Fabio Lione detona Joey DeMaio: "Fui constrangido a assinar o contrato no Rhapsody"
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de setembro de 2025
O metal sinfônico, conhecido por suas produções grandiosas e orquestrais, também carrega bastidores marcados por disputas contratuais, egos inflados e brigas de gestão. Um dos episódios mais emblemáticos envolve o vocalista Fabio Lione, figura central do Rhapsody por 15 anos. Em entrevista ao podcast Ibagenscast, o cantor italiano revelou detalhes do turbulento período em que a banda esteve sob o comando do baixista Joey DeMaio, líder do Manowar.
Segundo Lione, o álbum "Triumph or Agony" (2006) nasceu em meio a um ambiente conturbado. "O Turilli e o Staropoli assinaram um contrato com a empresa do Joey DeMaio. No começo foi legal, fizemos coisas incríveis, mas depois ficou ruim. Em quatro anos, a banda tocou apenas 25 shows, sempre abrindo para o Manowar. Ele recusou festivais, turnês, várias oportunidades", relatou.

O vocalista explicou que a estratégia de DeMaio prejudicou o crescimento do Rhapsody. "Se alguém chamava o Rhapsody para um festival, ele dizia: ‘Ou pega o pacote com o Manowar ou nada’. Perdemos muita coisa. Isso gerou muitas discussões dentro da banda."
"Fui constrangido a assinar"
Lione contou que foi pressionado a aderir ao contrato, mesmo contra a sua vontade. "Fui constrangido a assinar. Joey me disse: ‘Ou você assina ou pego outro vocalista’. E ainda falou: ‘Você é único, essa banda sem você não funciona’. Então aceitei, mas fiz questão de assinar um contrato diferente de Luca e Staropoli, apenas como vocalista. Nunca fui o principal compositor do Rhapsody, mas ajudei em cerca de 24 músicas, escrevendo versos, pontes e algumas letras."
A relação ficou ainda mais amarga porque, segundo ele, seu esforço não foi reconhecido. "Perdi um ano e meio escrevendo 80% das melodias vocais do ‘Symphony of Enchanted Lands II’. Procurei estúdio, paguei metade da demo, entreguei 11 músicas. Depois, outro cara entrou e quis convencer que fez tudo. Ele escreveu só duas, justamente as piores do disco, que a banda nem toca ao vivo."
Problemas com Triumph or Agony
Sobre o álbum que motivou a pergunta no podcast, Lione foi direto: "Triumph or Agony foi prejudicado pela situação. A banda queria fazer algo mais simples, menos orquestral, e pagou o preço do contrato. Por isso o disco não está no Spotify: ainda há brigas legais. Escrevi sozinho a balada ‘Il Canto del Vento’ e até hoje não recebi nada porque está bloqueada."
Apesar do tom crítico, Lione não deixou de reconhecer a importância artística da fase. "A banda acertou muito no Symphony II, com Christopher Lee, foi incrível. Mas depois ficou pesado. O empresário não queria que a banda tocasse. É uma pena, porque havia muito potencial desperdiçado."
Na entrevista, o cantor também mostrou frustração com a forma como parte dos fãs recebeu os trabalhos seguintes sem sua participação. "É triste. Eu não quero parecer arrogante, mas gosto que meu trabalho seja reconhecido. Trabalhei duro para que a banda tivesse identidade. Depois, gravaram outro disco com outro vocalista e tentaram convencer que era a mesma coisa. Não é. Quem conhece sabe que não tem nada a ver com o que fiz."
Lione concluiu com uma reflexão: "Não sou um gênio nem quero parecer arrogante. Mas me dedico. E ver alguém levando crédito por algo que não fez é muito injusto. Trabalhei um ano e meio para quê? Apenas para outro cara tentar se promover com isso."
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
A banda com três cantores que representa o futuro do metal, segundo Ricardo Confessori
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
6 solos de guitarra tão fabulosos que nem precisariam da canção onde estão
5 bandas de heavy metal que seguem na ativa e lançaram o primeiro disco há mais de 40 anos
Steve Harris afirma que nunca conseguiu assistir um show dos Rolling Stones
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
Dave Mustaine diz que Megadeth talvez se apresente novamente no Brasil
Dave Mustaine ficou surpreso com a recepção a "Hey God?", faixa do último disco do Megadeth
O rock ainda é gigante no Brasil? Números e dados desafiam o discurso de "crise do gênero"
A música da década de 1950 que David Gilmour chamou de perfeita: "É pura magia"
Regis Tadeu e o álbum que salvou o Rush da ruína; "um ato de insurgência artística"
A condição de Ricardo Confessori pra aceitar convite de Luis Mariutti: "Se for assim, eu faria"
"Painkiller" aproximou o Judas Priest de Megadeth e Pantera, segundo K.K. Downing
Randy Blythe (Lamb of God) responde a Max Cavalera sobre vocalistas que o influenciaram
Problemas judiciais entre Rhapsody of Fire e Joey DeMaio?
Winter is Coming: Sete músicas de Rock e Heavy Metal que falam sobre o inverno


