Avenged Sevenfold: Lição de casa feita com competência
Resenha - Hail to the King - Avenged Sevenfold
Por Gustavo Dezan
Postado em 11 de setembro de 2013
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Acompanho o trabalho do AVENGED SEVENFOLD desde o terceiro álbum, "City of Evil", de 2005. Naquela oportunidade, me chamou a atenção o instrumental que flertava com o power metal tocado por uma banda dos Estados Unidos, país em que o estilo é desprezado. O som dos caras foi então amadurecendo com os trabalhos sucessores, o álbum autointitulado (2007), no auge da criatividade, e "Nightmare (2010)", o mais pesado, até o recém-lançado "Hail to the King" (2013).
Avenged Sevenfold - Mais Novidades
A expectativa em torno do álbum era grande, por ser o primeiro sem a participação do falecido baterista The Rev na composição. Em 2012 a banda soltou a boa "Carry On", escrita para o jogo "Call of Duty: Black Ops 2", que acabou não entrando no disco, mas que já mostrava o novo direcionamento da banda: beber (e muito) da água dos deuses do metal. Para a surpresa de muitos, a música lembra em vários momentos "March of Time" e "Eagle Fly Free", dois clássicos do HELLOWEEN, banda praticamente desconhecida pelos norte-americanos em geral.
Neste ínterim, os membros da banda deram entrevistas afirmando que "estudaram os clássicos do rock", e a tendência se confirmou em "Hail to the King". Mais cadenciado do que os trabalhos anteriores, o álbum apresenta uma banda pesada e madura, porém, com um certo distúrbio de personalidade. Coincidências ou não, referências não faltam a alguns dos maiores clássicos do gênero.
O disco abre com "Shepherd of Fire", uma música que lembra em muito a construção de "Enter Sandman", do METALLICA, com uma injeção de melodia e algumas orquestrações soturnas bem características do AVENGED SEVENFOLD. Então a faixa título surge com um riff que remete a "Thunderstruck", do AC/DC, mas que logo se torna uma música com bastante pegada e notáveis duetos de guitarra, mais uma marca da banda. Esta canção, inclusive, traz um belíssimo solo da guitarra de Synyster Gates, cujo talento é indiscutível.
"Doing Time" é uma faixa mais pancada, que parece um medley de GUNS N´ROSES com uma pitada de VELVET REVOLVER, que mostra uma maior versatilidade do vocalista M. Shadows. A influência de Axl Rose, SLASH e companhia sobre a banda é notória desde o início da carreira nos trejeitos do vocalista e no timbre e técnica das guitarras.
"This Means War", como já foi muito falado, traz uma semelhança assustadora com "Sad But True", do METALLICA. A diferença fica por conta da melodia empolgante responsável pelo melhor "bridge" e refrão do álbum, que fica na cabeça. O trabalho das guitarras também é marcante, com mais um grandioso dueto entre Gates e Zacky Vengeance. Com corais e orquestras, "Requiem" mescla "Kashmir", do LED ZEPPELIN, com um pouco mais de peso e uma atmosfera dark. A esta altura, a bateria cadenciada e arrastada pode mostrar os primeiros sinais de cansaço aos fãs mais antigos.
Com uma introdução dedilhada no melhor estilo METALLICA antigo, "Crimson Day" é uma bela power balada, com um ótimo refrão e um solo de Synyster Gates, mais uma vez inspiradíssimo no SLASH. Já "Heretic", embora uma boa música, é indefensável. Dá quase para ouvir Dave Mustaine, do MEGADETH, cantando "Symphony of Destruction". Mesma construção, mesma pegada. Ao menos, nessa música o baterista Arin Ilejay começa a se soltar.
A sequência, "Coming Home", finalmente acelera o play. Embora tenha uma melodia familiar, não consegui identificar de onde vem, mas parece ter saído de um álbum do IRON MAIDEN. De qualquer forma, é uma boa música, mas passa um pouco a impressão de que está mais para preencher o álbum. Em seguida, entretanto, surge "Planets", talvez a mais original do disco, que traz todas as características marcantes da banda. Dois pedais, melodias sombrias, orquestrações e Shadows rasgando nos vocais. "Acid Rain" fecha o CD com uma balada grandiosa, com direito a piano e orquestra.
Cópias, coincidências, influências ou homenagens, "Hail to the King" apresenta semelhanças inegáveis que, no saldo final, não comprometem a qualidade do trabalho. Pelo contrário. As criaturas tendem a superar seus criadores porque é muito mais fácil fazer algo novo descartando o que não funcionou no antigo. Vemos exemplos em séries, nos remakes de cinema e na música. Se a originalidade está em cheque, ao menos não se pode negar que a banda é talentosa, competente e fez a lição de casa corretamente, gravando um disco de rock pesado, direto, melódico e sem frescura.
TRACKLIST:
1. Shepherd of Fire – 5:18
2. Hail to the King – 5:02
3. Doing Time – 3:30
4. This Means War – 6:09
5. Requiem – 4:24
6. Crimson Day – 5:00
7. Heretic – 4:53
8. Coming Home – 6:20
9. Planets – 5:58
10. Acid Rain – 6:44
Outras resenhas de Hail to the King - Avenged Sevenfold
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
O disco punk clássico que Billie Joe Armstrong chamou de "um monte de merda"
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
Pink Floyd lança a coletânea "8-Tracks", que reúne faixas gravadas nos anos 70
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
O clássico de Bon Scott que Brian Johnson nunca quis cantar no AC/DC


As 13 atrações com exclusividade no Rock in Rio 2026 que não tocarão em outras cidades
Por que turnê do Avenged Sevenfold desistiu de ter Gloria como abertura, segundo Mi
Guitarrista diz que músicos do Avenged Sevenfold se apaixonaram por "St. Anger", do Metallica
A música do Avenged Sevenfold inspirada em Giordano Bruno, filósofo queimado pela Inquisição
5 bandas de metalcore se tornaram "rock de pai", segundo a Loudwire
Dio: Quem fez mágica ou pisou na bola no novo tributo


