Motorhead: Um soco na cara de quem não acreditava mais em Lemmy

Resenha - Aftershock - Motorhead

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Por Luis Fernando Ribeiro
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em meio a um turbilhão de notícias sobre o estado de saúde de Lemmy Kilmister, o MOTÖRHEAD surpreende lançando mais um disco, e não é um disco com anseio de provar alguma coisa, é apenas mais um ótimo disco do MOTÖRHEAD. Se você esperava que esse lançamento fosse inovar na história da banda, motivado pela fase que eles vivem, passe longe. Mas não é isso o que os fãs esperam, quem é fã mesmo sabe qual a proposta dessa lendária banda.
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Não é difícil falar de MOTÖRHEAD para quem sabe o que esperar deles. Mesmo quase 40 anos após o lançamento de seu primeiro disco, a banda ainda lança álbuns relevantes, que de tão consistentes, não perdem muito para os geniais "Overkill", "Bomber", "Ace of Spades" e "Iron Fist", por exemplo.

Aproximadamente três anos depois do lançamento de "The Wörld Is Yours", o MOTÖRHEAD nos presenteia com "Aftershock", para alívio dos fãs que torcem pela saúde de Lemmy.

Quem produziu o disco novamente foi Cameron Webb, que não arrisca nem compromete. Desta forma, este disco tem a sonoridade bastante semelhante aos quatro últimos.

Sem maiores delongas, o disco abre com "Heartbreaker", que já chega mostrando que o Lemmy, Campbell e Dee ainda têm muita lenha pra queimar. É uma música empolgante, com o pé no acelerador, direta, pesada e com bom refrão, onde Lemmy mostra que apesar das limitações que a idade começa a lhe impor, ainda é um cantor incrível.

"Coup de Grace" mantém o nível elevado do disco. Apesar de pesada, é uma música toda 'swingada', com um feeling incrível. É uma música charmosa, mas agressiva, um ‘rockzão’ puro e simples do jeito que só o MOTÖRHEAD sabe fazer. Nesta faixa a banda mostra todo seu entrosamento e ainda somos brindados com um excelente solo de Phil Campbell, um dos melhores do disco.

Na sequência, como o próprio nome sugere, temos a típica faixa de blues do disco "Lost Woman Blues". Com a interpretação soberba de Lemmy, não é difícil imaginá-lo cantando-a melancólico em um pub enfumaçado pedindo mais uma dose de Whiskey com um cigarro no canto da boca. A música ainda possui melodias marcantes e uma 'cozinha' simples, mas bem posicionada. Mesmo pesando mais ao final, esta faixa serve como um refresco para os ouvidos que serão tão surrados (No bom sentido) no restante do disco.

"End of time" é tão direta quanto um soco na cara, sem tempo para firulas ou partes elaboradas, ainda assim apresenta um curto, mas excelente solo, daqueles que é quase impossível não acompanhar no 'Air Guitar'. "Do You Believe" segue esta mesma linha, sendo um ‘rockzão’ cru e direto, com destaque para as belas intervenções de Phil Campbell.

"Death Machine" tem uma pegada totalmente Heavy, mas passa um pouco mais despercebida depois de uma sequência de músicas nessa mesma linha. Não entendam errado, ela não é uma música fraca, talvez apenas esteja mal posicionada, mas tem riffs pesadíssimos e bumbos bem encaixados de Mikkey Dee.

A balada "Dust and Glass" é melancólica e emotiva, com Lemmy totalmente à vontade e Campbell rasgando seus solos por todos os cantos. É uma das mais distintas do álbum e têm leves influências de ZEPPELIN aqui, outras de SABBATH acolá.

"Going to Mexico" é uma sequencia natural para "Going to Brazil". Uma música pesada do inicio ao fim, sem pausa para respirar, com um refrão que fica na cabeça e uma boa atuação de todos os músicos. Se não é a melhor do disco, ao menos é uma das mais pesadas.

"Silence When You Speak To Me" tem uma boa pegada, um ‘rockzão’ básico e direto como é comum de se encontrar em discos da banda, mas sem muito a destacar. Uma boa música. Já "Crying Shame" tem uma pegada Hard Rock bem empolgante e me lembra um pouco a época do "Hammered", com direito a teclados discretos no refrão, um belíssimo solo de Campbell e uma boa pegada de Lemmy e Mikkey Dee. Peca apenas por acabar em 'Fade Out', o que nao combinou com a pegada da música.

"Queen of the Damned" é menos polida, se é que se pode pensar isso das demais músicas, mas essa é ainda mais 'sujona' e nos remete facilmente aos discos clássicos da banda, com Lemmy moendo seu baixão à la "Ace of Spades". Este mesmo Lemmy escarra "Knife" com seu vozeirão rouco em uma de suas melhores interpretações no disco, com destaque para Campbell e seus riffs empolgantes, que constroem uma excelente ponte para um potente solo de guitarra.

"Keep Your Power Dry" é totalmente Hard Rock, daqueles que chegam a ser dançantes, à lá KISS. Simples, eficiente e cheia de feeling.

A pesadíssima "Paralyzed" fecha o disco da mesma forma que ele foi iniciado, quebrando tudo. Os músicos estavam com a faca nos dentes e terminaram o álbum de maneira fantástica, com todos os músicos dando o máximo de si. Até Mikkey Dee que se mostrou mais contido que o normal neste disco deve ter desmontado sua bateria nesta música. Excelente escolha para encerrar o disco.

Não adianta dizer que este disco é um soco na cara de quem não acreditava mais em Lemmy, ele não precisa que ninguém acredite nele, apenas precisa pegar seu baixão e fazer o que sempre soube fazer com perfeição. Este disco não precisa provar nada pra ninguém, é MOTÖRHEAD simples e puro, como tem sido nos últimos 40 anos e que continue sendo até que Lemmy aguente.

Se você curtiu "Inferno", "Kiss of Death", "Motörizer" e "The Wörld Is Yours", certamente irá gostar de "Aftershock". Escute com o volume no talo!

Motörhead – Aftershock (UDR GmbH – 2013)

Track List:
1 - "Heartbreaker"
2 - "Coup De Grace"
3 - "Lost Woman Blues"
4 - "End Of Time"
5 - "Do You Believe"
6 - "Death Machine"
7 - "Dust And Glass"
8 - "Going To Mexico"
9 - "Silence When You Speak To Me"
10 - "Crying Shame"
11 - "Queen Of The Damned"
12 - "Knife"
13 - “Keep Your Powder Dry"
14 - "Paralyzed"

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Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

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