Flying Colors: O som produzido pela mistura do virtuosismo.
Resenha - Flying Colors - Flying Colors
Por Rodrigo Luiz
Postado em 03 de agosto de 2012
Nota: 10 ![]()
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Quando um supergrupo se forma, surge imediatamente uma curiosidade em relação à sua sonoridade e até mesmo uma certa dúvida em relação à sua qualidade. Juntar músicos talentosos e experientes pode dar muito certo, mas pode também ser um verdadeiro fracasso. O Asia bem nos alertou, trazendo melodias pop e sintetizadores que nem de longe lembravam os trabalhos que Steve Howe, Carl Palmer, Greg Lake e Chris Slade faziam em suas bandas. Naturalmente, o projeto não soou nada bem aos ouvidos dos fãs, que esperavam muito mais do que músicas pop e puramente radiofônicas de músicos que tinham bandas como King Crimson, Yes e EL&P em seus currículos. Além disso, com os músicos vêm também os seus egos e é preciso um cuidado especial para mantê-los desinflados.
Felizmente, parece que deu tudo certo para o Flying Colors e isso se reflete na sua música. A banda é formada por Mike Portnoy (bateria, vocais) e seu velho amigo Neal Morse (teclados, vocais), Steve Morse (guitarra), Dave LaRue (baixo) e Casey McPherson (vocais). A brilhante ideia de rení-los partiu do produtor Bill Evans, que queria um grupo com um som acessível e ao mesmo tempo refinado. A escolha dos membros não poderia ter sido melhor, pois é exatamente esse o som produzido pela mistura do virtuosismo dos músicos com o vocal mais pop de Casey McPherson.
A primeira faixa do disco, "Blue Ocean", resume bem isso, com uma levada pop leve e atraente, mas com um intrumental rebuscado e sem descuidar da qualidade nos arranjos. "Shoulda Coulda Woulda" e "All Falls Down" mostram o lado mais pesado do grupo e pendem bastante para o stoner rock, com excelentes performances de Steve Morse e Portnoy. Não é nada que nos faça bater cabeça, mas irá agradar os fãs headbangers. Seguindo a linda de "Blue Ocean", temos a balada "Kayla" e "The Storm" com belas e instantâneas melodias e ótimos arranjos. "Forever In a Daze" compartilha dessas qualidades e conta ainda com uma ótima performancde de LaRue, dando um show com seus slaps funkeados.
"Love Is What I'm Waiting For" bebe da fonte dos Beatles, mas tem um solo de guitarra que parece ter sido sido feito por Brian May em algum disco do Queen nos anos 70. As baladas "Everything Changes" e "Better Than Walking Way" dão sequência ao disco e mantém a qualidade. A primeira transita por um território mais progger, mas ambas têm lindas melodias e grande força emocional, com potencial para clássico. Mike Portnoy dá o ar de sua graça nos vocais da balada sessentista "Foll In My Heart", uma espécie de mistura entre The Platters e Beach Boys. "Infinite Fire" encerra o disco mostrando um pouco de tudo até aqui, transitando pelos mais diversos gêneros e atmosferas. Um prato cheio para os proggers.
Flying Colors é um clássico contemporâneo, um disco leve, refrescante e com uma soltura que beira à despretensão. As influências dos integrantes foram muito bem misturadas e destiladas com muito bom gosto, com elementos que vão do prog setentista do Yes, passando pelo hard rock do Deep Purple até o neo-prog do Muse, com pitadas de pop e até mesmo do funk, resultando numa sonoridade única e exaustivamente viciante. Fortíssimo candidato a melhor disco do ano.
Tracklist:
1. Blue Ocean
2. Shoulda Coulda Woulda
3. Kayla
4. The Storm
5. Forever in a Daze
6. Love is What I'm Waiting For
7. Everything Changes
8. Better Than Walking Away
9. All Falls Down
10. Fool in My Heart
11. Infinite Fire
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