Motorhead: Um soco na cara de quem não acreditava mais em Lemmy

Resenha - Aftershock - Motorhead

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Luis Fernando Ribeiro
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em meio a um turbilhão de notícias sobre o estado de saúde de Lemmy Kilmister, o MOTÖRHEAD surpreende lançando mais um disco, e não é um disco com anseio de provar alguma coisa, é apenas mais um ótimo disco do MOTÖRHEAD. Se você esperava que esse lançamento fosse inovar na história da banda, motivado pela fase que eles vivem, passe longe. Mas não é isso o que os fãs esperam, quem é fã mesmo sabe qual a proposta dessa lendária banda.
5000 acessosAdeus: o último show de 10 rockstars que morreram nesta década5000 acessosRob Halford: seu álbum preferido do Black Sabbath

Não é difícil falar de MOTÖRHEAD para quem sabe o que esperar deles. Mesmo quase 40 anos após o lançamento de seu primeiro disco, a banda ainda lança álbuns relevantes, que de tão consistentes, não perdem muito para os geniais "Overkill", "Bomber", "Ace of Spades" e "Iron Fist", por exemplo.

Aproximadamente três anos depois do lançamento de "The Wörld Is Yours", o MOTÖRHEAD nos presenteia com "Aftershock", para alívio dos fãs que torcem pela saúde de Lemmy.

Quem produziu o disco novamente foi Cameron Webb, que não arrisca nem compromete. Desta forma, este disco tem a sonoridade bastante semelhante aos quatro últimos.

Sem maiores delongas, o disco abre com "Heartbreaker", que já chega mostrando que o Lemmy, Campbell e Dee ainda têm muita lenha pra queimar. É uma música empolgante, com o pé no acelerador, direta, pesada e com bom refrão, onde Lemmy mostra que apesar das limitações que a idade começa a lhe impor, ainda é um cantor incrível.

"Coup de Grace" mantém o nível elevado do disco. Apesar de pesada, é uma música toda 'swingada', com um feeling incrível. É uma música charmosa, mas agressiva, um ‘rockzão’ puro e simples do jeito que só o MOTÖRHEAD sabe fazer. Nesta faixa a banda mostra todo seu entrosamento e ainda somos brindados com um excelente solo de Phil Campbell, um dos melhores do disco.

Na sequência, como o próprio nome sugere, temos a típica faixa de blues do disco "Lost Woman Blues". Com a interpretação soberba de Lemmy, não é difícil imaginá-lo cantando-a melancólico em um pub enfumaçado pedindo mais uma dose de Whiskey com um cigarro no canto da boca. A música ainda possui melodias marcantes e uma 'cozinha' simples, mas bem posicionada. Mesmo pesando mais ao final, esta faixa serve como um refresco para os ouvidos que serão tão surrados (No bom sentido) no restante do disco.

"End of time" é tão direta quanto um soco na cara, sem tempo para firulas ou partes elaboradas, ainda assim apresenta um curto, mas excelente solo, daqueles que é quase impossível não acompanhar no 'Air Guitar'. "Do You Believe" segue esta mesma linha, sendo um ‘rockzão’ cru e direto, com destaque para as belas intervenções de Phil Campbell.

"Death Machine" tem uma pegada totalmente Heavy, mas passa um pouco mais despercebida depois de uma sequência de músicas nessa mesma linha. Não entendam errado, ela não é uma música fraca, talvez apenas esteja mal posicionada, mas tem riffs pesadíssimos e bumbos bem encaixados de Mikkey Dee.

A balada "Dust and Glass" é melancólica e emotiva, com Lemmy totalmente à vontade e Campbell rasgando seus solos por todos os cantos. É uma das mais distintas do álbum e têm leves influências de ZEPPELIN aqui, outras de SABBATH acolá.

"Going to Mexico" é uma sequencia natural para "Going to Brazil". Uma música pesada do inicio ao fim, sem pausa para respirar, com um refrão que fica na cabeça e uma boa atuação de todos os músicos. Se não é a melhor do disco, ao menos é uma das mais pesadas.

