Naglfar: Rótulos servem para compras de supermercados
Resenha - Téras - Naglfar
Por Marcos Garcia
Postado em 20 de março de 2012
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Ainda existe muita polêmica no tocante chamado Black Metal menos ríspido e cru ao qual muitos estão acostumados, já que não é raro vermos bandas que preferem usar de melodias mais soturnas e climáticas, mas sem, no entanto perder suas raízes firmes no som underground de onde ele saiu no início dos anos 90, já que na década de 90, as mudanças de direcionamento eram tão constante que tornavam a classificações de certas bandas uma tarefa digna de um herói da mitologia greco-romana, já que era algo extremamente difícil.
E assim o experiente grupo sueco NAGLFAR, bem conhecido na cena, que já possui status de banda Cult no underground do Metal extremo, e que após cinco anos de ausência desde seu último CD de estúdio, ‘Harvest’ de 2007, retorna com mais um trabalho de estúdio agressivo, que se chama ‘Téras’, lançado pela Century Media Records.
Usando a fórmula vista em ‘Harvest’, só que um passo adiante, o NAGLFAR mostra que não perdeu seu poder de fogo, mas que andou apurando um pouco sua técnica, já que ‘Téras’ mostra uma banda forte e com certo refinamento musical, mas que ao mesmo tempo não abre mão de sua sonoridade característica, ou seja, os vocais estão a mesma insanidade, mas com uma técnica de cantar absurda (que, para aqueles que conhecem do assunto, colocam Kriss como um dos melhores do estilo de todos os tempos), as guitarras se alternam em momentos velozes e ríspidos com melodias sinistras muito bem feitas, teclados sinistros aqui e ali como pano de fundo, enquanto a cozinha rítmica baixo e bateria esbanjam peso, técnica e entrosamento, em alternâncias de andamentos que deixam qualquer ouvinte pasmo. Apesar de agora ser apenas um trio, já que o guitarrista Marcus também tocar baixo e teclados no CD, e o batera Dirk Verbauren (sim, o mesmo do SOILWORK, e ex-ABORTED) é um convidado da banda.
No tocante à arte, ela é belíssima, bem como muito bem trabalhada, especialmente a capa (feita por Niklas Sundin, do DARK TRANQUILLITY), e a produção sonora, feita nos Wolf’s Lair Studios, sendo produzido pela banda, mixado por Mattias Eklund nos Toontrack Studios, e masterizado por Göran Finnberg nos Mastering Room Studios (as partes de bateria foram gravados nos Die Crawling Studios), é limpa, mas não cristalina, para não perder aquele clima soturno do estilo deles, ou seja, um absurdo festival de agressividade, peso, técnica, melodias climáticas, muito bem equilibrado e capaz de pôr na linha todos os que tentam nos empurrar goela abaixo ‘músicas’ de péssimo gosto, ou seja, os ritmos modistas que tanto nos incomodam e que sempre fazem sucesso no nosso país.
Abrindo o CD, temos ‘Téras’, uma intro pesada e forte, quase uma mini canção, criando clima para a ótima ‘Pale Horse’, que já havia sido disponibilizada para a audição há algum tempo, com ótimos riffs de guitarras e um trabalho vocal de Kriss que deixa qualquer um surpreso, seja pela dicção ou impostação de sua ótima e potente voz. Já ‘III: Death Dimension Phantasma’ é um pouco mais cadenciada, com belos solos melodiosos, bases muito bem trabalhadas, e mais uma vez Kriss rouba a cena, com vocalizações absurdas, seja nos momentos mais velozes, seja nos mais up-tempo. ‘The Monolith’ começa com uma entrada soturna, até que desemboca em um andamento arrastado bruto capaz de deixar o ouvinte pasmo, com teclados sinistros ajudando a manter o clima opressivo, e seria injusto não mencionar o trabalho de baixo e bateria tão bem feito e extremamente pesado. A brutalidade continua em ‘An Extension of His Arm and Will’, um pouquinho só mais rápida que a anterior, onde o batera Dirk dá mostras do quanto é bom músico, já que as suas variações é técnica imprimem ritmo alucinante o tempo todo, mesmos elementos musicais encontrados em ‘Bring Out your Dead’, onde as guitarras se sobressaem, e dão impressão que se os senhores Smith e Murray começassem a fazer o estilo hoje, estariam fazendo algo nesse estilo, já que Andreas e Markus sabem fazer belas e soturnas bases com melodia e peso opressor. ‘Come Perdition’ é uma canção bem rápida, mas com andamentos empolgantes, embora existam momentos mais amenos, e mais uma vez existem melodias de guitarra com estruturas bem montadas e tocadas por uma dupla que entende bem o que quer fazer, ou seja, com teclados fazendo aparições oportunas, e tudo isso um festival de variações musicais. ‘Invoc(H)ate’ é uma autêntica aula de como se faz música agressiva e ríspida, mas usando de alternâncias de andamento e estruturas melódicas para se ter uma faixa memorável, especialmente porque a banda toda dá um show inclemente. Fechando o CD, temos ‘The Dying Flame Of Existence’, a mais longa, pois passa dos oito minutos, que se inicia com guitarras bem ‘maidenianas’ antes de virar um caos em forma de uma música cadenciada, pesada e cativante, mas ao mesmo tempo bem trabalhada ao ponto de ser algo surpreendente.
Ou seja, o NAGLFAR continua sendo um dos nomes mais fortes da cena mundial do Black Metal, ainda tem muito a oferecer, e ‘Téras’ entrará facilmente no ‘top ten’ de todo fã de Metal que se preze, sem radicalismos e que sabe que rótulos servem para compras de supermercados, mas nunca como parâmetro para gosto...
E você, está esperando mais o que?
Corre atrás do seu!
Tracklist:
01. Téras
02. Pale Horse
03. III: Death Dimension Phantasma
04. The Monolith
05. An Extension of His Arm and Will
06. Bring Out your Dead
07. Come Perdition
08. Invoc(H)ate
09. The Dying Flame of Existence
Formação:
Krisstoffer Olivius – Vocais
Andreas Nilsson – Guitarras
Marcus E. Norman – Guitarras, baixo, teclados
Dirk Verbeuren – Bateria
Contatos:
https://www.facebook.com/naglfarofficial
http://www.naglfar.net
http://www.myspace.com/naglfar
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A canção do Metallica que ainda emociona James Hetfield toda vez que ele a escuta
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
Ouça música que Keith Richards gravou para trilha de "Grand Theft Auto VI"
Angus Young (AC/DC) autografa bebê no Canadá
O grande problema do show de Roger Waters, segundo Ed Motta
"Nunca compusemos juntos" - Roger Waters explica sua parceria com David Gilmour no Pink Floyd
Disco novo do Anthrax tem música que mistura Slayer e Metallica da era "Load"
Regis Tadeu finalmente explica detalhe do Iron Maiden que fãs discutem há 20 anos
O clássico do Oasis que Noel Gallagher escreveu após sair de boate de strip-tease
Como a opinião de James Hetfield sobre Lars Ulrich mudou ao longo dos anos
A mensagem escondida na intro de "Hell Awaits", clássico do Slayer
Falling in Reverse lança "Joseph", com Corey Taylor (Slipknot) e Serj Tankian (SOAD)
A canção e álbum dos Beatles que eram os favoritos de Kurt Cobain
Dez covers que são mais ouvidos que as versões originais no Spotify
Debandados: saíram de uma banda e formaram outras de igual pra melhor
Pink Floyd: os álbuns da banda, do pior para o melhor, pela UCR

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



