Comitiva do Rock: Para fã de heavy metal com senso de humor
Resenha - Vaca... é a mãe! - Comitiva do Rock
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 25 de dezembro de 2011
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Então...vamos direto ao ponto, antes que alguém se machuque por aqui. Se você é do tipo true, mas true mesmo, headbanger que até hoje não perdoa o Gamma Ray por ter feito um cover dos Pet Shop Boys e acha um absurdo que o Andreas Kisser tenha ousado tocar guitarra com o Junior (aquele que é irmão da Sandy), então a recomendação é seguinte: não ouça este disco. Aliás, nem leia esta resenha. Mude de página agora mesmo. Recomendamos colocar o nome de uma banda norueguesa obscura e satânica na busca para limpar seus olhos do que porventura possa ter visto por aqui. Agora, se você se enquadra na categoria "fã de heavy metal com senso de humor", então a Comitiva do Rock foi feita para você – é, para você mesmo, que sabe apreciar uma boa diversão. Pois é, porque o disco de estréia dos caras, "Vaca...é a mãe" é uma grande piada, do início ao fim. Da qual você pode gostar ou não, é direito e prerrogativa de cada um. Eu gostei. E muito, diga-se de passagem. E é por isso que a nota deste disco é rigorosamente esta que você vê logo aí, abaixo. Goste você ou não. Entenda você o conceito de "humor" ou não.
Comitiva do Rock - Mais Novidades
A formação da Comitiva do Rock se deu de maneira diferente da gênese do Massacration, outro fenômeno da sátira heavy metal brasileira. Ao invés de um bando de comediantes fãs de metal que formaram uma banda para sacanear os clichês do gênero, os caras da Comitiva são músicos com bom tempo de estrada, alguns até bem conhecidos por sua luta aguerrida em defesa do metal tupiniquim mais underground. O caso é que, bem lá no fundo, debaixo das camisetas pretas típicas e dos cabelões dos fãs de rock pesado, eles sabiam que curtiam um tantinho de música brega.
E foi assim, brincando, que eles começaram a misturar as guitarras distorcidas do heavy metal com as violas românticas e as letras apaixonadas (algumas vezes, na medida certa para uma boa dor de corno) das duplas sertanejas exportadas diretamente de Goiás. O que era para ser apenas um par de jams para desopilar o fígado acabou se transformando em um repertório que corajosamente mete o riff de "Crazy Train", do madman Ozzy Osbourne, no meio da melodia de "Meteoro", do teen sertanejo Luan Santana – tudo isso adornado por uma letra que conta os percalços de uma delicada visita ao bordel mais próximo, assim que sai o pagamento do mês. Foi assim que nasceu a divertida "Troca o Óleo".
Travestidos por trás de codinomes que misturam ídolos do metal com nomes populares do sertanejo (gerando denominações como Zezé Cavalera, Hudson Vai e Slash Sorocaba), os caras usam e abusam do direito de serem infames – como bem cabe, aliás, a qualquer bom humorista. Afinal, só sendo muito infame para colocar o tecladinho de "Jump" (Van Halen) para introduzir uma versão de "Jeito de Cowboy" (Chitãozinho e Xororó), com a letra devidamente alterada para narrar o caso de um travesti que até que engana bem em "Jeito de Boneca". Ou na excelente "Leitão", que evoca o riff de "Paradise City" (Guns ‘n Roses) para brincar com estas manias de dietas, numa paródia cujo coração é um hit dos gordinhos César Menotti e Fabiano.
E se você quer entender de fato todo o conceito por trás da Comitiva do Rock, é melhor colocar para rodar "Viola com Distorção", hino que começa com uma referência a "I Love It Loud", do Kiss, faz menção a "We Will Rock You", do Queen, e mantém a base da música "Galera Coração", da recém-reformada dupla Edson e Hudson – este último, aliás, roqueiro confesso e apaixonado. A letra é uma declaração de amor à liberdade desta mistura, ao rock do sertão, ao "Iron Maiden na viola" e ao "Tião Carreiro na guitarra". E o que é melhor: a coisa toda funciona, rapaz.
Deixe os preconceitos de lado e divirta-se com a proposta despretensiosa da Comitiva. Afinal, como o mestre do brega Falcão inteligentemente versa em sua participação na canção "Vida de Pedreiro" – quem disse que roqueiro não pode ouvir Chitão? E quem disse que caipira não pode ouvir metal? Pois é. Quem disse?
Line-Up:
Zezé Cavalera – Vocal
Ralf Young – Guitarra
Hudson Vai – Guitarra
Slash Sorocaba – Guitarra
Ozzy Menotti – Baixo
Tonico McBrain – Bateria
Vaca Metaleira – Mascote
Tracklist:
1. Galinha Burana (Intro)
2. Não foi de graça
3. Jeito de boneca
4. Leitão
5. Filho pentelho
6. Não é o Pelé!
7. Amigo ensaboado (Live in Pelotas)
8. Viola com distorção
9. Vida de pedreiro (com Falcão)
10. A filha de Chico
11. Caloteira
12. Eu não sei falar inglês
13. O viagra é o segredo
14. Troca de óleo
15. A vaquinha *bônus
16. Troca de óleo *bônus (videoclipe)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bono e The Edge explicam o que mantém o U2 unido há 50 anos
O gênero musical que Slash considera mais vibrante que o rock atualmente
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
A música que Ian Gillan considera a melhor de sua carreira, acima dos clássicos do Deep Purple
Os graves erros que Mick Mars cometia no palco do Motley Crue, segundo Tommy Lee
A música que Jon Bon Jovi nunca cantaria, segundo Desmond Child
Zakk Wylde lembra breve período como guitarrista do Guns N' Roses
A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
Angra reúne Kiko, Falaschi e Akira Takasaki, do Loudness, em apresentação de "Burn", do Purple
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
O guitarrista que Angus Young considera o mais superestimado do rock
O motivo que enterrou os planos do Sonata Arctica para os 30 anos de carreira
As últimas músicas tocadas por 15 bandas de rock e metal que não fazem mais shows
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden
A opinião de Robert Plant sobre o rei Elvis Presley
O comportamento em comum de James Hetfield e Bruce Dickinson que irrita alguns fãs
Fotos de Infância: Marilyn Manson

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