"Silence When You Speak To Me" tem uma boa pegada, um ‘rockzão’ básico e direto como é comum de se encontrar em discos da banda, mas sem muito a destacar. Uma boa música. Já "Crying Shame" tem uma pegada Hard Rock bem empolgante e me lembra um pouco a época do "Hammered", com direito a teclados discretos no refrão, um belíssimo solo de Campbell e uma boa pegada de Lemmy e Mikkey Dee. Peca apenas por acabar em 'Fade Out', o que nao combinou com a pegada da música.

"Queen of the Damned" é menos polida, se é que se pode pensar isso das demais músicas, mas essa é ainda mais 'sujona' e nos remete facilmente aos discos clássicos da banda, com Lemmy moendo seu baixão à la "Ace of Spades". Este mesmo Lemmy escarra "Knife" com seu vozeirão rouco em uma de suas melhores interpretações no disco, com destaque para Campbell e seus riffs empolgantes, que constroem uma excelente ponte para um potente solo de guitarra.

"Keep Your Power Dry" é totalmente Hard Rock, daqueles que chegam a ser dançantes, à lá KISS. Simples, eficiente e cheia de feeling.

A pesadíssima "Paralyzed" fecha o disco da mesma forma que ele foi iniciado, quebrando tudo. Os músicos estavam com a faca nos dentes e terminaram o álbum de maneira fantástica, com todos os músicos dando o máximo de si. Até Mikkey Dee que se mostrou mais contido que o normal neste disco deve ter desmontado sua bateria nesta música. Excelente escolha para encerrar o disco.

Não adianta dizer que este disco é um soco na cara de quem não acreditava mais em Lemmy, ele não precisa que ninguém acredite nele, apenas precisa pegar seu baixão e fazer o que sempre soube fazer com perfeição. Este disco não precisa provar nada pra ninguém, é MOTÖRHEAD simples e puro, como tem sido nos últimos 40 anos e que continue sendo até que Lemmy aguente.

Se você curtiu "Inferno", "Kiss of Death", "Motörizer" e "The Wörld Is Yours", certamente irá gostar de "Aftershock". Escute com o volume no talo!

Motörhead – Aftershock (UDR GmbH – 2013)

Track List:
1 - "Heartbreaker"
2 - "Coup De Grace"
3 - "Lost Woman Blues"
4 - "End Of Time"
5 - "Do You Believe"
6 - "Death Machine"
7 - "Dust And Glass"
8 - "Going To Mexico"
9 - "Silence When You Speak To Me"
10 - "Crying Shame"
11 - "Queen Of The Damned"
12 - "Knife"
13 - “Keep Your Powder Dry"
14 - "Paralyzed"

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Aftershock - Motorhead

3423 acessosMotorhead: O álbum de 2013 da maior banda de Rock do mundo3717 acessosMotorhead: um disco para comemorarmos a vitória de Lemmy

AdeusAdeus
O último show de 10 rockstars que morreram nesta década

804 acessosBrazilian Tribute To Motörhead: Torture Squad e Hatefulmurder686 acessosMotorhead: ouça o Genocídio no tributo brasileiro à banda2106 acessosCooking Hostile: Cozinhando com suas bandas preferidas1076 acessosMotorhead: ouça música de tributo brasileiro à banda0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Motorhead"

RockstarsRockstars
18 roqueiros que já apareceram em filmes

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Phil Campbell quase mata fãs do coração

MetallicaMetallica
Casal toca no casamento e é convidado pela banda

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Motorhead"

Rob HalfordRob Halford
Vocalista comenta seu álbum preferido do Black Sabbath

SlayerSlayer
Tom Araya revela seus ídolos do baixo

Top 5Top 5
Os roqueiros mais chatos da história

5000 acessosRob Halford: seu álbum preferido do Black Sabbath5000 acessosSlayer: Tom Araya revela seus ídolos do baixo5000 acessosTop 5: Os roqueiros mais chatos da história5000 acessosOzzy Osbourne: uma garrafa d'água que custou 80 mil5000 acessosDream Theater: Análise vocal de James LaBrie5000 acessosGlen Hughes: sexo, drogas e Rock'n'Roll no Purple

Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

Mais matérias de Luis Fernando Ribeiro no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online