Testament: considerado um dos melhores trabalhos do grupo
Resenha - Dark Roots of Earth - Testament
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 21 de setembro de 2012
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Em 7 de maio de 1997 estreou nos cinemas o filme "O Quinto Elemento". Dirigido pelo francês Luc Besson e escrito pelo próprio Besson ao lado de Robert Mark Kamen, o filme é uma ficção científica cheia de efeitos visuais espetaculares estrelada por Bruce Willis, Gary Oldman, Ian Holm, Chris Tucker e Milla Jovovich. Está longe de ser uma obra-prima, mas é muito bem feito e adquiriu status de cult com o passar dos anos.
O que o filme tem a ver com "Dark Roots of Earth", novo disco do Testament? Nada, absolutamente nada. No entanto, quando se pergunta para qualquer headbanger qual banda deveria fazer parte do Big 4 - o combo que une os quatro grandes do thrash norte-americano (Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax) - se houvesse espaço para um quinto nome, o grupo do vocalista Chuck Billy é a escolha da maioria. Nada mais justo.
Prestes a completar 30 anos de carreira, o Testament lança "Dark Roots of Earth", o seu décimo disco de estúdio. Produzido pelo respeitado Andy Sneap, o trabalho é o sucessor de "The Formation of Damnation" (2008), considerado um dos melhores trabalhos do grupo. Para alegria de quem curte som pesado, a qualidade foi mantida.
Há uma mudança de formação no novo play. Sai o competente Paul Bostaph e em seu lugar retorna o monstruoso baterista Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Fear Factory), que já havia gravado Demonic (1997) com a banda. Essa alteração deixou o som do Testament ainda mais agressivo, com passagens realmente insanas de bateria, com Hoglan colocando a sua experiência em metal extremo na jogada - ouça os blast beats de "True American Hate", por exemplo.
No entanto, o principal destaque de "Dark Roots of Earth" está na dupla de guitarristas Alex Skolnick e Eric Peterson. Alex, principalmente, está brilhante. Um dos instrumentistas mais completos do heavy metal, com experiências bem sucedidas em outros gêneros como o jazz, por exemplo, Skolnick surge como o maestro do Testament atual. Ele torna as composições criadas pelo parceiro Eric Peterson muito mais fortes, inserindo ideias e virando de cabeça para baixo os arranjos. E é justamente esse modo de entender a música que torna o Testament atual tão bom e mortífero. O grupo toca thrash metal, mas não se prende nem por um segundo somente nele. Há uma amplitude, uma variedade estilística, que faz a música do Testament soar única.
Enquanto bandas novatas olham para o passado buscando influências para criar, em grande parte, músicas que apenas requentam o que de melhor o thrash já produziu em sua história, cabe a um dos grupos mais tradicionais do gênero dizer que o caminho para a renovação do estilo não é esse. Não é ohando para trás que o thrash vai andar para frente, e o Testament demonstra essa mentalidade de forma prática em seu novo álbum. Usando e abusando da melodia, que se equilibra com o lado mais agressivo da sonoridade do grupo - aspecto que ficou, como disse, ainda mais acentuado com a adição de Gene Hoglan -, o Testament mostra que é justamente a adição de novos elementos e influências que faz não somente o thrash, mas qualquer gênero musical, se renovar e ficar mais forte, tornando-se sempre relevante.
As composições de "Dark Roots of Earth" são fortes e, em grande parte, excelentes. Chuck Billy está cantando muito bem, como de costume. Mas o que faz o disco brilhar e voar alto é o trabalho de guitarras. As melodias são onipresentes. As bases e riifs de Peterson despejam peso, enquanto Skolnick soa sempre surpreendente. É impossível prever para onde ele irá a cada intevenção, a cada solo. E tudo isso é ancorado pela fenomenal e sólida cozinha formada por Hoglan e pelo baixista Greg Christian.
