Grandfúria: pop rock, indie rock, música gaúcha e new wave
Resenha - Grandfúria - Grandfúria
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 12 de julho de 2014
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Desde quando comecei com o blog Combe do Iommi, em 2007, um dos maiores prazeres que sinto é quando músicos me procura para envio de trabalhos, com o intuito de receberem avaliações minhas. Continuei a receber envios de diversas bandas, fantásticas ou não, quando passei a escrever para a Van do Halen. Hoje em dia, ausente de ambos os sites e a frente de meu próprio site, continuo a ser procurado.
O simples fato de ser procurado para tal já me deixa muito contente. Mas não há palavras que defina quando é para falar sobre um bom trabalho. Algo diferente, que, ao mesmo tempo, instigue e dê prazer aos tímpanos. Algo que ainda dê esperanças de que há músicos de qualidade que produzem boas músicas no Brasil.
Pude ter essa sensação com o Grandfúria. Natural de Caxias do Sul (RS), o conjunto não esconde de onde veio. Na salada mista roqueira praticada pelo grupo, há uma mistura de música regional gaúcha, pop rock, indie rock, new wave e uma pitada de heavy metal. "A ideia de fazer um rock 'camaleônico' veio por sermos reféns da revolução da informação. Hoje, ninguém escuta só um estilo de música e nós não fugimos à regra. Ao mesmo tempo, nossas maiores influências na música são artistas que possuem carreiras progressivas, com discos diferentes e experimentos", disse o vocalista e guitarrista Vinícius Lima, em entrevista por e-mail.
Parece exagerado e pouco identitário, mas não é. O elemento "camaleônico" é percebido em diversas nuances do primeiro CD lançado pelo grupo, "Grandfúria" (Independente, R$ 5), deste ano, que reúne as músicas dos dois EPs lançados entre 2012 e 2014. E, apesar das influências diversas, o pop rock alternativo - soa contraditório? - da banda é redondo e uniforme. A certeza e firmeza no projeto artístico esbarra na experiência dos músicos, que já estiveram envolvidos em projetos anteriores que chegaram a lançar material de estúdio.
A abertura do disco, "Dando A Cara A Tapa", engana pela introdução metálica, com palhetada nervosa na guitarra e bateria arrastada. Logo quando a voz entra, o ritmo cai, a melodia toma o holofote e um acordeon adequado faz o acompanhamento, além de violão gaúcho. "Meu Próprio Fim" é um pouco mais convencional. Trata-se de um pop rock com um pouco de space rock nos versos. Os ganchos melódicos são incomuns, fogem do clichê. Ponto positivo.
"Faz-me", mais calma e totalmente acústica, também evidencia a pitada de space rock no som melódico do grupo. A canção é climática por conta dos teclados ao fundo. "Choro do Pampa" retoma, de forma mais incisiva, as influências da música regional riograndense. Desde a letra, com expressões e temática gaudérias, até a música, com, novamente, acordeon e violão gaúcho. O refrão é radiofônico.
"2D" mistura pop rock com new wave de forma incrível. O instrumental é construído minuciosamente e evidencia a destreza de Diego De Toni. "Só Coração", mais experimental, é mais orientada ao indie rock. O baixo e a bateria ritmada ficam à frente dos vocais em grande parte da mixagem. É o único ponto fraco do disco, na minha opinião. "A Cartomante", assim como outras faixas do play, é um pop rock levemente soturno. A pitada space rock dá as caras no miolo da canção, com sussurros vocais e, posteriormente, inesperada entrada de trompete. Boa surpresa.
"Caça às Bruxas" tem alguns momentos, especialmente o início, que remetem ao rock nacional da década de 1980. A participação de Alessandro Godoy com vocais screamo colaboram no dinamismo da canção. "Um Pouco Mais" puxa para o indie e repete o padrão "queda nos versos e pancada no refrão". Bons riffs de guitarra, instrumento que fica em segundo plano em grande parte do álbum. O encerramento com "Boa Sorte" é o típico pop rock alternativo, termo que soa contraditório especialmente até dar o play nessa música. Faixa curta, tipicamente radiofônica e de audição gostosa.
O primeiro disco do Grandfúria é inesperado e, por isso, me agradou de primeira. A banda toca um rock de fácil digestão, sem abrir mão da qualidade e da complexidade - nos arranjos e na própria instrumentalização. O som é bem produzido, bem mixado e, nem de longe, parece ser um grupo formado em 2012 com um registro independente em mãos.
Grandfúria: "Grandfúria" (2014)
Vinícius Lima (vocal, guitarra)
Carlos Balbinot (guitarra, programação)
Diego De Toni (bateria - exceto em 3)
Luis Gustavo Viegas (baixo)
Maurício Pezzi (teclados em 3, 5, 6, 8 e 10)
Músicos adicionais:
Rafael De Boni (acordeon em 1 e 4)
Roberto Scopel (trompete em 7)
Cleber Comin (violão gaúcho em 1 e 4)
Alessandro Godoy (vocal adicional em 8)
01. Dando A Cara A Tapa
02. Meu Próprio Fim
03. Faz-me
04. Choro do Pampa
05. 2D
06. Só Coração
07. A Cartomante
08. Caça às Bruxas
09. Um Pouco Mais
10. Boa Sorte
Outras resenhas de Grandfúria - Grandfúria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
A música de Bruce Dickinson que tem riff no estilo Scorpions
A regra do Iron Maiden que Nicko McBrain quebrou e levou "uma bronca daquelas" de Steve Harris
O difícil feito na música que nem Paul McCartney conseguiu, segundo Paulo Ricardo
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
O álbum de 1972 que Mick Jagger dos Rolling Stones disse não ter música ruim
O clássico dos anos 70 que para Slash tem o "melhor timbre de guitarra de todos os tempos"
A banda que Bono queria ver na MTV em 2005 incendiando "a imaginação de garotos de 16 anos"
Com Corey Glover (Living Colour) nos vocais, One Tribe Nation lança cover do Black Sabbath
"Foreign Tongues" se torna 16º disco dos Rolling Stones no topo da parada britânica
Sai Mario, entra Luigi: brasileiro assume temporariamente a bateria do Gojira
A canção de Alice Cooper que ajudou a mudar os rumos do rock nos anos 70
Buzz Osborne (Melvins) confessa zoar Mike Patton por influência no nu metal
5 bandas que o vocalista Robert Smith, do The Cure, já declarou odiar
Blaze Bayley surpreende ao escolher maior música que escreveu para o Iron Maiden
Raul Seixas: qual a origem da música "Gita"?

Brasileiro Puukkojunkkari faz ótimo punk/hardcore extremo cantando em finlandês
A Arquitetura da Fé e da Melodia - Michael Sweet Transmite Paz em "The Master Plan"
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



