Angra: Um novo "rebirth" para a banda

Resenha - Angels Cry 20th Anniversary Tour - Angra

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Por Hugo Alves
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Eis que, finalmente, o Angra dá sinal de vida e põe no mercado um novo lançamento ao vivo – o primeiro após 11 anos, desde o “Rebirth World Tour – Live in São Paulo”. Desta feita, a banda surge em uma segunda “nova era” comemorando vinte anos do lançamento do debut “Angels Cry”, lançado em 1993. De lá para cá, muita coisa aconteceu e toda a história culmina agora em “Angels Cry 20th Anniversary Tour”, lançado pela Substancial Music e que já vem apresentando bons números de vendas pelo site Die Hard (que também é um selo que, inclusive, lançou o último disco de estúdio da banda até o momento, “Aqua”, de 2010).
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A realidade da banda agora é outra. Após um momento de incertezas (não o primeiro na carreira da banda), a banda encontrou em Fabio Lione (o tenor italiano que também lidera as bandas Rhapsody of Fire e Visions Divine) seu novo frontman. Não se sabe ao certo por quanto tempo, mas a banda vem colhendo bons frutos dessa parceria, com uma turnê que vem se estendendo desde o show no cruzeiro estadunidense 70.000 Tons of Metal. Junto a Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro (guitarras e vozes), Felipe Andreoli (baixo e voz) e Ricardo Confessori (bateria), ele vem escrevendo um novo e feliz capítulo na história de uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos.

A história tem rendido tantos e tão bons frutos que a banda já anunciou Lione como parceiro na gravação do oitavo disco de estúdio da banda, previsto para o segundo semestre de 2014, e que será o primeiro de inéditas em quatro anos. Por enquanto, os fãs são presenteados com um material de primeiríssima qualidade, o DVD+CD “Angels Cry 20th Anniversary Tour”. Como o próprio nome diz, trata-se de um show comemorativo dos 20 anos do primeiro disco da banda, o indiscutivelmente perfeito “Angels Cry”. Porém, e diferente do que o primeiro vocalista da banda, Andre Matos, tem feito em sua carreira solo, a banda não toca o disco na íntegra, mas integra os temas que julga os mais marcantes do álbum no setlist, o que parece funcionar muito bem – mas duvido que alguém discorde que ter “Streets of Tomorrow”, “Lasting Child” e “Never Understand” nesse registro seria maravilhoso. De qualquer modo, o tracklist analisado aqui será o do DVD.

O show começa com uma introdução, daquelas típicas dos shows e CDs do Angra, e logo a banda surge “metendo o pé na porta” com “Angels Cry” e, já na primeira canção, é possível notar um dos dois únicos pecados cometidos pela produção neste material: a quase total ausência do áudio da plateia – mas ao longo do DVD esse problema parece extinguir-se. Também na primeira música é possível notar que Fabio Lione não comete o pecado de tentar emular as vozes de Andre Matos ou de Edu Falaschi, mas procura adequar as canções ao seu próprio estilo, que é muito singular. O resultado é divino, e um dos melhores exemplos disso é a canção seguinte, “Nothing to Say”. Representando o MKII do Angra, a banda manda “Waiting Silence”, do disco que marca o auge popular do Angra, o arrasa-quarteirão “Temple of Shadows” (2004), mas logo as canções mais antigas dão as caras novamente, com “Lisbon”, na qual já é possível perceber melhor a reação da plateia presente no HSBC Brasil (SP) na noite de 25 de Agosto de 2013, e “Time”, novamente lembrando a comemoração da turnê.

