Carach Angren: um passeio sombrio pela Segunda Guerra Mundial
Resenha - Where the Corpses Sink Forever - Carach Angren
Por Guilherme Niehues
Postado em 08 de maio de 2013
Uma banda desconhecida para muitos, para que deveria receber uma atenção especial. O lirismo da banda gira em torno de contos macabros, desde o seu álbum de estreia "Lammendam" (2008). E neste álbum "Where the Corpses Sink Forever" podemos perceber novamente este toque, porém remetendo a Segunda Guerra Mundial.
O som apesar de ser um Black Metal sinfônico se diferencia e muito dos seus semelhantes, como por exemplo, Dimmu Borgir, Anoxeria Nervosa ou até mesmo Gloomy Grim.
O que realmente diferencia são os aspectos do instrumento, o lirismo presente em todas as músicas e em especial uma ótima execução de seu vocalista, Seregor. Quanto ao instrumental, tudo que faz jus ao estilo está presente, uma bateria executada perfeitamente e uma sinfonia presente em todas as músicas, dando aquele clima sombrio do inicio ao fim de cada música. Portanto, é possível esperar em todas as músicas uma reviravolta em seu feeling muitas vezes saindo da parte agressiva para a parte mais melódica ou sombria, marca registrada da banda.
A parte lírica é complexa, pois contém passagens tanto em primeira pessoa quanto narrativas. A história é bastante simples: um soldado que ao executar 7 (sete) prisioneiros presencia visões vividas por estes prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial. O que mais intriga é que a banda não usa de artifícios como refrão e sempre segue uma história linear em toda e qualquer música presente neste disco.
Porém, já avisamos que o álbum não deve ser apreciado em partes e muito menos pela metade, afinal tudo o que tem um início e terá um final. Para tanto, vamos destrinchar um pouco cada uma das músicas:
De inicio temos a abertura com a narrativa An Ominous Recording, que retrata o clima sombrio do soldado informando a execução dos prisioneiros. O instrumental fica por conta da sinfonia ao fundo deixando ainda mais macabro o relato do nosso soldado.
A música Lingering in an Imprint Haunting demonstra a banda em sua execução plena, ou seja, é possível perceber do que a banda é capaz. Liricamente, temos a narrativa de um soldado que se encontra em pleno ataque nas trincheiras e faz de tudo para ficar vivo. A voz de Seregor se encaixa perfeitamente na proposta da banda, e será notada sempre como um dos grandes destaques nas músicas.
Enquanto que na terceira música, Bitte Tötet Mich (Please Kill Me) existe a possibilidade de entender melhor a narrativa aplicada ao som da banda, também temos a introdução do idioma alemão, que remete ao lado nazista da Segunda Guerra Mundial. A história envolta desta música é a ideia de um soldado querendo se suicidar a todo custo, porém devido a vários fatores sempre adia a execução de si mesmo. Uma das músicas que apresenta uma agressividade maior e eleva o instrumental a um nível um pouco maior do que sua antecessora.
O destaque do álbum fica por conta da excelente The Funerary Dirge of a Violinist, que dura cerca de 8 minutos e nos brinda com toda a criatividade deste álbum, instrumentalmente e liricamente falando. Aqui é fácil entender a facilidade de transição das passagens melódicas para as agressivas e vice-versa, sem perder a conexão e a sintonia. O ponto alto da música é a introdução do som de violino. E, também por contar os dias de um violonista que está ali não para servir como um instrumento de guerra e sim de paz, através de seu violino e sua música.
Sir John apresenta pela primeira vez o gutural de Seregor que por sinal é muito bem executado, e por ser uma música mais agressiva que suas antecessoras. Enquanto um grupo esta preso em uma cidade e sem ter para onde ir, esperando o resgate, um cirurgião para se manter vivo, inicia o processo de canibalismo de seus próprios companheiros até que não sobre ninguém vivo.
Spectral Infantry Battalions e General Nightmare apresentam em suma uma história sequencial, uma vez que a primeira conta sobre os batalhões de infantaria que ficam na linha de frente para morrer, e o segundo reflete a impaciência de um general que os manda à morte sem o preparo de uma estratégia. Ambas apresentam semelhanças em sua sonoridade, pois se mantém mais melódicas e sombrias.
Ao final do álbum, a Little Hector, What Have You Done? se encarrega de fechar o ciclo da história, trazendo o pequeno Hector e sua macabra visão de diversão. Não tem os atributos necessários para ser um destaque do álbum, pois apresenta todas as características de outras músicas.
E por fim, é apresentada a música These Fields Are Lurking (Seven Pairs of Demon Eyes), que ao invés de fechar o ciclo de história, retrata o inicio de toda ela, o que pega o ouvinte um pouco de surpresa, pois as últimas palavras remetem ao ciclo infinito dos acontecimentos. Quanto à música em questão, você verá um retrospectivo das quatro primeiras músicas, onde é executado um pouco de tudo o que já foi ouvido, porém com uma ou outra pequena novidade.
Na prática o álbum é muito mais atraente do que em teoria, o que realmente vale a pena ser levado em consideração, e especialmente para quem está cansado de ouvir a mesmice de sempre, e ao fracasso dos últimos lançamentos do gênero.
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