Wallflowers: extremamente competente e entrosada
Resenha - Glad All Over - Wallflowers
Por Sérgio Fernandes
Postado em 09 de novembro de 2012
Nota: 7 ![]()
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Esse ano de 2012 mostrou-se bastante prolífero para os "Dylan". Primeiro, Bob, o membro mais conhecido da família, lançou o seu 35º álbum de estúdio, Tempest, depois de uma espera de 3 anos por parte dos fãs do velho trovador. Agora é a vez de Jacob, seu filho mais famoso e o único que seguiu os passos do pai na carreira artística, apresentar ao mundo a nova empreitada de sua banda, o Wallflowers.
Para quem não lembra, o Wallflowers fez um bom sucesso durante o final dos anos 90 e começo dos anos 2000, principalmente em seu país natal, os EUA. "Bringing down the horses", álbum multiplatinado lançado em 1996 foi o grande responsável por mostrar ao mundo que Jacob Dylan não merecia atenção apenas por ser o filho do velho Bob.
Assim como o pai, Jacob mostrou um grande talento como compositor, entregando belas canções como "6th Avenue heartache", "The difference" e o maior sucesso do grupo até hoje, "One headlight".
Além disso, a sequencia de bons lançamentos e o cover de "Heroes", composta e imortalizada na interpretação de David Bowie, mantiveram o nome dos Wallflowers em evidência por um bom tempo.
Mas, nem tudo são flores (sacaram o trocadilho?) na vida, e a banda deu uma pausa por tempo indeterminado em meados de 2006, época em que seu contrato com a antiga gravadora, a Interscope, havia terminado e as duas partes não mostraram interesse em renová-lo. Após Jacob lançar dois álbuns solo ("Seeing things" em 2008 e "Woman + Country" em 2010) e Rami Jaffee (tecladista e único membro original da banda, ao lado de Dylan) ter saído em turnê como músico de apoio dos Foo Fighters, a banda resolveu voltar reformulada com o bom "Glad all over", lançado em outubro desse ano pela Columbia Records.
A banda toda mostra-se extremamente competente e entrosada nesse trabalho. Greg Richling forma a cozinha com Jack Irons, conhecido baterista que já tocou com bandas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Joe Strummer. A dupla faz um ótimo trabalho, com linhas de baixo eficientes e criativas encaixando-se harmoniosamente aos arranjos diretos e certeiros de Jack (sua marca registrada em todos os trabalhos em que participou). Além disso, o guitarrista Stuart Mathis soube dosar bem sua técnica ao feeling (que predomina no álbum) com grande personalidade e bom gosto para timbres e efeitos.
O som do Wallflowers sempre teve bastante espaço para as "teclas", e Rami Jaffee soube aproveitar-se bem dessa característica do grupo, sendo, mais uma vez, um dos destaques do álbum, com seus arranjos sempre trabalhando em prol da música, sem utilizar sua técnica de maneira equivocada. Seja no piano ("Love is a country" é o melhor exemplo), órgão (os arranjos de "Reboot the mission " são sensacionais!) ou em timbragens mais simples e discretas de teclado (como em "Misfits and lovers" e "Have mercy on him now"), Rame mostra que sua falta seria bastante sentida, caso não houvesse voltado à banda (fato que quase ocorreu, pois o tecladista havia anunciado sua saída do grupo em 2007).
Outro fator que contribui para o alto nível do trabalho é a participação mais do que especial do grande Mick Jones, guitarrista e vocalista de uma das maiores bandas do rock de todos os tempos, e influência assumida de Jacob Dylan, o The Clash. Mick toca guitarra em "Misfits and lovers" e na já citada "Reboot the mission" (sendo que ele também empresta seus dotes vocais nessa última). Jacob canta na letra dessa mesma canção:
"Welcome Jack, the new drummer / He jammed with the mighty Joe Strummer / I see Rami, Greg and Stewart / I've to say, Jay, we've had it coming!".
Não por acaso, o álbum traz uma bem vinda adição de elementos mais grooveados e até mesmo dançantes, algo como o que o próprio The Clash fazia no começo dos anos 80, na fase pós "London Calling", mas com toques mais atuais. Nada que descaracterize o estilo da banda, apenas veio para agregar mais elementos ao resultado final.
A produção do álbum é muito eficaz no que se propõem. Nenhum instrumento se sobressai com relação a outro, todos têm seu espaço. É fato, porém, que todas as canções trabalham para Jacob, mas não de forma forçada. Sua interpretação cheia de sentimento e profundidade e sua voz rouca conseguem, de maneira natural, chamar todas as atenções para si Além disso, sua grande habilidade para criar belas letras (como as de "Love is a country" e "Constellation Blues") mais uma vez torna-se a cereja do bolo. Igualzinho ao que acontece com o Dylan "pai"...
Depois de ouvir "Glad All Over" o fã do Wallflowers com certeza ficará satisfeito com a volta do grupo; A adição de sangue e "pique" novo na banda trouxe elementos que podem contribuir para o grupo chamar atenção daqueles que não ligavam muito para sua música. E a qualidade inegável do trabalho pode ser usada como mais um argumento para aqueles que acreditam que "talento vem do berço".
The Wallflowers - Glad All Over (Columbia Records)
Tracklist:
1. "Hospital for Sinners"
2. "Misfits and Lovers"
3. "First One in the Car"
4. "Reboot the Mission"
5. "It's a Dream"
6. "Love Is a Country"
7. "Have Mercy on Him Now"
8. "The Devil's Waltz
9. "It Won't Be Long (Till We're Not Wrong Anymore)"
10. "Constellation Blues"
11. "One Set of Wings"
The Wallflowers:
Jakob Dylan: vocal e guitarra
Rami Jaffee: teclado e vocal
Greg Richling: baixo
Stuart Mathis: guitarra
Jack Irons: bateria e percussão
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