É claro que o setlist é bem mesclado e tanto as canções dos longínquos primeiros anos da banda quanto as mais recentes aparecem ali, misturadas no setlist. Lione exalta o guitarrista Kiko Loureiro, que introduz “Millenium Sun”, que coube perfeitamente à voz e ao estilo de Fabio Lione – que voz, meus amigos, que voz! –, e logo dá lugar a “Winds of Destination”, inesperada segunda representação de “Temple of Shadows”, que também ficou muito bonita nesta versão ao vivo. Outra canção inusitada, mas digna de aplausos, que aparece no setlist é “Gentle Change”, oriunda de “Fireworks”, terceiro disco da banda, lançado em 1998.

Fabio Lione dá lugar para que Rafael Bittencourt assuma os vocais, e ele o faz de maneira muito positiva, mas antes agradece o apoio do público e diz que, para quem acha que o Angra deveria acabar, a banda está só começando (uma explícita alusão à infame entrevista de rádio na qual Andre Matos expressou a opinião de que o Angra deveria acabar). Foi a deixa que esquentou ainda mais os presentes – e também esquenta quem assiste o DVD – para “The Voice Commanding You”, incrivelmente tocada acima do tom original e na qual Rafael deu conta do recado muito bem. Depois, a banda tocou uma das canções mais amadas pelos fãs, e que nem sempre figura nos setlists: “Late Redemption”, também de “Temple of Shadows”, originalmente gravada com a participação de Milton Nascimento – e novamente a banda perdeu uma baita chance de chama-lo e registrar sua participação ao vivo. Entretanto, isso não comprometeu a apresentação, e a canção foi belamente cantada por banda e público.

Então a banda deixa o palco, ficando apenas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro com seus violões. Kiko introduz o amigo, conta uma rápida passagem dos primeiros dias da banda, exalta aqueles que já fizeram parte da banda e diz que as portas estarão sempre abertas (seria outra “indireta”?). É a deixa para uma mais que grata surpresa: a canção considerada como a primeira da história do Angra, “Reaching Horizons”, belamente cantada por Rafael Bittencourt – muito especulou-se, durante este novo hiato da banda, que Rafael assumiria totalmente os vocais da banda. Nesse novo material, é possível notar que isso, talvez, tivesse funcionado muito bem. De qualquer modo, a dupla de guitarristas dá um salto no tempo para executar sua versão acústica da única canção representante do mais recente disco de estúdio da banda (“Aqua”, de 2010), que é “A Monster in her Eyes”, brilhante e emocionantemente executada.

A última representante do quinto disco da banda foi “No Pain for the Dead”, outra que caiu como uma luva para a voz de Fabio Lione. Mas o grande momento do DVD, com certeza, começa em “Stand Away”, uma das canções “lado B” mais amadas do primeiro disco da banda, e que aqui contou com Tarja Turunen (ex-Nightwish, atual carreira solo) cantando a canção de maneira única, e o refrão arrepia, quando Fabio Lione entra “oitavando” as notas para baixo, com sua voz de tenor. A canção, neste DVD, ganhou outras dimensões, ainda mais com a bela orquestração da Família Lima, que também disse “presente!” neste show. A seguir, a banda convida Uli Jon Roth, eterno ex-guitarrista da banda alemã Scorpions, para tocar “Wuthering Heights”, cover de Kate Bush que também foi gravado no primeiro disco da banda, e novamente Tarja dá um show de interpretação. Não tão brilhante quanto Andre Matos, mas ainda assim inesquecível!

