Led Zeppelin: Physical Graffiti poderia ser melhor?

Resenha - Physical Graffiti - Led Zeppelin

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Por Leonardo Turchi Pacheco
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O que falar de Physical Graffiti? Fui apresentado a este “discaço” do LED ZEPPELIN no final da década de 80 por um amigo argentino. Morávamos em uma cidade universitária no interior de Minas Gerais. Eu já havia escutado o brown bomber, também conhecido com Led II, e o four symbols ou Led IV. Eles me impactaram profundamente, mas não tanto quanto o Physical.

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Duas músicas me marcaram muito. In My time of dying com sua guitarra com slide e bateria maravilhosa e Black Country Woman com a conversa meio abafada, “pufejante”, baforada entre JIMMY PAGE e EDDIE KRAMER que interpretávamos como uma troca de substâncias ilícitas.

Lembro que colocávamos o cd para tocar, sentávamos no sofá e assistíamos desenhos animados sem som na TV. Tudo isso sob o efeito da substância que BILL CLINTON não tragou e que o MUJICA liberou no Uruguai. Era perfeito. As músicas completavam as imagens e faziam muito sentido, como se fossem sincronizadas.

Veja bem isso foi antes da MTV no Brasil pelo menos. Antecipamos a experiência musical, visual em pelo menos 10 anos.

Recentemente li, e sempre releio, "Quando os gigantes caminhavam sobre a terra" do MICK WALL . Em determinado momento da narrativa ele afirma que ao invés de ser um Lp duplo, Physical Graffiti foi pensado como Lp simples. Mas como lançar um Lp duplo na década de 70 era uma maneira de demonstrar o prestigio criativo e de vendas das bandas de rock, a opção dos envolvidos foi lançar o disco com sobras de estúdio de outras sessões de gravação.

Fiquei intrigado com a revelação de MICK WALL e resolvi gravar um cd com as músicas que este autor indicou como sendo o que seria Physical Graffiti. Se fosse um Lp simples Physical teria no Lado A: Custard Pie, In My Time of Dying, Trampled Underfoot e Kashmir. O lado B: In the Light, Ten Years Gone, Wanton Song e Sick Again.

Para minha surpresa o disco, que já era maravilhoso, se transformou em um monstro. Talvez o elo entre o Led II e o Led IV. Não que o original, com suas texturas e músicas acústicas não fosse monstruoso. Mas esta versão teria sido um soco na cara, um disco de 8 músicas perfeito. Daqueles de se deixar com a boca aberta desde a primeira nota até o último fade out.

Fiquei pensando como a maioria dos discos clássicos incontestáveis tem em média 8 músicas. Veja bem, só para citar alguns: Moving Pictures e Machine Head tem 7. Master of Puppets, Who’s next, Let There be Rock, Second Helping, Led IV , Paranoid e Burn tem 8. Reign in Blood, Arise (este com o bônus Orgasmatron foi para 10), Among the Living e Demons and Wizards tem 9.

Como fã do Led eu acrescentaria além das 8 propostas só mais duas. Black Country Woman e The Rover. Isso porque acredito que 10 músicas são o limite para dar o recado. Entendo que desta maneira Physical Graffiti poderia ter sido melhor. Bem melhor. Incontestável.

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