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Borkagar: Mais uma vez nos surpreendendo

Resenha - Urd - Borknagar

Por Marcos Garcia
Postado em 21 de março de 2012

Nota: 10

Há bandas que nos surpreendem a cada CD que fazem, pois quando já achamos que elas não conseguirão mais surpreender-nos, eis que lá vem uma autêntica e maravilhosa surpresa a assaltar nossos ouvidos e corações, mesmo quando algumas polêmicas surgem entre os fãs quando há mudanças em sua formação, naquela típica coisa de criança de ‘ah, mas não é mais fulano quem está na banda’, não dando o crédito devido a quem entra, e que pode fazer um trabalho sublime.

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E mais uma vez nos surpreendendo vem o sexteto norueguês BORKNAGAR, famoso por ser um dos pioneiros do uso de elementos de Metal extremo com nuances vintage e muita psicodelia e Progressivo dos anos 70 em sua música complexa, melódica, densa, e climática, mas que ao mesmo é agressiva e cheia de vitalidade, que chega até nós com seu mais recente trabalho, ‘Urd’, lançado pela Century Media Records alemã.
A polêmica que surgiu há alguns tempos é relacionado à volta de ICS Vortex, pois na visão de muitos, ele assumiria os vocais da banda no lugar de Vintersorg, em um autêntico festival de fofocas dignas de programas televisivos e revistas. Mas ‘Urd’ vem para provar que a banda está com ambos, e que onde há genialidade musical, não há espaço para influências de papos furados baseados em achismos, já que ambos fazem vocalizações no CD.

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Falar na sonoridade da banda ou da qualidade de seus músicos é algo dispensável, pois cada um deles é reconhecido por seu talento, e cabe um adendo apenas à bateria e à percussão, pois quem toca no disco é David Kinkade (ex-MALEVOLENT CREATION, atualmente no SOULFLY), logo, nada mais precisa ser dito além do fato que sua pegada pesada e sua técnica deram muito peso à cozinha rítmica da banda.

O nome ‘Urd’ vem de uma das nornas da Mitologia Nórdica, representando o passado (mais explicações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Nornas), e conforme algumas declarações de Øystein G. Brun, líder e guitarrista da banda, é uma espécie de ‘volta às origens’ em termos de temas, ou seja, ‘a admiração e ponderação sobre a natureza e o lugar da humanidade nela’, mas mesmo assim, a banda musicalmente dá um passo à frente no tocante à musicalidade, e a arte do CD (feita mais uma vez pelo artista brasileiro por Marcelo Vasco, ou Marcelo HVC, como também é conhecido) reflete este aspecto.

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A produção sonora, feita nos Fascination Street Studios na Suécia, é algo de maravilhoso, e deixa aquele belo clima vintage, sem perder a limpeza e elegância que a música da banda possui, mantendo cada instrumento em seu lugar devido, mas dando um brilho e peso absurdos.

Agora, quando se coloca o disquinho para rolar, meus caros, a experiência é de tirar o fôlego e arrancar lágrimas de pura emoção dos olhos, pois ‘Urd’ é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores CDs do ano, perfeito de ponta a ponta, sem deficiências.

Abrindo, ‘Epochalypse’ é uma faixa em que a alternância de andamentos e virtuosismo dão a tônica, com um excelente trabalho das guitarras de Øystein e Jens e as os belos duetos entre os vocais rasgados e limpos são de uma beleza extremamente progressiva, bem como os teclados abrilhantam a música em cada nuance. Em ‘Roots’, temos uma canção bem forte nas emoções, mesmo com os vocais ríspidos de Vintersorg firmes sob as bases melódicas e quando há guitarras limpas, mesmo quando a velocidade fica explícita, fato que também ocorre na excelente ‘The Beauty of Dead Cities’, belíssima e muito bem trabalhada. Em ‘The Earthling’, vemos uma canção muito mais climática e densa, com uma introdução muito progressiva, onde os vocais ríspidos casam tão bem com a música quanto os limpos, e é bem complexa em arranjos e estruturas musicais.

‘The Plains of Memories’ é uma linda instrumental, bem progressiva e melódica, mas sem sair do contexto do CD. Apesar de iniciar mais cadenciada, ‘Mount Regency’ é uma canção bem forte e intensa, graças às bases de David e Vortex (que anda tocando muito em todo o CD) e os vocais rasgados e guturais em duetos ótimos e postado com maestria, e outros com vozes normais e o rasgado de Vintersorg, que é bem particular. ‘Frostrite’, a próxima, dá uma aula de peso e melodia bem postados, e ótimos vocais limpos em duelos de Vintersorg e ICS Vortex permeiam-na toda, bem como guitarras e teclados criando climas belíssimos e a base rítmica mostra que não é composta de músicos fracos. Com seus mais de oito minutos de duração, ‘The Winter Eclipse’ é um autêntico festival de variações musicais, rica em mudanças rítmicas e de vocais, mas é uma faixa coesa, pesada, firme, com aquele selo de qualidade ‘BORKNAGAR’ que todos conhecemos e gostamos.

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Encerrando o CD, temos ‘In a Deeper World’, na mesma linha da antecessora, apenas com alguns toques um pouco mais agressivos aqui e ali, que faz a pessoa querer mais e mais, vontade que é saciada após colocar o CD para rolar mais algumas vezes, já que cada audição tem novas surpresas e deleites, pois ‘Urd’ é musicalmente complexo e rico, mas que pega o ouvinte logo na primeira ouvida.

Perfeito, e mais um item obrigatório na coleção de qualquer fã de Metal e de boa música que se preze. E o melhor de tudo é que a versão Digipak trás dois bônus: a inédita ‘Age of Creation’, e o cover ‘My Friend of Misery’, do METALLICA.

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URD – Borknagar
(2012 – Century Media Records – Importado)

Tracklist:
01. Epochalypse
02. Roots
03. The Beauty of Dead Cities
04. The Earthling
05. The Plains of Memories
06. Mount Regency
07. Frostrite
08. The Winter Eclipse
09. In a Deeper World

Formação:
Øystein G. Brun – Guitarras limpas e distorcidas
Vintersorg –Vocais rasgados, limpos e corais
Lars A. Nedland – Teclados, vocais limpos e corais
ICS Vortex – Baixo, vocais limpos e corais
Jens F. Ryland – Guitarra solo
David Kinkade – Bateria e Percussão

Contatos:
http://www.borknagar.com
http://www.facebook.com/borknagarofficial
http://www.myspace.com/borknagar
http://www.facebook.com/borknagarofficial

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".
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