Cabe aqui um comentário. A banda pode ter querido focar em seu próprio repertório, mas teria sido muito interessante se tivesse sido incluída no DVD a performance de “The Sails of Charon”, clássico dos primórdios do Scorpions, que rolou na noite do show. Não se sabe se houve problemas com direitos autorais ou se foi uma preferência, mas esta canção não figura, nem no DVD, nem no CD. Não se pode dizer que tenha sido um pecado, mas teria sido interessante. Por outro lado, o segundo pecado cometido pela produção do material diz respeito à transição de uma canção à outra no DVD. Fica claro que, por vezes, houve cortes bruscos de uma canção à outra na edição final, mas isso acaba comprometendo a qualidade como um todo. Infelizmente, isso já havia acontecido no primeiro DVD da banda e não se atentaram a esse equívoco. Entretanto, o registro ainda é sensacional e, em meio a tantas coisas boas, esse erro se torna um detalhe, apenas. Outra coisa que foi possível notar foi a grande quantidade de “overdubs” (artifício muito utilizado em CDs e DVDs ao vivo, onde são corrigidas, em estúdio, pequenas falhas na gravação original ao vivo) em cima da voz de Fabio Lione. É claro que a intenção disso foi somente “lapidar” o diamante que é este incrível material e entrega-lo com 100% de qualidade – e, gente, até o Iron Maiden já fez isso, então não cabe crítica alguma aqui.

Celebrando o underground da música pesada brasileira, Rafael Bittencourt convoca Amílcar Christófaro, baterista da banda thrasher Torture Squad, para juntos tocarem “Evil Warning”, outro clássico de “Angels Cry” (1993), finalizando de maneira espetacular o show.

Para o primeiro bis do show, a banda detona com “Unfinished Allegro” (tocada parcialmente pela Família Lima), seguida daquela que provavelmente é a maior canção do Angra: “Carry on”. Como essa é a música mais pedida nos shows da banda, vale dizer que, como de costume, Fabio Lione não lembra Andre Matos ao canta-la, tendo que adapta-la à sua voz, e o resultado não é menos que sensacional, já que fazer do jeito dele foi, com certeza, muito melhor do que tentar emular o antigo vocalista. O primeiro bis finaliza com a sensacional “Rebirth”, que com certeza deve fazer muito sentido nesse novo renascimento da banda.

O ponto final não poderia ser outro senão “In Excelsis” e “Nova Era”, que certamente deve ter posto fim ao fôlego restante aos presentes na apresentação. Todos os participantes voltaram ao palco para agradecer a bela recepção, ao som de “Gate XIII”, epílogo do disco “Temple of Shadows”. Uma apresentação praticamente perfeita, para dizer o mínimo.

O DVD ainda apresenta as canções “Coroa Imperial” e “Caça e Caçador” como bônus, além de um Making Of filmado em algumas das mais importantes cidades da turnê. O CD que acompanha a versão digipack é muito bem gravado e, estranhamente, traz “Silence and Distance”, que rolou no show, mas não entrou no DVD. Também é melhor ouvir o público no CD do que no DVD, de um modo geral.

O Angra está vivo, e batalhando para continuar a viver. O que resta, agora, é pedir aos fãs da banda e do Heavy Metal brasileiro que se façam tão presentes quanto há sete ou oito anos se faziam, e rezar para que a banda consiga retomar o lugar que um dia foi seu, como uma das maiores do gênero no Brasil (talvez perdendo somente para o Sepultura) e no mundo. Que venha o novo disco... E vida longa ao ANGRA!!!

Tracklist do DVD:

01. Intro/ Angels Cry
02. Nothing to Say
03. Waiting Silence
04. Lisbon
05. Time
06. Millenium Sun
07. Winds of Destination
08. Gentle Change
09. The Voice Commanding You
10. Late Redemption
11. Reaching Horizons
12. A Monster in her Eyes
13. No Pain for the Dead
14. Stand Away
15. Wuthering Heights
16. Evil Warning
17. Unfinished Allegro/ Carry on
18. Rebirth
19. In Excelsis/ Nova Era
20. Gate XIII
21. Coroa Imperial/ Caça e Caçador (Bonus Track)
22. Making Of

Tracklist do CD:

01. Angels Cry
02. Nothing to Say
03. Waiting Silence
04. Lisbon
05. Time
06. Gentle Change
07. Late Redemption
08. Silence and Distance
09. Reaching Horizons
10. Stand Away
11. Wuthering Heights
12. Unfinished Allegro/ Carry on
13. Rebirth
14. In Excelsis
15. Nova Era

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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