Entre as faixas, destaque para "Rise Up", que abre o disco com classe absoluta. "Native Blood" tem o melhor refrão do disco e riffs excelentes, e inscreve-se desde já entre as melhores músicas da carreira do Testament. "True American Hate" é outra pedrada, enquanto a faixa-título retoma a aproximação que o thrash, de uma maneira geral, sempre teve com o rock progressivo, com ricas e complexas passagens instrumentais e um arranjo crescente. "Throne of Thorns" é uma odisséia de mais de sete minutos com riffs animalescos e a melhor performance de Chuck em todo o disco.
E há "Cold Embrace", uma balada que pode dividir opiniões entre os fãs. Alguns irão gostar, enquanto outros poderão julgá-la desnecessária. De fato, "Cold Embrace" destoa totalmente das outras oito faixas de "Dark Roots of Earth". A faixa leva a música do Testament para um terreno até então inédito - no caso, o classic rock. Sem economizar na sacarose nas linhas vocais, a banda usa do clássico expediente "início lento com explosão pesada no final", explorando o contraste entre os momentos distintos da composição. Entretanto, a empreitada não convence e soa cansativa e sem inspiração, sensação totalmente contrária à causada pelas demais músicas do disco. Além de tudo, se estende até quase beirar os oito minutos em uma estrutura repetitiva que não acrescenta nada ao trabalho.
A versão normal de "Dark Roots of Earth" tem 9 faixas, mas a edição especial do disco conta com quatro faixas bônus. Três delas são covers - "Dragon Attack" do Queen, "Animal Magnetism" do Scorpions e "Powerslave" do Iron Maiden -, enquanto a quarta é uma gravação ligeiramente diferente e um pouco mais longa de "Throne of Thorns". "Dragon Attack" é diversão pura, e sua audição deixa isso latente. "Animal Magnetism" ganhou doses cavalares de peso e ficou maravilhosamente sombria. E "Powerslave" parece ter nascido para ser regravada por uma banda de thrash metal, já que a sua estrutura intrincada e cheia de mudanças de andamento casa perfeitamento com o estilo, como demonstra a competente releitura do Testament.
"Dark Roots of Earth" é um ótimo disco. Em se tratando de thrash metal, provavelmente o melhor de 2012. Vale, e muito, o play!
Faixas:
Rise Up
Native Blood
Dark Roots of Earth
True American Hate
A Day in the Death
Cold Embrace
Man Kills Mankind
Throne of Thorns
Last Stand For Independence
Bonus:
Dragon Attack
Animal Magnetism
Powerslave
Throne of Thorns
Outras resenhas de Dark Roots of Earth - Testament
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As Obras Primas do Rock Nacional de acordo com Regis Tadeu
O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
31 discos de rock e heavy metal que completam 40 anos em 2026
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
O disco em que o Dream Theater decidiu escrever músicas curtas
O ícone do heavy metal que foi traficante e andava armado no início da carreira
Sebastian Bach reafirma ter sido convidado para se juntar ao Mötley Crüe
O episódio que marcou o primeiro contato de Bruce Dickinson com "Stargazer", do Rainbow
Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
Guitarrista do Metal Church responde declarações de ex-vocalista
O brasileiro que deixou Jimmy Page desconfortável: "Me recuso a responder essa pergunta"
Fernanda Lira diz que para criminalidade reduzir é preciso "não votar em quem odeia pobre"

Alex Skolnick relembra momento de rivalidade entre Testament e Exodus
O melhor disco de heavy metal de 2025, segundo o Loudwire
O melhor álbum de thrash metal lançado em 2025, segundo o Loudwire
Os 50 melhores álbuns de 2025 segundo a Metal Hammer
Loudwire elege os 11 melhores álbuns de thrash metal de 2025
A música do Testament que expressa a luta dos povos indígenas
O álbum clássico do thrash metal que foi composto no violão
Os ícones do heavy metal que são os heróis de Chuck Billy, vocalista do Testament
Metallica: "Load" não é um álbum ruim e crucificável
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?


