Alter Bridge: Sonoridade ampla e uma linguagem interessante

Resenha - Fortress - Alter Bridge

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Por Júlio César Tortoro Ribeiro, Fonte: Its Electric
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Falar da qualidade dos músicos do Alter Bridge é confirmar o obvio, são talentosos, tecnicamente impecáveis e possuem um entendimento que poucas bandas desfrutam atualmente, Mike Tremonti (guitarra), Scott Phillips (bateria) e Brian Marshall (baixo) tocam juntos desde o meio dos anos 90, Myles Kennedy (guitarra e vocal) está com os caras desde o fim de 2003, ou seja, o quarteto se conhece muito bem.

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O grande motor criativo do Alter Bridge é a capacidade de Tremonti e Kennedy em escrever grandes melodias, mesclando estilos e trabalhando emoções distintas, seja com músicas mais pesadas, hard rocks mid tempo e grandes baladas, tudo amparado por uma sessão rítmica que é um relógio, Phillips e Marshall são músicos excepcionais que ficavam escondidos nos tempos de Creed.

Fortress é uma ponte para o futuro da banda, deixando aquela sonoridade post grunge que aparecia esporadicamente diluída em alguns poucos refrães. Se em ABIII o clima era sombrio e melancólico em Fortress temos energia, velocidade e peso na linha de frente, talvez o disco solo All I Was de Tremonti e a parceria entre Myles Kennedy e Slash em Apocalyptic Love tenha trazido novos ares ao universo da banda.

A maior evolução que podemos ouvir é em termos de arranjos, uma complexidade bem dosada com grande participação de guitarras e violões além de avanços nos vocais, que sempre foi um ponto muito forte graças ao potencial de Myles Kennedy, em duas faixas Kennedy e Tremonti dividem os microfones, ponto positivo pela iniciativa.

Cry Of Achilles é um excelente cartão de visitas e elucida bem a evolução alcançada aqui, o excelente arranjo acústico feito por Myles abre espaço para as palhetadas e power chords de Tremonti, o melhor trabalho de guitarras que ouvi em um registro deles, uma música forte, ótima abertura que pode se tornar um clássico da banda.

Eles pisam no acelerador no single Addicted To Pain que sobe o giro e despeja grandes guitarras, o apelo Heavy Metal da batida de Scott Phillips é contagiante, ótima música de trabalho. Aposto que nem o mais fervoroso fã do Alter Bridge esperava ouvir Bleed It Dry num disco deles, uma tonelada em termos de peso logo no riff inicial, que culmina num interlúdio sensacional graças aos grandes solos de Tremonti, um dos pontos altos de Fortress.

Lover acalma os ânimos numa balada típica, que tem no bom alcance de Myles Kennedy um grande atrativo, The Uninvited resgata o trabalho feito em AB III numa base mais progressiva, lembrando algo do Tool em seus arranjos, é muito bom ouvir o Alter Bridge abrindo o leque e incorporando coisas novas ao som.

Em Peace Is Broken as coisas pareciam caminhar para o lugar comum, até o dueto entre as vozes de Myles Kennedy e Mike Tremonti surgir e tirar a música da zona de conforto, o peso do inicio do álbum já abre espaco para os tons progressivos de Calm The Fire que flerta diretamente com o som dos ingleses do Muse. Se o registro apresentou uma queda de rendimento nesse instante, Water Rising reverte o fluxo e leva Fortress aos grandes momentos, arranjos excelentes, duetos dos vocais e uma intensidade sônica que combina com a letra.

Farther Than The Sun tem uma aura setentista interessante e uma levada de baixo de Brian Marshall que remete ao Black Sabbath, em Cry A River eles pisam no acelerador, mais um grende trabalho de Phillips que trabalha diverso compassos distintos na música. A balada All Ends Well é bem focada nos vocais de Myles, mas passa batido.

Fortress é o tema épico da vez, com mais de 7 minutos faz com que os fãs lembrarem-se do excelente Blackbird, a música cresce e ganha contornos grandiosos e efeitos interessantes nas guitarras, e uma pegada que nos traz mais uma vez o Black Sabbath em mente, o grande solo de Tremonti é bem encaixado, como em todas as músicas diga-se de passagem. A melhor faixa do álbum.

Em linhas gerais Fortress tem uma sonoridade ampla e uma linguagem interessante, a mistura entre Hard Rock e Heavy Metal foi preparada de forma especial demonstrando personalidade. Ao decidirem investir em timbres diferentes e incorporar nuances sonoras arrojadas aliadas ao peso, atingiram um ótimo resultado. Vale a compra!

Fortress (2013)

01. Cry Of Achilles
02. Addicted To Pain
03. Bleed It Dry
04. Lover
05. The Uninvited
06. Peace Is Broken
07. Calm The Fire
08. Waters Rising
09. Farther Than The Sun
10. Cry A River
11. All Ends Well
12. Fortress

Todas as músicas compostas pelo Alter Bridge.

A Banda

Myles Kennedy (Vocal e Guitarra)
Mike Tremonti (Vocal e Guitarra)
Scott Phillips (Bateria)
Brian Marshall (Baixo)


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Sobre Júlio César Tortoro Ribeiro

Paulistano fanático por música e lutas, não sou jornalista, mas sempre gostei de escrever como Hobby, e por isso mantenho um blog totalmente amador chamado Its Electric no qual discorro sobre esses assuntos. Sou contra o radicalismo e apóio quem como eu ainda compra material das bandas e escreve sobre as mesmas por puro gosto.

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