Buffalo: Um disco que você pode até não conhecer - mas deveria
Resenha - Volcanic Rock - Buffalo
Por Felipe Mascarenhas
Fonte: Ultimate Classic Rock
Postado em 25 de agosto de 2013
Uma das maiores obscuridades do hard rock dos anos 70 fez 40 anos no dia 10 de agosto. E se você perdeu naquela época, então prepare-se pra se impressionar com poder puro e sísmico do disco apropriadamente chamado de "Volcanic Rock" (n.t. ou Rock Vulcânico, em tradução livre), do quarteto australiano BUFFALO.
No começo de 1973, com o AC/CD não exatamente formado ainda, o que as bandas de hard rock da Austrália estavam fazendo (como o blues pesado de Billy Thorpe and the Aztecs, ou os guerreiros psicodélicos do Kahvas Jute, que tinha Bob Daisley, que viria a ser baixista do Rainbow) mal dava pra competir com os pesos pesados internacionais como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple.
É por isso que a violência visionária executada pelo segundo LP do BUFFALO foi um avanço criativo tão impressionante, mesmo tendo ficado provado que foi um pouco pesado demais pra ser engolido pelos consumidores mainstream. "Volcanic Rock" estava também muito distante da influência do rock progressivo, psicodélico e sem muito foco do primeiro disco do grupo - "Dead Forever...,", lançado no ano anterior.
Simplificando a sua formação (diminuída de 6 músicos, para o clássico quarteto), o BUFFALO também simplificou o seu som - não abandonando completamente a sede por viagens musicais e as letras pós-Aquarius, que são mostradas em jams hipnotizantes como "Freedom" e "The Prophet", mas aprimorando esses aspectos com ganchos muito melhores, providos pela voz rouca, e influenciada pela música soul, do vocalista Dave Tice e a guitarra versátil de John Baxter.
Baxter é a verdadeira estrela, e o instigador, por trás de "Volcanic Rock", começando com guitarras de causar calos, que abrem o álbum em "Sunrise (Come My Way)," que compartilha do mesmo DNA do MC5 como também do Blue Cheer e Black Sabbath. Sem muitas surpresas, essa música já foi, desde então, e sem nenhum pudor, canibalizada pelas suas partes por mais bandas de stoner-rock do que você possa contar.
O miolo do álbum, como "Till My Death" e "Pound of Flesh", traz tons mais baixos com os fundamentos sólidos de um blues-rock enraizadas na cozinha do baixista Pete Wells (que mais tarde tocaria no Rose Tattoo) e do baterista Jimmy Economu. Mas o proto-metal contundente e debochado é devidamente reintegrado pela música contagiosa que fecha o álbum, "Shylock", que mistura doses iguais de melodias ameaçadoras com riffs pulverizantes - tudo invocado pelo mago louco das seis cordas, Baxter.
Não precisa nem dizer que isso também minimizou as chances do BUFFALO ter um álbum promovido apropriadamente nas lojas de discos, e contribuiu ainda mais para as vendas decepcionantes. Não que a Austrália - ou o mundo, nesse caso - estivesse pronta pra esse quarteto de Sydney. Mas temos que admitir que tanto a arte do álbum quanto a música exemplificam o som do BUFFALO explodindo para a perfeição.
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