucifixion
06. Show Me the Wrath
07. Funeral Rites
08. Empire of the Damned
Max Cavalera (Vocal/Guitarra Rítmica)
Jairo Guedz (Guitarra Solo/"Backing Vocals")
Paulo Jr. (Baixo)
Igor Cavalera (Bateria)
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