Whitesnake: "Slide It In" foi um divisor de águas na sua carreira
Resenha - Slide It In - Whitesnake
Por Ronaldo Celoto
Postado em 08 de novembro de 2013
Sétimo álbum de estúdio da banda capitaneada por DAVID COVERDALE, o disco foi um divisor de águas na vida do WHITESNAKE. Divisor, porque seria o último dos trabalhos com requintes do majestoso blues, pois os trabalhos seguintes estariam associados mais ao hard rock cheio de pegadas agressivas e uma alusão sexual mais pungente e característica, influenciada pelos videoclipes e pela própria MTV.
Desde o início devastador, com a faixa "Slow and Easy" (uma das melhores faixas do disco, bastante zeppeliniana), o disco mostrava que a trupe estava preparada para se situar nos anos 80 (até este disco) sem medo de qualquer estereótipo de maquiagens ou androginia que pulsava na cena de Los Angeles e de certa forma emoldurava o cenário daquela época. Se grupos como POISON, MOTLEY CRUE, HANOI ROCKS, W.A.S.P. e outros usavam e abusavam da sexualidade em suas canções, os britânicos do WHITESNAKE eram explícitos e selvagens ao extremo, mas ainda conseguiam carregar, uma última vez, as escolas setentistas, que pareciam ser absorvidas aos ouvidos como quem absorve prazerosos goles de whisky; e os músicos, longe dos sobretudos de lantejoulas, ainda vestiam calças jeans e camisas brancas com coletes que pareciam comprados em barracas de R$1,99.
Voltando ao disco... depois da excitação promovida pela primeira faixa, seguem-se riffs poderosos que vão desde a canção título (uma espécie de hino à não virgindade) até as canções menos conhecidas (a bela "Standing in the Shadow", as poderosas, animadíssimas e sexuais "Gimme Me More Time", "All Or Nothing" e "Hungry For Love", com incrível trabalho de vocalização e de melodia, tanto dos guitarristas MICKY MOODY e MEL GALLEY quanto de JOHN SYKES (que regravou posteriormente com a banda o álbum todo na íntegra), uma espécie de ‘adônis’ recrutado por COVERDALE através da banda TYGERS OF PAIN TANG, para redesenhar aquela que seria, a partir daquela época até os dias atuais, a imagem da banda, que, disco após disco, trocou de guitarristas como a garota de programa troca de clientes na semana, mas sempre inserindo músicos de aparência juvenílica e qualidade impecável (ADRIAN VANDERBERG, STEVE VAI, DOUGH ALDRICH, entre outros).
É claro que não poderia deixar de fora as inserções do mago JON LORD (menos presentes neste disco, mas sempre boas), do baixista NEIL MURRAY e do saudoso e ótimo baterista COZY POWELL, também presentes no primeiro escalão de músicos deste disco. Enfim, a cozinha estava impecável. E as refeições eram servidas, uma após outra, sem perder o ritmo.
E, para quem acha que o disco não poderia ir mais longe, ainda tínhamos a outra canção zepelliniana "Gambler" (a chamada ‘sonzeira’, digna de se apanhar uma estrada sentado sobre o banco de uma Harley Davidson), o hino de todos os hinos dos anos 80 – "Love Ain't No Stranger", uma das mais belas canções escritas pelo WHITESNAKE (que era para ser ‘blue’, mas tornou-se poderosamente ‘extreme’) e o desfecho espetacular com "Guilty Of Love", aquele tipo de música que você ouve e tem vontade de abraçar aos amigos em um churrasco, erguer o som do aparelho e cantar por pelo menos 250 vezes o refrão. Digamos que, se "Here I Go Again", do também ótimo disco "Saints and Sinners" fazia e ainda faz todos chorarem, "Guilty Of Love" convida todos a dançar.
Enfim, para quem quiser compra-lo no formato digital, sugiro a edição de 25 anos, com faixas extras e um dvd bônus com muito material ao vivo e acústico. No mais, a definição para "Slide It In" é simples: Clássico absoluto!!!...
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