Metallica: mais odiado e incompreendido da banda
Resenha - Saint Anger - Metallica
Por Aluisio Maia
Postado em 22 de outubro de 2012
Nota: 10 ![]()
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Esse foi o álbum mais odiado e incompreendido do Metallica. Pode alguém gostar dele? Por que motivos? Descubra abaixo.
Ok, ok, podem me chamar de louco, mas quero defender um ponto de vista defendido por poucos, quero realocar os pontos de vista preconceituosos que tenho visto ao longo de meus 20 anos como fã da melhor banda de metal do mundo. O fato é que Saint Anger retrata o verdadeiro espírito do Metallica. Como assim? Vou explicar.
Pelo que acredito, uma banda deve representar o que ela realmente é, deve ter culhões para seguir os seus preceitos e imprimir autenticidade a quem quer que seja. Seguindo essa razão, indubitavelmente, o Metallica à época de Saint Anger era puro, sublime e verdadeiro, diante de todos os fatos que ocorreram naquele tempo.
Os sentimentos de indefinição, insegurança, o medo, os sentimentos de ódio mútuo, o remorso pelo anos de sacanagens feitas contra o competente Jason Newsted e a redenção da volta de James Hetfield após o seu tratamento contra o alcoolismo, eclodiram naquele trabalho instigante, que se insurgiu numa espécie de osmose auto-criativa independente de razões externas ou influências puramente comerciais. Realmente um monstro foi criado, alimentado e libertado, aterrorizando mentes pueris e desafiando o senso comum, como uma boa banda de metal sabe fazer.
Nunca antes o Metallica foi tão democrático em suas criações, retratando exatamente o sentimento coletivo. Assistam ao filme "Some Kind of Monster" e percebam que realmente os membros finalmente ficaram nus diante das nossas vagas pretensões ou aspirações que tínhamos em relação à banda. Vimos numa vitrine, estupefatos, a fragilidade, as imperfeições, os aspectos sociológicos e a graça desmistificada da humanidade misturados naquele ambiente claustrofóbico, típico de quando enfrentamos nossos demônios de todos os dias.
Como resultado, o som, ou melhor, o grito gutural da banda surgiu como uma verve rasgando o ventre frágil de nossos medos e dissimulações. E nisso eles foram simplesmente perfeitos. A ausência de solos ou o som metalizado da bateria de Lars definiram aquele conceito quase que de vanguarda. Com toda a certeza, foi um álbum além de nossa compreensão limitada e preconceituosa. Isso faz lembrar-me do álbum acústico do Led Zeppelin ("Led Zepellin III"). Em 1970, um dos precursores do metal pesado se recolheram numa casa de campo no País de Gales e a despeito das críticas negativas, criaram uma obra prima que "representou um amadurecimento da música da banda",segundo o Wikipedia. Do mesmo modo,o Metallica olhou a si mesmo e venceu os seus próprios limites, foram para um local com o sugestivo nome de "Presidio of San Francisco" dando as mãos ao grande monstro que criaram ao longo dos anos e glorificaram o "Santo Ódio".
Tenho esse álbum, admiro esse álbum e vejo nele um marco zero de uma nova era do Metallica. Esse álbum representa o sacrifício e o renascimento, o corte na própria carne e a sua cauterização imediada.
Dessa forma, não podia ser diferente. Aliás, tinha que ser diferente. Diferente do que queremos ou projetamos, egoisticamente, para uma banda que amamos. Sempre me delicio com a voz vociferada de James e a bateria de Lars batendo como uma marreta em nosso juízo, incomodando e nos enchendo de sentimento e poder. O poder humano da adaptação.
Formação de Saint Anger:
James Hetfield (Vocais e Guitarra)
Kirk Hammet (Guitarra)
Bob Rock/Rob Trujillo(Baixo)
Lars Ulrich (Bateria)
Track List:
1- Frantic
2- St. Anger
3- Some Kind of Monster
4- Dirty Window
5- Invisible Kid
6- My World
7- Shoot Me Again
8- Sweet Amber
9- The Unnamed Feeling
10- Purify
11- All Within My Hands
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