Moda de Rock: Hinos em ótimas versões com viola caipira

Resenha - Viola Extrema - Moda de Rock

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Na década de noventa, o trio finlandês de violoncelistas do APOCALYPTICA foi pioneiro em transformar clássicos do rock em músicas de forte apelo clássico e instrumental. Os anos se passaram e muitos outros grupos apareceram com uma proposta semelhante, mesmo que a ideia no Brasil ainda fosse pouco explorada. Para reverter o quadro, a dupla ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI mostra muita vontade e competência em “Moda de Rock: Viola Extrema”. Os dois mestres em viola caipira selecionaram onze hinos do rock e deram um toque bem brasileiro às músicas. O resultado é um disco excepcional.
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Com uma carreira consistente no cenário musical brasileiro, ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI fazem parte da banda MATUTO MODERNO e já trabalharam em estúdio – e também em turnês – com artistas renomados da MPB. O projeto “Moda de Rock: Viola Extrema” é a consequência de uma antiga ideia da dupla, que dá aulas de viola caipira – um instrumento tipicamente nacional – em conservatórios de São Paulo. Por conta disso tudo, o resultado final do álbum, que foi mixado no aclamado Abbey Road Studios (Londres), é o mais consistente possível e evidencia todo um cuidado na releitura de músicas importantíssimas para a história do rock e do heavy metal. Os dois tiveram competência técnica e tempo de sobra para que o repertório de “Moda de Rock: Viola Extrema” não soasse rasteiro ou pouco inspirado.

A qualidade técnica da dupla de violistas assume a dianteira desde a abertura do track-list. A clássica “Kashmir” (do LED ZEPPELIN) manteve toda a densidade dos riffs originalmente construídos por Jimmy Page, mesmo que executada com apenas dois instrumentos acústicos, e ainda recebeu um toque ímpar da leveza típica da música sertaneja. O disco “Moda de Rock: Viola Extrema” mostra também o cuidado de ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI em reproduzir os arranjos originais em toda a sua complexidade. A viola cabacítara – quase uma cítara árabe – aparece em “Kashmir” como forma de complementar a riqueza sonora da faixa gravada por Robert Plant & Cia. no álbum “Physical Graffiti” (1974). Na sequência, tanto “Master of Puppets” (do METALLICA) como a inusitada “Norwegian Wood” (do THE BEATLES) corroboram com a teoria que “Moda de Rock: Viola Extrema” é um álbum distinto e excelente dentro da sua proposta.

A clareza com que se ouve a performance de ZÉ HELDER (canal esquerdo) e a de RICARDO VIGNINI (canal direito) é impressionante. Não é apenas a qualidade técnica da dupla que fica evidente do início ao fim do álbum. O que se sobressai, acima de qualquer outra coisa, é a naturalidade com que os dois violistas construíram o repertório de “Moda de Rock: Viola Extrema”. Como prova dessa outra teoria, “In the Flesh”, do PINK FLOYD, pode ser citada como um dos principais ápices da obra, sobretudo por conta do clima leve, típico da música sertaneja de raiz, que contornou o clássico escrito por Waters/Gilmour/Wright. Na cola de “In the Flesh”, outro destaque absoluto do disco: “Kaiowas”, do SEPULTURA, que teve toda a sua agressividade reinterpretada através do palmeado e do sapateado do convidado Edson Fontes. A influência da música nordestina – da banda paulista explorou com propriedade em “Roots” (1996) – permaneceu intacta e mostrou ainda mais brilho. A mesma brasilidade reaparece na ótima versão de “May This be Love” (JIMI HENDRIX).

A riqueza sonora é uma das coisas que ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI atingiram em “Aces High”, do IRON MAIDEN. A faixa escrita por Steve Harris, para o disco “Powersalve” (1984), manteve todos os seus arranjos originais e ganhou ainda uma densidade sobressalente com todos os solos e bases remodeladas na viola. O mesmo se pode afirmar quanto às linhas de guitarra gravadas por Randy Rhoads em “Mr. Crowley” (OZZY OSBOURNE): em “Moda de Rock: Viola Extrema”, toda a intensidade da faixa permanece também intacta. O cuidado aliado à destreza técnica é o que torna o primeiro álbum da dupla ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI um trabalho incrível e um dos mais surpreendentes de 2011.

Na reta final do disco, as releituras de “Smells Like Teen Spirit” (do NIRVANA) e de “Aqualung” (do JETHRO TULL) também podem ser elevadas ao time dos principais destaques do álbum. No entanto, o único pecado fica por conta de uma má escolha: “Hangar 18”, do MEGADETH, é a faixa que não pareceu bem encaixada à proposta da viola caipira. Para mim, se a dupla ZÉ HELDER & RICARDO VIGNINI tivesse escolhido “Trust” ou “Symphony of Desctruction”, do repertório de Dave Mustaine & Cia., o resultado final da obra seria uma invejável nota dez. De qualquer modo, todas as qualidades de “Moda de Rock: Viola Extrema” evidenciam a imponência no disco. Não é por acaso que a obra conquistou um enorme prestígio, tanto aqui no Brasil como nos Estados Unidos. Imperdível.

Site: http://www.modaderock.com.br

Track-list:

01. Kashmir
02. Master of Puppets
03. Norwegian Wood
04. In the Flesh
05. Kaiowas
06. May this Be Love
07. Aces High
08. Mr. Crowley
09. Smells Like Teen Spirit
10. Hangar 18
11. Aqualung

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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