Rhapsody of Fire: De pé sem a presença do Turilli músico
Resenha - Dark Wings of Steel - Rhapsody of Fire
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 04 de janeiro de 2014
Quando o guitarrista Luca Turilli e o tecladista Alex Staropoli anunciaram a separação de sua dupla criativa, o verdadeiro centro de poder do grupo italiano Rhapsody of Fire, e a subseqüente criação de duas bandas distintas, houve quem apostasse imediatamente que o grupo agora liderado por Staropoli fosse sair perdendo. Afinal, por mais que que o tecladista tenha ficado com o nome Rhapsody of Fire e com a presença do vocalista Fabio Lione, era inevitável lembrar que Turilli, além de compor as canções ao lado de Staropoli, também era o responsável pelas letras e pelas sagas de fantasia medieval que davam base para o conceito de cada álbum, uma característica bastante marcante da banda.
Com Lione a cargo das letras e Staropoli cuidando das composições (junto com o irmão, Manuel, que chegou a participar dos corais do primeiro "Symphony of Enchanted Lands"), uma coisa fica bastante clara neste "Dark Wings of Steel", o primeiro álbum sem Turilli. A qualidade e intensidade das letras caiu bastante, é verdade. Isso não dá para negar, resultando numa estranha (e por vezes incompreensível) mescla de dragões e temas de cunho quase religioso. Mas, no que diz respeito ao aspecto de composições, "Dark Wings of Steel" mostra um Rhapsody talvez um pouco menos épico. Digamos que esta é uma coleção de canções menos trilha-sonora e mais heavy metal. "Dark Wings of Steel" quer conversar muito com "Dawn of Victory", o melhor momento da discografia do Rhapsody, ainda sem "of Fire". É um disco que pretende ser mais reto, mais direto, menos dependente de vinhetas, orquestrações, corais e narrações do Christopher Lee. E isso, senhoras e senhores, seria um movimento interessante. Isso mesmo. Apenas "seria". Porque, de fato, não o é. Explico.
Apesar de pretender caminhar em direção a "Dawn of Victory", o novo álbum do quinteto não consegue chegar lá. A falta de Turilli como guitarrista não é, de fato, sentida. Instrumentalmente, a banda está muito bem arranjada: o novato Roby De Micheli, agora atuando sozinho (já que o outro guitarrista, Tom Hess, também se mandou), segura bem as pontas. E o novo baixista, Oliver Holzwarth, irmão do baterista e bem conhecido dos fãs por ser o músico que acompanha o Blind Guardian ao vivo há anos, também não faz feio. O caso é que, desde o primeiro minuto da faixa inicial "Rising From Tragic Flames", fica claro que "Dark Wings of Steel" é bonito, até, mas falta algo. Falta a potência, o peso, a vibração de "Dawn of Victory". Faltou ser um pouco menos power e um pouco mais metal. Do início ao fim, tudo soa achatado, genérico, neutro, como o que qualquer boa banda européia faria com um pé nas costas. O grupo parece ter preferido jogar no seguro, no garantido, sem se permitir um único segundo de ousadia. O resultado acaba sendo óbvio e pouco empolgante.
Não que as músicas sejam ruins. Mas chega a ser complicado dizer claramente a diferença entre o eficiente single "Silver Lake of Tears" e passagens como "Fly to Crystal Skies", "A Tale of Magic" e a faixa-título. Todas se parecem. A audição, do começo ao fim, torna-se monótona. Mesmo a balada em italiano "Custode di Pace", um momento que o Rhapsody parece ter transformado em obrigatório em suas bolachas, chega a surpreender. Falta comer muito feijão com arroz para chegar a ter o sentimento de "Guardiani Del Destino" ou da gloriosa "Lamento Eroico".
Em "Dark Wings of Steel", o Rhapsody of Fire provou que consegue, de alguma forma, continuar de pé sem a presença do Turilli músico. Bom. Mas como o disco de estreia da banda de Turilli (lançado em 2012) parece sofrer rigorosamente do mesmo mal deste álbum, uma falta crônica de adrenalina, tudo indica que agora o futuro do Rhapsody of Fire reside estritamente nas mãos de Staropoli. Afinal, é ele quem vai ter que descobrir como fazer a magia voltar a acontecer sem a sua ótima química com Turilli. Do seu lado, Turilli tem o mesmo desafio. Vamos ver se eles conseguem encontrar, cada um a seu modo, a outra metade do medalhão mágico.
Line-up:
Fabio Lione – Vocal
Roby De Micheli – Guitarra
Oliver Holzwarth – Baixo
Alex Holzwarth – Bateria
Alex Staropoli – Teclado
Tracklist:
1. Vis Divina (Divine Strength)
2. Rising From Tragic Flames
3. Angel of Light
4. Tears of Pain
5. Fly to Crystal Skies
6. My Sacrifice
7. Silver Lake of Tears
8. Custode di Pace
9. A Tale of Magic
10. Dark Wings of Steel
11. Sad Mystic Moon
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