Willie Nelson: Uns vivem mais e outros menos...

Resenha - Let's Face The Music And Dance - Willie Nelson

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Por Guilherme Espir
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O tempo passa para todos nós, uns vivem mais outros menos, depende muito do seu convênio médico e de seus hábitos, mas no final grande parte das pessoas que vivem por aqui na Terra tem um bom tempo para aproveitar sua estadia, para produzir, deixar algo para que as futuras gerações não se sintam órfãs, um mapa, uma bússola, algo que elas possam se basear e trilhar seu próprio caminho.

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A música tem o costume (alguns iriam além e diriam poder) de transmitir o que é a vida por meio das poesias mais singelas. Grandes compositores ficaram conhecidos por colocar nas linhas seus problemas, dilemas, alegrias... Existem discos que após serem escutados chegam a dar até uma alegria para o ouvinte, fazem ele se levantar da cama, ter vontade de sair de casa, seguir com sua vida.

Existem outros por outro lado que relatam problemas de uma maneira tão triste que servem até de aprendizado para alguns de nós, você escuta aquilo e interpreta para si mesmo, as palavras são úteis para seus ouvidos, parece que após o play você é um ser humano melhor, com mais bagagem, mais experiente... E caso você, que está lendo estas linhas agora, pense que é necessário ser um grande às na guitarra ou em qualquer outro instrumento para transmitir tais vibrações, a resposta é simples : Não, e um grande exemplo, talvez um dos maiores deles é o Sr. Willie Nelson.

Willie Nelson... Esse cidadão tem história. Só de estúdio o americano já tem mais tempo de vida do que muitos de nós! São mais de 60 discos (isso só de estúdio), milhares de bolachas vendidas, zilhões de shows, e o mais importante, mais até do que tudo isso, uma bíblia de palavras ao vendo, ilustrando a história do nosso mundo com apenas um violão e um banquinho.

Ha mais de 50 anos é o mesmo ritual, Willie acorda pega sua inseparável Trigger, toma um cafezinho, faz suas tranças e começa a escrever. São tantas histórias, é tanto a dizer, que mesmo com 80 anos de vida parece que ainda falta alguma coisa, e a cada disco que o mestre do Country doa para a humanidade esse vazio se torna cada vez menor, até o dia que não sobrar nada, são mais de 50 anos de relatos, de uma simplicidade paradoxalmente genial, e este ano tivemos mais um capítulo, as palavras doces de "Let's Face The Music And Dance" lançado no dia 16 de abril, sente-se, coloque seus fones e aprecie!

Gostei muito deste trabalho. É um disco coeso, de fácil audição, muito bem produzido e repleto de faixas que passaram pelos ouvidos de Nelson e de sua irmã Bobbie durante sua caminhada por aí, cantarolando até o dia amanhecer, a única exceção é a bela "Is The Better Part Over" uma regravação do também muito bom "A Horse Called Music", lançado em 1989.

Como em todos os discos de Willie aqui o transe também é instantâneo, e como aqui ainda rolam covers mais puxados para o lado jazzístico da força a classe é ainda mais exuberante, quando começa a primeira faixa você para até de falar, as coisas em sua volta parecem mais calmas, simples, bonitas...

É um deleite pegar no embalo de "Let's Face The Music And Dance", sentir o piano de Bobbie em "You'll Never Know", o Jazz de Django em "Vous Et Moi", a voz calma de Willie em "Walkin' My Baby Back Home". Feche os olhos meu amigo, veja como esse cara desafia o tempo. Boa parte dos músicos com essa idade, os mais novos inclusive, (60 até 70 anos) estão em casa vendo TV tomando chá, Willie não, ele PRECISA gravar !

Ao passar por faixas como "Matchbox", "Twilight Time" ou a plenitude de "I Can't Give You Anything But Love" você sente que ele não faz pela grana, faz pela música, é aquele ideal simples que move todos nós, mas que hoje parece ter sido esquecido, e em meio à palavras doces como as de "I'll Keep On Loving You" e "I Wish I Didn't Love You So" é maravilhoso perceber que ainda existem pessoas que apreciam isso, tocar por tocar, Groove em prol da música... Delire no piano, assobie para a gaita, sinta a cozinha de "South Of The Border", tome mais uma dose de Django em "Nuages", respire fundo ao som de "Marie... Aplauda o mestre em "Shame On You", agradeça por mais uma amostra de pura música dada pelo americano e se despeça com um humilde e singelo até logo, pois Willie não vai parar tão cedo! Belo disco, surpreendente de ponta a ponta.

Line Up:
Jim "Moose" Brown (órgão)
Billy English (bateria/guitarra)
Paul English (bateria)
Bobbie Nelson (piano)
Micah Nelson (percussão)
Mickey Raphael (gaita)
Kevin Smith (baixo)

Track List :
"Let's Face The Music And Dance" - Irving Berlin
"Is The Better Part Over"
"You'll Never Know" - Harry Warren/Mack Gordon
"Vous Et Moi" - Django Reinhardt
"Walkin' My Baby Back Home" - Roy Turk/Fred E. Ahlert
"Matchbox" - Carl Perkins
"Twilight Time" - Buck Ram
"I Can't Give You Anything But Love" - Jimmy McHugh/Dorothy Fields
"I'll Keep On Loving You" - Moon Mullican
"I Wish I Didn't Love You So" - Frank Loesser
"South Of The Border" - Kimmy Kennedy/Michael Carr
"Nuages" - Django Reinhardt
"Marie (The Dawn Is Breaking)" - Irving Berlin
"Shame On You" - Spade Cooley




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Sobre Guilherme Espir

Assíduo fã de Zappa e de muitas fritadeiras setentonas, tenta mesclar a peneiração de raridades dos anos 60 e 70 com as novas tendências sonoras de nosso tempo, porém admitindo que o antigo ainda tem preferência em seus fones ensurdecedores.

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