Alcest: Música do fundo da alma de quem compôs

Resenha - Souvenirs d'un Autre Monde - Alcest

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Thiago Pimentel
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Fruto da mente do "solitário" músico Niege - que gravou todos os instrumentos - "Souvenirs d'un Autre Monde" transporta o ouvinte através de sua atmosfera melancólica a um mundo parelo. Mundo este oriundo dos sonhos de Niege durante a sua infância. Este fato explica o nome do álbum que, traduzido do francês, significa "Memórias de um outro mundo".
5000 acessosDoentio: Black Metal composto apenas com gritos de pacientes loucos5000 acessosFreddy Frenzzy: O vocal que trocou Hard Rock por forró ostentação

O ALCEST começou praticando um black metal cru, tosco. Contudo, em seu primeiro EP - "Le Secret" (2005) - Niege já deu indícios de rumar para uma direção contrária ao metal extremo. Uma direção mais psicodélica e ambiente - opasta tradicional a agressão do metal. Na verdade este álbum possui apenas resquícios de heavy metal, sendo sua rotulação uma tarefa complica, injusta. A bateria talvez preserve alguns elementos do metal extremo, com o uso de batidas típicas do black metal. Incrivelmente esse estilo "baterístico" não soa deslocado, apenas contribui para deixar o som do ALCEST ainda mais peculiar.

O álbum inicia-se com "Printemps Emeraude" exibindo uma poderosa "parede sonora de guitarras" e melodias melancólicas. Apesar do longo tempo da canção a forma como tudo se encaixa e envolve o ouvinte é fantástica. As linhas de baixo também são ótimas. Diferente das composições do primeiro EP as partes dessa canção não parecem "costuradas" e apontam o ALCEST para uma direção impensável para um projeto que nasceu no metal: o shoegaze e post-rock.

O trabalho de guitarra não é o tradicional no rock n' roll/heavy metal, isso pode causar estranheza a quem está acostumado a um formato mais linear de riffs e solos, pois o instrumento é mais usado para criar camadas sonoras do que para destacar-se na música.

"Souvenirs d'un Autre Monde" e "Les Iris" continuam a "grande viagem". O trabalho de violão é bem intenso: o instrumento domina quase todas as composições do músico. Remetendo a bandas como OPETH. Essa característica, além do uso do idioma natal do músico (francês), também é uma das principais da banda.

Um outro atributo do trabalho que chama atenção são os vocais limpos de Niege. Eles funcionam como mantras que ficam em segundo plano - isso quando não são usados coros -, no fundo da música. Isso cria um efeito envolvente e nostálgico no ouvinte - o que deve ter sido a grande intenção do compositor.

A quarta faixa ("Ciel Errant") talvez seja uma das mais melancólicas do disco, sua levada acústica inicial mesmo que evolua em riffs distorcidos preserva as tais melodias tristes. As linhas de guitarra solo complementares são muito boas e aqui repetem a ideia das primeiras faixas. Sem excessos de notas, apenas o essencial. Essa sutileza talvez seja o grande charme, em especial, dessa música.

"Sur L'autre Rive Je T'attendrai" possui vocais femininos realizados por Audrey Sylvain. Essa canção assim como a próxima apontam para uma direção mais "folk" que até então não havia sido visto com tanta evidência no disco. O trecho de encerramento - após o "falso final" - com o dedilhado durante os "sons de mar" são um grande deleite progressivo.

A última faixa ("Tir Nan Og") é uma das mais singulares da obra. Além de apresentar um trabalho de percussão bem interessante também destaca-se pela inclusão dos teclados. Essa é uma das minhas favoritas do disco, pois possui melodias bem grandiosas sem soar piegas. O encerramento do álbum não podere ser mais épico. O título da canção faz referência a uma expressão irlandesa sobre uma mitológica "ilha da juventude".

Em suma, "Souvenirs d'un Autre Monde" é um grande trabalho. Único, diferenciado, peculiar. Poderia procurar ir além do uso desses sinônimos para sintetizá-lo, porém não acho adjetivos diferenciados que melhor definam essa obra que não esses. É um disco escrito, aparentamente, sem pretensões comerciais... apenas música do fundo da alma de quem compôs.

Por sua peculiaridade obviamente atrairá tantos admiradores quanto detratores, na mesma proporção. Seu único defeito talvez seja a duração das faixas que, por não variarem muito, pode tornar a audição do álbum cansativa. Recomendado para quem gosta de grandes viagens psicodélicas em forma de música. Um conselho final: não vá escutar esperando heavy metal e... muito menos black metal.

Músicas-chave:
Printemps Emeraude ; Ciel Errant ; Tir Na Og

Formação: Niege - vocais e todos os intrumentos

Tracklist:

1. Printemps Émeraude 07:19
2. Souvenirs d'un autre monde 06:08
3. Les Iris 07:41
4. Ciel Errant 07:12
5. Sur l'autre rive je t'attendrai 06:50
6. Tir Nan Og 06:10

Tempo total: 41:20

Publicado originalmente em
http://hangover-music.blogspot.com/2011/03/resenha-album-alc...

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Alcest"

Black MetalBlack Metal
Cinco bandas contraindicadas para quem é "true"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Alcest"

DoentioDoentio
Black Metal composto apenas com gritos de pacientes loucos

Freddy FrenzzyFreddy Frenzzy
O vocal que trocou Hard Rock por forró ostentação

NickelbackNickelback
11 razões para respeitar - muito - a Chad Kroeger

5000 acessosCreed: nomeada pior banda dos anos 1990 pela Rolling Stone5000 acessosBeatles: tocando "Stairway To Heaven" no YouTube?5000 acessosTeoria da Conspiração: Slipknot troca membros em shows ao vivo?5000 acessosVeja SP: show do Iron Maiden eleito como "pior de 2009"5000 acessosMastodon: Brent Hinds fez um álbum sozinho e o resto da banda fez outro5000 acessosPhil Anselmo: a pior merda que ele já fez no palco

Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

Mais matérias de Thiago Pimentel no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online