Comitiva do Rock: Para fã de heavy metal com senso de humor

Resenha - Vaca... é a mãe! - Comitiva do Rock

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Então...vamos direto ao ponto, antes que alguém se machuque por aqui. Se você é do tipo true, mas true mesmo, headbanger que até hoje não perdoa o Gamma Ray por ter feito um cover dos Pet Shop Boys e acha um absurdo que o Andreas Kisser tenha ousado tocar guitarra com o Junior (aquele que é irmão da Sandy), então a recomendação é seguinte: não ouça este disco. Aliás, nem leia esta resenha. Mude de página agora mesmo. Recomendamos colocar o nome de uma banda norueguesa obscura e satânica na busca para limpar seus olhos do que porventura possa ter visto por aqui. Agora, se você se enquadra na categoria “fã de heavy metal com senso de humor”, então a Comitiva do Rock foi feita para você – é, para você mesmo, que sabe apreciar uma boa diversão. Pois é, porque o disco de estréia dos caras, “Vaca...é a mãe” é uma grande piada, do início ao fim. Da qual você pode gostar ou não, é direito e prerrogativa de cada um. Eu gostei. E muito, diga-se de passagem. E é por isso que a nota deste disco é rigorosamente esta que você vê logo aí, abaixo. Goste você ou não. Entenda você o conceito de “humor” ou não.

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A formação da Comitiva do Rock se deu de maneira diferente da gênese do Massacration, outro fenômeno da sátira heavy metal brasileira. Ao invés de um bando de comediantes fãs de metal que formaram uma banda para sacanear os clichês do gênero, os caras da Comitiva são músicos com bom tempo de estrada, alguns até bem conhecidos por sua luta aguerrida em defesa do metal tupiniquim mais underground. O caso é que, bem lá no fundo, debaixo das camisetas pretas típicas e dos cabelões dos fãs de rock pesado, eles sabiam que curtiam um tantinho de música brega.

E foi assim, brincando, que eles começaram a misturar as guitarras distorcidas do heavy metal com as violas românticas e as letras apaixonadas (algumas vezes, na medida certa para uma boa dor de corno) das duplas sertanejas exportadas diretamente de Goiás. O que era para ser apenas um par de jams para desopilar o fígado acabou se transformando em um repertório que corajosamente mete o riff de “Crazy Train”, do madman Ozzy Osbourne, no meio da melodia de “Meteoro”, do teen sertanejo Luan Santana – tudo isso adornado por uma letra que conta os percalços de uma delicada visita ao bordel mais próximo, assim que sai o pagamento do mês. Foi assim que nasceu a divertida “Troca o Óleo”.

Travestidos por trás de codinomes que misturam ídolos do metal com nomes populares do sertanejo (gerando denominações como Zezé Cavalera, Hudson Vai e Slash Sorocaba), os caras usam e abusam do direito de serem infames – como bem cabe, aliás, a qualquer bom humorista. Afinal, só sendo muito infame para colocar o tecladinho de “Jump” (Van Halen) para introduzir uma versão de “Jeito de Cowboy” (Chitãozinho e Xororó), com a letra devidamente alterada para narrar o caso de um travesti que até que engana bem em “Jeito de Boneca”. Ou na excelente “Leitão”, que evoca o riff de “Paradise City” (Guns ‘n Roses) para brincar com estas manias de dietas, numa paródia cujo coração é um hit dos gordinhos César Menotti e Fabiano.

E se você quer entender de fato todo o conceito por trás da Comitiva do Rock, é melhor colocar para rodar “Viola com Distorção”, hino que começa com uma referência a “I Love It Loud”, do Kiss, faz menção a “We Will Rock You”, do Queen, e mantém a base da música “Galera Coração”, da recém-reformada dupla Edson e Hudson – este último, aliás, roqueiro confesso e apaixonado. A letra é uma declaração de amor à liberdade desta mistura, ao rock do sertão, ao “Iron Maiden na viola” e ao “Tião Carreiro na guitarra”. E o que é melhor: a coisa toda funciona, rapaz.

Deixe os preconceitos de lado e divirta-se com a proposta despretensiosa da Comitiva. Afinal, como o mestre do brega Falcão inteligentemente versa em sua participação na canção “Vida de Pedreiro” – quem disse que roqueiro não pode ouvir Chitão? E quem disse que caipira não pode ouvir metal? Pois é. Quem disse?

Line-Up:
Zezé Cavalera – Vocal
Ralf Young – Guitarra
Hudson Vai – Guitarra
Slash Sorocaba – Guitarra
Ozzy Menotti – Baixo
Tonico McBrain – Bateria
Vaca Metaleira – Mascote

Tracklist:
1. Galinha Burana (Intro)
2. Não foi de graça
3. Jeito de boneca
4. Leitão
5. Filho pentelho
6. Não é o Pelé!
7. Amigo ensaboado (Live in Pelotas)
8. Viola com distorção
9. Vida de pedreiro (com Falcão)
10. A filha de Chico
11. Caloteira
12. Eu não sei falar inglês
13. O viagra é o segredo
14. Troca de óleo
15. A vaquinha *bônus
16. Troca de óleo *bônus (videoclipe)

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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