Black Stars Riders: Sucessores dignos do Thin Lizzy

Resenha - All Hell Breaks Loose - Black Star Riders

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Thin Lizzy lançou seu último álbum de estúdio em 1983, com John Sykes e Scott Gorham nas guitarras, o líder Phil Lynott no baixo e vocais, Darren Wharton nos teclados e Brian Downey na bateria. Após a turnê para promover o álbum, a banda se desfez. Lynott ainda conseguiu lançar um disco solo e gravar com Gary Moore antes de falecer com apenas 36 anos, de complicações do uso crônico e dependência de drogas. A partir de então, diversas vezes os membros remanescentes - principalmente Scott Gorham, Darren Wharton e Brian Downey - vem se reunindo para turnês. A principal encarnação desta ressurreição começou com a iniciativa de John Sykes, que em 1996 convenceu os demais membros a participar. Ele trouxe o baixista Marco Mendoza para o projeto e assumiu os vocais (Mendoza trabalhou com ele no Blue Murder).

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Em 2009, Sykes desistiu de participar deste projeto e Gorham assumiu o contole, trazendo o vocalista Ricky Warwick (ex-The Almighty). Para a outra guitarra, Vivian Campbell (ex-Dio, Def Leppard) foi o escolhido, mas foi substituído depois que teve que retornar a sua banda principal, o Leppard. Damon Johnson acabou entrando em seu lugar. Esta formação foi compondo novo material durante as turnês de 2011 e 2012 e sentiu que deviam lançar um novo álbum. Felizmente, a banda tomou a sensata decisão de não lançar este material utilizando o nome Thin Lizzy. Criaram uma nova banda, chamada Black Star Riders. Brian Downey não se sentiu confortável com a possibilidade de excursionar extensivamente e acabou abandonando o projeto; o mesmo aconteceu com o tecladista Darren Wharton. Para o lugar de Downey, foi escolhido Jimmy DeGrasso, que já tocou em um monte de bandas: Alice Cooper, Suicidal Tendencies, Megadeth e Dokken, só pra citar algumas. Nenhum tecladista foi escalado e a banda acabou ficando como um quinteto: Warwick, Gorham, Johnson, Mendoza e DeGrasso.

E este novo álbum viu a luz do dia no final do mês de maio, pela gravadora Nuclear Blast (esta gravadora está com um elenco de primeira...). Um álbum de hard rock com composições encorpadas, melodias envolventes, e aquelas harmonias características da banda que originou tudo: o Thin Lizzy. Claro, temos Scott Gorham, um dos membros originais, ali presente. Porém, é da dupla Rick Warwick/Damon Johnson a maioria das composições. Warwick com sua voz rascante, até lembrando um pouco Phil Lynott; e Johnson se mostrando totalmente integrado e entrosado no trabalho de guitarras com o veterano Gorham. A cozinha, formada por Mendoza e DeGrasso, segura as pontas muito bem. A produção, bem redondinha e acertada, é mais um bom trabalho de Kevin Shirley, o produtor que mais se destaca neste século. E este time nos presenteou com um dos melhores álbuns de 2013, pelo menos até aqui.

O começo do disco é a melhor parte, três canções em sequência de empolgar, incluindo a faixa-título, com seu riff envolvente e refrão pegajoso; "Bound For Glory", que poderia, facilmente, figurar em um dos álbuns do Thin Lizzy, com sua estrutura de guitarras gêmeas; e "Kingdom Of The Lost" traz aquele clima irlandês numa melodia deliciosa. "Hey Judas", o single escolhido para ser promovido com um vídeo-clipe, é outra que nos lembra o bom Lizzy, de melodia cativante que agrada muito. Outro destaque é a mais acelerada "Valley Of The Stones", onde a banda tenta seguir seu próprio caminho, sem escancarar que é uma continuação do Lizzy. E este fator é importante para o futuro da banda, que não conseguiria sobreviver por muito tempo sem soar original e sem tentar criar sua própria identidade.

No final da audição do álbum, você fica com aquela certeza de que ouviu um grande disco, apenas o primeiro de uma banda que tem um futuro muito promissor. Aguardemos os acontecimentos e vejamos como será a recepção do álbum com o tempo, ele tem tudo para crescer muito e cativar os antigos fãs do Thin Lizzy e agradar muita gente nova também.

Se nossos brilhantes promotores de shows acompanhassem boas novas como essas, talvez tivéssemos o Black Star Riders tocando num Monsters Of Rock. Ao invés disso, teremos uma noite de revival nu metal... Enfim, ainda há esperança, a banda tocou algumas datas em festivais na Europa (incluindo uma participação no festival Download, em Donington), e só tem shows marcados para o final do mês de novembro e para dezembro, uma turnê pelos países da Grã-Bretanha. Ao vivo, a banda intercala as músicas deste álbum com os grandes clássicos do Thin Lizzy - todos sabem sua origem, e eles não tem a intenção de negar. O que deixa a banda com um excelente material para explorar!

Relação das músicas:
1 - "All Hell Breaks Loose"
2 - "Bound For Glory"
3 - "Kingdom Of The Lost"
4 - "Bloodshot"
5 - "Kissin' The Ground"
6 - "Hey Judas"
7 - "Hoodoo Voodoo"
8 - "Valley Of The Stones"
9 - "Someday Salvation"
10 - "Before The War"
11 - "Blues Ain't So Bad"

Alguns vídeos:

"Hey Judas" (vídeo-clipe):

"Kingdom Of The Lost" (lyric video):

"Bound For Glory" (lyric video):

Curta esta e outras resenhas no blog Ripando a História do Rock. Grande abraço e até a próxima, com muito rock and roll!!
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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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