Alter Bridge: "Fortress", A Quebra de Paradigmas
Resenha - Fortress - Alter Bridge
Por Paula Bezerra
Postado em 17 de outubro de 2013
Nota: 10 ![]()
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Mark Tremonti afirmou em uma das suas inúmeras entrevistas que Fortress poderia ser complicado para os fãs digerirem em um primeiro momento. Quando escutei o álbum inteiro, pensei: "Como assim? Essa é a coisa mais linda que escuto há um bom tempo. Tem tudo que eu gosto nessas 12 músicas."
Passado o frenesi inicial de escutar o que tanto nós fãs esperávamos avidamente, escutei repetidamente e com calma as faixas do álbum e comecei a pensar no que ele queria dizer de fato com aquela frase e acredito que, o que pode tornar difícil para compreender o novo trabalho do Alter Bridge é o acúmulo de sentimentos que permeiam todas as músicas. Com o tempo, você percebe que há tanto em cada letra que pode tirar sua respiração por alguns segundos e te levar para reflexões que tentamos evitar de todas as formas.
Com o sucesso do Alter Bridge III, que teve hits fortes e intensos, levando os fãs ao delírio, aquilo poderia significar que a banda havia chegado ao seu ápice e de onde apenas há um caminho a seguir: O declínio proveniente dos dias de glória e alta criatividade. Mas após três anos de espera, muitas especulações, envolvimentos em outros projetos por parte de quase todos os integrantes e alguns meses ilhados em estúdio, eis que surge um presente que compensou todo o sofrimento dos corações ansiosos, como esse que pertence a quem lhes escreve essa review.
Fortress é uma coleção de letras fortes, som poderoso e melodias profundas que penetram nas mentes como uma faca, te levando a refletir sobre assuntos corriqueiros e que nos acometem diariamente: O que fazer quando um relacionamento de qualquer espécie chega a um impasse ou colapsa por completo? Só isso já seria por si um risco alto para uma banda que teve álbuns predecessores tão aclamados decidir correr. Para que mexer em uma fórmula de sucesso?
Mas sim, eles seguiram em frente. E ainda por cima, aperfeiçoaram o som, onde Mark Tremonti levou os amantes do metal genuíno à loucura, com acordes pesados, que podem se tornar adocicados na voz no genuíno e completo vocalista Myles Kennedy. É a primeira vez que podemos constatar na história da música o metal puro com teores de suavidade, tratando de temas intrínsecos da natureza humana. Se isso não é quebra de paradigmas no quesito música, nada mais o será de fato.
De Cry of Achilles, que tem um início quase a parte do som que iremos escutar nos próximos acordes, passando por Lover, quase uma canção de ninar, e que nos remete a uma suavidade quase angelical, para depois sermos acordados novamente por The Uninvited até Fortress, um hit arrojado e forte, sendo propriamente e não por acaso escolhido para ser a música-título do álbum, o Alter Bridge nos leva a uma deliciosa, assustadora e impactante viagem pelas letras dessa obra-prima transformada em álbum e que vai marcar para sempre o nome desses quatro talentosos músicos na história do rock. E não me espanta que o próximo trabalho, sim já penso no próximo, seja ainda mais surreal. Não seria tão de espantar em se tratando do quarteto.
Deixei propositadamente duas músicas para tratar em separado: All Ends Well e Waters Rising
Lendo outras entrevistas da banda, e li muitas, admito; percebi que "All Ends Well" é uma música muito pessoal para Myles Kennedy. O álbum todo o é na verdade. Isso fica claro, mas essa música tem uma história especial, porque o próprio conta que vem da perspectiva da sua mãe e de como ela o ajudou a se tornar uma pessoa confiante. Além de a letra ter sido criada de uma parte tão marcante de seu passado, a mensagem que ela passa é muito profunda e aconchegante. Todas as pessoas gostariam que alguém chegasse em momentos complicados ou de dúvida, e nos falasse que vai ficar tudo bem. Precisamos ouvir isso as vezes. É surreal que em um álbum de enredo tão forte, encontremos uma canção em especial que nos remeta a esperança. É quase como se a banda desejasse passar a mensagem de que, sim, tudo pode desmoronar, mas no final, tudo acaba se encaixando. É quase um mantra a ser lembrado e especial, como a música de fato o é.
E Waters Rising. Admito que ao ler que Mark Tremonti cantaria uma música no álbum, fiquei extremamente curiosa para saber como isso funcionaria. Claro que estava esperando outro tipo de álbum, e por isso minha confusão. Mark é um músico extremamente talentoso e versátil, seus trabalhos falam por si, coletivos e solo, mas Waters Rising me surpreendeu de fato. O dueto entre Myles e ele ficou na medida. A mistura plena que se pode ouvir das raízes do metal com a melodia sutil e de coração para coração. Obviamente, precisei ouvir três ou quatro vezes para assimilar, mas após esse processo, estou completamente encantada pela música.
A Brian Marshall e Scott Phillips fica o papel fundamental e pouco lembrado de fechar o pacote com brilhantismo para um trabalho sem falhas e de estarem sempre lá, para apoiar seus companheiros de banda durante todo o processo, como uma equipe de fato deve ser.
A Michael Elvis Baskette e Jeff Moll há a constatação do talento e de trabalhar em prol de um projeto, colocando seu sangue em todas as etapas para criar algo singular, uma obra-prima de fato. E de nunca caminhar para o lado comercial, onde muitas ótimas bandas seguiram e se perderam. O mundo da música agradece, e nós, amantes da música, leigos ou não, só podemos de fato agradecer sinceramente por ainda haver pessoas nesse meio que querem apenas apreciar e construir o genuíno e não fazer de tudo um negócio.
Alter Bridge mostrou que após dez anos, pode se reinventar e se recriar, e que tem músicos humildes, talentosos e uma equipe de apoio fantástica para perceber que independente do patamar que se ocupe, o aprendizado é diário, e se de fato, toda fortaleza pode ruir, como o álbum nos mostra, as bases da fortaleza da banda estão mais sólidas do que nunca e seu nome já está entre os grandes. Isso é incontestável.
Lista de Músicas:
Cry of Achilles
Addicted to Pain
Bleed it Dry
Lover
The Uninvited
Peace is Broken
Calm the Fire
Waters Rising
Farther Than the Sun
Cry a River
All Ends Well
Fortress
Outras resenhas de Fortress - Alter Bridge
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