Wallflowers: extremamente competente e entrosada

Resenha - Glad All Over - Wallflowers

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Sérgio Fernandes
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Esse ano de 2012 mostrou-se bastante prolífero para os "Dylan". Primeiro, Bob, o membro mais conhecido da família, lançou o seu 35º álbum de estúdio, Tempest, depois de uma espera de 3 anos por parte dos fãs do velho trovador. Agora é a vez de Jacob, seu filho mais famoso e o único que seguiu os passos do pai na carreira artística, apresentar ao mundo a nova empreitada de sua banda, o Wallflowers.
319 acessosBob Dylan: chineses vendem livros em pacotes de batatas fritas5000 acessosMini Iron Maiden: tocando "Ghost Of The Navigator" na escola

Para quem não lembra, o Wallflowers fez um bom sucesso durante o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, principalmente em seu país natal, os EUA. "Bringing down the horses", álbum multiplatinado lançado em 1996 foi o grande responsável por mostrar ao mundo que Jacob Dylan não merecia atenção apenas por ser o filho do velho Bob.

Assim como o pai, Jacob mostrou um grande talento como compositor, entregando belas canções como "6th Avenue heartache", "The difference" e o maior sucesso do grupo até hoje, "One headlight".

Além disso, a sequencia de bons lançamentos e o cover de "Heroes", composta e imortalizada na interpretação de David Bowie, mantiveram o nome dos Wallflowers em evidência por um bom tempo.

Mas, nem tudo são flores (sacaram o trocadilho?) na vida, e a banda deu uma pausa por tempo indeterminado em meados de 2006, época em que seu contrato com a antiga gravadora, a Interscope, havia terminado e as duas partes não mostraram interesse em renová-lo. Após Jacob lançar dois álbuns solo ("Seeing things" em 2008 e "Woman + Country" em 2010) e Rami Jaffee (tecladista e único membro original da banda, ao lado de Dylan) ter saído em turnê como músico de apoio dos Foo Fighters, a banda resolveu voltar reformulada com o bom "Glad all over", lançado em outubro desse ano pela Columbia Records.

A banda toda mostra-se extremamente competente e entrosada nesse trabalho. Greg Richling forma a cozinha com Jack Irons, conhecido baterista que já tocou com bandas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Joe Strummer. A dupla faz um ótimo trabalho, com linhas de baixo eficientes e criativas encaixando-se harmoniosamente aos arranjos diretos e certeiros de Jack (sua marca registrada em todos os trabalhos em que participou). Além disso, o guitarrista Stuart Mathis soube dosar bem sua técnica ao feeling (que predomina no álbum) com grande personalidade e bom gosto para timbres e efeitos.

O som do Wallflowers sempre teve bastante espaço para as "teclas", e Rami Jaffee soube aproveitar-se bem dessa característica do grupo, sendo, mais uma vez, um dos destaques do álbum, com seus arranjos sempre trabalhando em prol da música, sem utilizar sua técnica de maneira equivocada. Seja no piano ("Love is a country" é o melhor exemplo), órgão (os arranjos de "Reboot the mission " são sensacionais!) ou em timbragens mais simples e discretas de teclado (como em "Misfits and lovers" e "Have mercy on him now"), Rame mostra que sua falta seria bastante sentida, caso não houvesse voltado à banda (fato que quase ocorreu, pois o tecladista havia anunciado sua saída do grupo em 2007).

Outro fator que contribui para o alto nível do trabalho é a participação mais do que especial do grande Mick Jones, guitarrista e vocalista de uma das maiores bandas do rock de todos os tempos, e influência assumida de Jacob Dylan, o The Clash. Mick toca guitarra em "Misfits and lovers" e na já citada "Reboot the mission" (sendo que ele também empresta seus dotes vocais nessa última). Jacob canta na letra dessa mesma canção:
"Welcome Jack, the new drummer / He jammed with the mighty Joe Strummer / I see Rami, Greg and Stewart / I've to say, Jay, we've had it coming!".

