Morbid Angel: o novo álbum deles é tão ruim assim?
Resenha - Illud Divinum Insanus - Morbid Angel
Por Durr Campos
Fonte: Heavy Nation
Postado em 24 de junho de 2011
Antes de qualquer coisa, eu não nego que tenho o MORBID ANGEL como uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. Chego a incluir os norte-americanos de Tampa, Flórida, naquela que denomino a Profana Trindade do Death Metal, ao lado do IMMOLATION e DEATH. Pura opinião pessoal, mas qualquer pessoa que seja fã do estilo citado jamais deixaria de inclui-los em suas listas de grupos mais importantes do Metal Extremo.
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A maioria deve saber que seus álbuns seguem uma ordem alfabética, sendo que apenas a letra "A" foi repetida, haja visto que seu primeiro disco editado - Abominations of Desolation, de 1986 - sempre foi renegado pela banda e, portanto, "substituído" pelo Altars of Madness, de 1989. Este texto, no entanto, irá abordar minhas impressões sobre a letra "I", isto é, o artefato lançado este ano pelo grupo, o já polêmico Illud Divinum Insanus.
Quem digitar o nome MORBID ANGEL na famosa Wikipedia (versão em português) irá encontrar logo no início o seguinte texto: "Eles são os inovadores, os líderes, os que transcendem limitações. Convicção e verdadeiro senso de propósito só possuído por poucos, quebrando os limites musicais, espirituais e ideológicos, retendo o elemento inquestionavelmente brutal de sua música que se tornou uma das mais influentes do Death metal mundial." - Ora, do que adiantariam essas palavras se as mesmas não partissem à prática? Francamente, se há uma banda que JAMAIS temeu ousar e um músico que sempre foi sinônimo de "estar a frente de seu tempo", estes são o MORBID ANGEL e seu líder, mentor, guitarrista e compositor principal, Trey Azagthoth, respectivamente. Mesmo os três primeiros trabalhos - o já citado Altars of Madness, Blessed Are the Sick (1991) e Covenant (1993) - traziam sons bem diversificados e fora do "padrão Death Metal" da época. Até hoje encontramos ali elementos que muitas bandas não teriam a coragem (isso mesmo!) de fazer uso. Quando o quarto disco foi lançado em 1995, as críticas negativas começaram a ganhar força. Se Domination não mostrava ainda o que Trey & Cia. trilharia dali em diante, pelo menos serviu para dar um susto em uma boa parcela de fãs e na imprensa especializada.
Com a saída do vocalista e baxista David Vicent no ano seguinte, vieram novos membros (o guitarrista Erik Rutan e o baixista/vocalista Steve Tucker para sermos mais precisos), mudanças na sonoridade e muita criatividade, apesar de algumas composições sem tanto poder. O nome da banda continuava em evidência, mas os fãs queriam Vincent de volta. E foi o que aconteceu em 2004. De lá pra cá os shows foram constantes e a promessa de um novo disco de estúdio ecoava em todo o mundo.
Eis que a espera chega ao fim em 2011 e Illud Divinum Insanus chega ao mundo cheio de expectativas. No entanto, também carregava em si duas tarefas ingratas: nascer já clássico e agradar aos fãs mais puristas, até por não contar com Pete Sandoval na bateria, mas o eficientíssimo Tim Yeung (All That Remains, Hate Eternal, Vital Remains, Divine Heresy, World Under Blood, etc.).
Pois bem, mal a bolachinha saiu do forno e a chuva de críticas negativas foi implacável. "O disco é uma merda!", foi a frase que mais li e ouvi nas últimas semanas. Querem saber? INGRATOS! O disco não nasceu clássico e provavelmente jamais será, mas está longe de ser o fiasco que a maioria vem afirmando. Em minha opinião o erro do MORBID ANGEL está na ordem do track-listing. Se "Too Extreme!" fosse a faixa de número 10 a coisa não teria sido tão brutal pro lado deles. Sim, porque "Existo Vulgoré" é uma típica canção da banda, bem melhor do que algumas dos dois álbuns anteriores, assim como as seguintes, "Blades for Baal" e "I Am Morbid" - ambas muito poderosas e cheias de inspiração; "Nevermore" já era uma velha conhecida, pois vem sendo tocada há um par de anos pelo menos, ótima faixa! "Destructos Vs. the Earth / Attack" retoma a dose de modernidade do CD, mas não passa despercebida. "Beauty Meets Beast" poderia estar fácil no Covenant, bem como a última "Profundis - Mea Culpa" entraria no Formulas Fatal to the Flesh (1998) se a bateria não fosse eletrônica, digamos assim.
Ou seja, não criemos pânico. O MORBID ANGEL continua fazendo o de sempre: musicar arte de vanguarda. Pra mim conseguiram novamente.
Outras resenhas de Illud Divinum Insanus - Morbid Angel
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