Sepultura: entrou para a história da música pesada pela ousadia

Resenha - Roots - Sepultura

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Por Rodrigo Noé de Souza
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com o álbum Chaos A.D. (1993), o Sepultura fez inúmeras apresentações, participou de várias premiações musicais (incluindo o VMA da MTV), conquistou platéias de todos os cantos do globo. Mas só faltava uma coisa para a banda mineira: homenagear os seus fãs, com um disco remetendo suas origens. Sem saber o que o futuro reservaria para o Sepultura...
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Para gravar Roots, eles se instalaram em um estúdio chamado Indigo Ranch, em Malibu (CA), cujos equipamentos se encontravam velhos e amplificadores valvulados. Era isso que a banda queria. Apesar do seu vocalista, Max Cavalera, se dedicar as mamadeiras do que à sua banda, as gravações correram tudo bem, da maneira que queriam.

Cada faixa foi gravada com afinação baixa, o pique era como se o Sepultura tocasse ao vivo. Faixas como Roots Bloody Roots e Attitude são os exemplos mais óbvios. A primeira começa com um barulho de grilo, para a partir daí os riffs explodirem junto com os “batuques” que o Igor Cavalera adotou quando se impressionou ao ver e ouvir grupos, como Olodum e Timbalada. O refrão é marcante, virando, mais tarde, a faixa de encerramento das apresentações. Não à toa que ela foi escolhida como vídeoclipe.

Já Attitude foi escrita por Max e seu enteado Dana Wells (que mais tarde foi morto por razões desconhecidas). Ao som do berimbau, essa faixa virou vídeo clipe, com a participação da família Gracie. Como o disco todo fala sobre as injustiças socias no Basil, faixas como Ambush (sobre o Chico Mendes), Endangered Species (sobre a devastação da floresta amazônica) e Dictatorshit (sobre a ditadura Militar) são exemplos claros.

Cut-Thorat critica as grandes corporações, incluindo a gravadora Epic que desrespeitou a banda nos EUA. Se prestarem atenção no refrão Enslavement, Pathetic, Ignorant, Corporations vão entender.

Várias participações especiais marcaram presença, como Carlinhos Brown, nas faixas Ambush, Endangered Species e Ratamahatta. Essa última dividiu os vocais com Max, citando símbolos nacionais como Zé do Caixão, Zumbi e Lampião. E é outra faixa que virou clipe, com animações de massinha, sem a presença da banda. Mesmo criticada por parte dos fãs, a banda defendeu que a escolha de Brown foi certeira para o projeto.

Lookaway teve a participação de Mike Patton, Jonathan Davis (Korn, que escreveu a letra) e DJ Lethal. Essa faixa é um noise-metal, no melhor estilo Faith no More. Mas a faixa que mais destaca, ao lado das primeiras, é a Itsari.

Para gravarem essa faixa, o Sepultura resolveu viajar para o Mato Grosso e, após muitas negociações, a tribo Xavantes aceitou que participassem numa jam. Após se adaptarem às tradições locais, a banda e a tribo gravaram, sem overdubs, Itsari (Raízes, na linguagem indígena). Uma experiência para não se esquecer.

Roots foi lançado em diversas versões, sendo que a nacional conta com dois covers: Procreation Of The Wicked (Celtic Frost) e Symptom of the Universe (Black Sabbath). A capa foi obra de Michael Whelan, utilizando um índio extraído na nota de 1000 cruzeiros.

Com o disco lançado, a banda aumentou ainda mais sua popularidade, vários convites para festivais foram oferecidos, shows marcados... Porém, como nem tudo era alegria, o destino resolveu que a banda separaria mais tarde. Divergências com a então empresária Glória (esposa de Max), shows com a formação desestabilizada, brigas internas e falta de apoio da gravadora fizeram com que a unidade Max-Andreas-Paulo-Igor trincassem de vez.

Apesar dessa mancha que tomou conta na trajetória, Roots entrou para a história da música pesada por sua ousadia, experimentos e por levar o Brasil aos quatros cantos do Globo. Sangrentas Raízes.

Confiram os víeos abaixo - Roots Bloody Roots:

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Attitude:

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Ratamahatta:

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Formação:

Max Cavalera – vocal/guitarra
Andreas Kisser – guitarra
Paulo Xisto – baixo
Igor Cavalera – bateria

Tracklist:

1-Roots Bloody Roots
2-Attitude
3-Cut-Throat
4-Ratamahatta
5-Breed Apart
6-Straighthate
7-Spit
8-Lookaway
9-Dusted
10-Born Stubborn
11-Jasco
12-Itsári
13-Ambush
14-Endangered Species
15-Dictatorshit
16-Procreation (Of The Wicked) – Celtic Frost Cover
17-Symptom Of The Universe (Black Sabbath Cover)

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Sobre Rodrigo Noé de Souza

Nasci em 1984. Esse ano não é só o início de uma nova democracia, mas também é o ano em que vários discos foram lançados, como Powerslave (IRON MAIDEN), Stay Hungry (TWISTED SISTER), W.A.S.P., Don´t Break The Oath (Mercyful Fate), Slide It In (WHITESNAKE), 1984 (VAN HALEN), The Last In Line (DIO) e, o meu favorito de todos, Ride the Lightning (METALLICA). Sou um aficcionado por Metal, desde AC/DC e ZZ Top, até Anaal Nathrakh e Krisiun. Sou Jornalista, blogueiro, facebookeiro, o que for. Quem quiser saber o que eu escrevo, acessem meu blog: www.esporropublico.zip.net.

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