Não por acaso, o álbum traz uma bem vinda adição de elementos mais grooveados e até mesmo dançantes, algo como o que o próprio The Clash fazia no começo dos anos 80, na fase pós "London Calling", mas com toques mais atuais. Nada que descaracterize o estilo da banda, apenas veio para agregar mais elementos ao resultado final.

A produção do álbum é muito eficaz no que se propõem. Nenhum instrumento se sobressai com relação a outro, todos têm seu espaço. É fato, porém, que todas as canções trabalham para Jacob, mas não de forma forçada. Sua interpretação cheia de sentimento e profundidade e sua voz rouca conseguem, de maneira natural, chamar todas as atenções para si Além disso, sua grande habilidade para criar belas letras (como as de "Love is a country" e "Constellation Blues") mais uma vez torna-se a cereja do bolo. Igualzinho ao que acontece com o Dylan "pai"...

Depois de ouvir "Glad All Over" o fã do Wallflowers com certeza ficará satisfeito com a volta do grupo; A adição de sangue e "pique" novo na banda trouxe elementos que podem contribuir para o grupo chamar atenção daqueles que não ligavam muito para sua música. E a qualidade inegável do trabalho pode ser usada como mais um argumento para aqueles que acreditam que "talento vem do berço".

The Wallflowers - Glad All Over (Columbia Records)

Tracklist:

1. "Hospital for Sinners"
2. "Misfits and Lovers"
3. "First One in the Car"
4. "Reboot the Mission"
5. "It's a Dream"
6. "Love Is a Country"
7. "Have Mercy on Him Now"
8. "The Devil's Waltz
9. "It Won't Be Long (Till We're Not Wrong Anymore)"
10. "Constellation Blues"
11. "One Set of Wings"

The Wallflowers:

Jakob Dylan: vocal e guitarra
Rami Jaffee: teclado e vocal
Greg Richling: baixo
Stuart Mathis: guitarra
Jack Irons: bateria e percussão

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Roger WatersRoger Waters
Que diabos há de errado com Bob Dylan?

319 acessosBob Dylan: chineses vendem livros em pacotes de batatas fritas0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Bob Dylan"

ReligiãoReligião
Top 10 citações sobre Deus e o Diabo

Bob DylanBob Dylan
É dele a "Maior Música de Todos os Tempos"

Bob DylanBob Dylan
As (únicas) 10 músicas dele que você precisa conhecer

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Wallflowers"0 acessosTodas as matérias sobre "Bob Dylan"

Mini Iron MaidenMini Iron Maiden
Tocando "Ghost Of The Navigator" na escola

MetallicaMetallica
Ulrich comenta os motivos da saída de Jason Newsted

Heavy MetalHeavy Metal
Autores que inspiraram o estilo: Friedrich Nietzsche

5000 acessosCarlos Eduardo Miranda: "Um monte de roqueirinho que só quer ser da Globo"5000 acessosDoors - Perguntas e Respostas5000 acessosAngra: A carta aberta de Edu Falaschi sobre a sua saída5000 acessosLinkin Park: um exemplo mostra que é a banda mais foda do mundo4934 acessosSlayer: uma ótima versão de "Raining Blood"com crianças true do Japão5000 acessosFrances Bean Cobain: assustada com tatuagem de fã

Sobre Sérgio Fernandes

Paulistano desde abril de 1988, Sérgio Fernandes é baterista da banda CARAPUÇA (www.youtube.com/tvcarapuca), diretor de imagem e produtor multimídia do portal Terra e formado em Rádio e TV pela UNISA em São Paulo no ano de 2009. Ouve rock desde pequeno por influência de seus pais. Entre suas bandas preferidas estão Sepultura, Rolling Stones, Rancid, Muse, Fresno, Slayer e qualquer outra que toque algo que lhe agradar os ouvidos, nunca se fechando a gêneros e estilo, mantendo a mente aberta a novas experiências sonoras. E-mail para críticas e sugestões: sergio_ong@hotmail.com.

Mais matérias de Sérgio Fernandes no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online